No post anterior gastei milhares de caracteres para no fim falar de um milagre. É obvio que eu tinha comido chocolate demais, estava empolgado com aqueles filminhos de Moisés e caí na besteira de usar esta palavra. Mas meu amigo Marcelo tem razão. Quem espera milagre é botafoguense. Diga não a Botafoguização do Flamengo. O rubro negro não espera, vai atrás, luta e consegue. E não adianta aparecer no twitter depois que tudo foi à merda e dizer: eu já sabia. Grande coisa, pode se dar um PHD em Sport Betting in Chaothic Environment. Quando presidente, diretoria, técnico e alguns jogadores são péssimos adivinhar um mau resultado não tem o menor mérito. É uma porcaria depender de outros e o time do Flamengo está nessa situação porque por várias vezes não esteve à altura da história do clube. Não teve ambição em Lanús quando começou ganhando e deixou empatar. Não teve categoria nem gás para pôr o Olímpia na roda no empate do Engenhão. Não teve raça nem um técnico com QI positivo quando perdeu para o Olímpia o Emelec fora de casa.
Ora, amigos. Esta noite o Flamengo só tem um resultado que lhe classifica. Vitória em casa e empate entre Olímpia e Emelec. Sinceramente, se o Flamengo não for capaz de ganhar em casa é melhor nem seguir na Libertadores. E até onde eu sei o jogo entre Olímpia e Emelc começa empatado e até que acabe um empate não é um resultado de outro mundo. Não é nada extraordinário, até porque o Olímpia já tomou uma surra em casa e porque o Emelec (graças à generosidade do Flamengo) ainda pode se classificar e jogará pra valer. O que pode ser pra nós a melhor definição do inferno? Ver um empate entre esses dois times ao mesmo tempo que o Flamengo é incapaz de conseguir uma vitória em casa diante do Lanús.
Por isso já acordei pensando na nossa história, cheia de grandes feitos e gente como Valido, Rondineli, Lico, Junior e tantos outros que derramaram sangue rubro negro por nossas vitórias. Voltando às presepadas de analogia religiosa… (Valha me Deus, presepada vem de presépio?) se existe uma Santíssima Trindade no Flamengo acredito que seja Zizinho (Pai) Zico (Filho) e Dida (Espírito Santo). Pois um vez esses figuras sagradas falaram entre si sobre um tema: raça. Zizinho era então treinador do Bangu e teria dado a Zico um conselho que anteriormente teria dado a Dida: essa galera gosta que a gente corra.
Esse é o espírito rubro negro por excelência. Não deixar de acreditar no poder das próprias pernas jamais. Por isso a idéia de torcer por outros times para conseguir uma classificação nos parece insuportável. O rubro negro não foge à luta nem com quarenta graus de febre, nem com os joelhos fudidos, nem com o supercílio aberto, nem com uma costela ou mandíbula quebrada. Flamengo até morrer, tá lembrado? E esse grande Dida que serviu de inspiração ao Zico curiosamente não tinha o menor interesse em ser jogador profissional. Sair da sua Maceió natal pra quê? Pois ele tinha uma coisa bem clara na sua cabeça, esse sacrifício ele só faria com uma condição. Só se for pelo Flamengo. Por isso não pedimos milagre. Só queremos uma mudança de atitude e um treinador menos covarde.
Eu ja tinha feito uma playlist cornetando o nosso camisa dez. Parece que surtiu efeito, ele até marcou contra o Vasco. Agora escute essa playlist que fiz para você, rubro negro. Dez canções, em homenagem ao camisa dez Dida, sucessor de Zizinho e ídolo do Galinho. Essas canções além de serem infinitamente melhores que essas melodias mamonas que imperam nos estádios atualmente, são verdadeiros manuais de torcedor do Flamengo. “Um rubro negro ganhe ou não ganhe deve manter a devoção”. “Eu não perco nenhum jogo, seja de noite ou de dia”. “Pode chover, pode o sol me queimar, eu vou lá pra ver a Charanga do Jairo tocar”. “Se ganhar ou se perder sou doente meu irmão”. “Meu clube quando apanha: podia ser pior? Mas quando ele ganha: Mengo é o maior!”. “Flamengo, és uma religião que ensina o cidadão a amar o meu Brasil”, “Flamengo, tua glória é lutar”, “Se perde o Flamengo não queimo a bandeira, não rasgo a carteira porque sei perder, continuo a ser Flamengo, ser Flamengo é que dá pé”, “O time joga com raça, joga certo e não rebola”, “Flamengo até morrer eu sou.”
São mandamentos rubro negros tão contundentes que vários oportunistas, torcedores de outros times (como o vascaino Jamelão) cantaram as glórias do Flamengo para garantir seu êxito cerrto. Agora, escute e imagine a época das cancçõs, o primeiro tri na Gávea, o segundo tri no Maracanã recém inaugurado e as incontáveis maravilhas que saíam dos pés de Dida. Foram estas maravilhas que encantaram o menino Arhur de Antunes, que um dia aprenderia que glórias são conseguidas derramando sangue e suor. A nós, rubro negros, só nos resta acreditar. Não em milagres, mas no Flamengo. Quem for Flamengo me acompanhe.
Sem sugestão de posts.
