Maior do que vocês: América, lá vamos nós

Assim como nunca vi nada como essa pré-temporada do Flamengo, retro-alimentada com crises diárias, nunca vi nada como o pré-jogo de ontem. Estava indo para casa, tenso, e liguei o rádio do carro. 1220 da Globo, só chiado, roda o dial, 1280 da Tupi e opa, Apolinho cuspindo marimbondos radioativos contra Patrícia Amorim. Esperei um tempo na garagem ainda sem entender direito, Luxemburgo demitido? Joel? Só fui entender ao acessar o Twitter, timeline nervosa e boladíssima com a matéria do GE.com.

Ainda estava atordoado quando Sérgio Américo entrou ao vivo com Patrícia Amorim, que desmentiu – ou retrocedeu diante da repercussão, o que é mais provável – e ouviu uma declaração de amor do Apolinho, padrinho declarado de Luxemburgo. Na timeline Patricia já era chamada de Pat-ética. Ela, que acusou o Fluminense de falta de ética. Ela que… Vocês sabem. Tanta coisa.

Passava um pouco das nove e eu estava atordoado. Na boca de um jogo decisivo e o Flamengo na garupa do palhaço. Solto na buraqueira. Rezei para os minutos voarem e a bola rolar, para tudo voltar a ser futebol.

Rolou. Time nervoso, mas ligado. Ronaldinho bem, encaixou um lançamento preciso para Léo Moura e quase gol de Deivid, uma ponta de chuteira atrasado. As chances foram sendo perdidas, Ronaldinho de cabeça, chutes de longe, Bottinelli rente a trave e o tempo voando. Alívio geral quando R10 botou a bola na cabeça de Léo Moura e o Engenhão explodiu.

No segundo tempo, mesmo com a fragilidade do Potosí, o Flamengo se perdeu entre pressionar em busca do segundo gol e segurar o resultado. Acabou não fazendo uma coisa, nem outra, e o jogo ganhou contornos de drama. El Gordo errou uma cabeçada que me fez sentir o vento frio de outras noites que não deveriam ter existido, mas felizmente os bolivianos são ruins demais e Léo Moura retribuiu o presente a R10 que matou o jogo com imensa categoria.

Valeu pela festa da torcida. Valeu pelo desabafo de Júnior contra os bandoleros que posam de dirigentes do Flamengo. Valeu pela vaga. De resto, continua a crise no comando. Os jogadores não querem mesmo Luxemburgo – se quisessem, teriam comemorado com ele, em desagravo. Eu também não quero Luxemburgo, mas entre ele e Joel, ele. Entre o diabo e Joel, o diabo. Jamais perdoarei o Natalino por 2008.

Os inimigos são muitos. Os externos apenas secam, mas os internos arruínam, deterioram, crescem como infiltrações surdas que enfraquecem as paredes. Gente que deveria cuidar do clube e só faz enfraquecê-lo. Mesmo assim, vencemos. E vencemos apesar de vocês que são incompetentes, que maldizem o Zico, que tentam acabar com o nosso amor.
Vocês não conseguirão. O Flamengo é maior do que vocês porque se alimenta dos nossos sonhos e de nossas vidas. América, lá vamos nós.

foto: Vipcomm

Flamengo 2×0 Real Potosí
1 de fevereiro de 2012 – Taça Libertadores da América
Estádio do Engenhão – Rio de Janeiro
Público: 32.004 pagantes.
Árbitro: Victor Rivera
Cartão vermelho: Centurión
Flamengo: Felipe Leo Moura, Welinton, David Braz e Junior Cesar; Willians, Luiz Antônio, Renato Abreu (Muralha) e Bottinelli (Camacho); Ronaldinho Gaúcho e Deivid (Negueba). Técnico: Vanderlei Luxemburgo
Real Potosí: Lapczyk, Jiménez, Alarcón, Centurión e Rivero; Sejas, Michelena (Tudor), Ortiz (Angola) e Ovando (Pol); Yecerotte e Brittes. Técnico: Victor Zwenger
Gols: Leo Moura aos 38 do 1º tempo; Ronaldinho Gaúcho aos 48 do 2º tempo.

Ferimentos leves: a derrota em Potosí

Mauricio Neves de Jesus

Curioso esse jogo a quatro mil metros acima do mar. Poderíamos ter conseguido um resultado melhor, com um pouco mais de capricho nos passes de aproximação em geral e especificamente na desgarrada de Negueba, que ao invés de servir a Bottinelli deu uma raquetada que fez a bola se perder. Mas também poderia ter sido muito, muito pior. As defesas de Felipe e os erros de conclusão do pavoroso Real Potosí indicam que eles estiveram sempre mais próximos de qualificar a vantagem do que nós do empate.

Sim, a bola corre demais e adultera o jogo.  Mas algumas duras verdades nem o ar rarefeito consegue esconder. Uma, Gonzalez fora, não temos nenhum zagueiro decente. Duas, jogar com quatro volantes é para time pequeno. Três, Willians precisa curar seu TOC de perder a bola e recuperá-la para perder de novo. Pitbull? Parece mais um cachorro correndo atrás do próprio rabo. E quatro, a verdade que se confunde com um mistério: qual a função de Renato Abreu? Ontem, na transmissão da Globo, até Júnior se impacientou. Perdoem: não é “até Júnior”, é principalmente Júnior, que jogou naquela posição como ninguém.

A proposta de encurtar o jogo, aproximando os jogadores em triângulos, foi uma ótima ideia. O problema é que dois vértices eram sempre Renato Abreu e Willians e coitado do terceiro vértice. Piorou no segundo tempo, quando o ar faltou de vez e os triângulos se transformaram em formas geométricas indefinidas.

Os pontos positivos foram o gol, Luiz Antônio, Ronaldinho e a destemida magnética. O gol porque muito bem construído e é qualificado para o desempate. Luiz Antônio porque voltou com a mesma desenvoltura. Ronaldinho porque esteve ligado o tempo todo e não jogou mais porque não havia bola nem parceria. E a magnética fazendo história no fim do mundo, o velho Moraes como um elo de ligação entre o Flamengo campeão mundial e garotos que sequer viram Zico jogar, representando quarenta milhões de fiéis.

Perdemos, mas são ferimentos leves. Jogando com seriedade, venceremos no Engenhão. E aí é bom repensar a quantidade de volantes, a vitaliciedade de Renato Abreu e encaixar Gonzalez e Vágner Love. Dá até para sonhar com um time. (fotos: Alexandre Vidal / Fla Imagem)

Real Potosí 2×1 Flamengo
25 de janeiro de 2012 – Taça Libertadores da América
Estádio Victor Agustín Ugarte – Potosí
Árbitro: Liber Prudente
Flamengo: Felipe, Léo Moura, Welinton, David Braz e Junior Cesar; Airton (Bottinelli), Luiz Antônio, Willians (Camacho) e Renato Abreu; Ronaldinho Gaúcho e Deivid (Negueba). Técnico: Vanderlei Luxemburgo
Real Potosí: Henry Lapczyk, Rony Jiménez, Claudio Centurión, Alberto Alarcón e Rosauro Rivero; Roly Sejas, Eduardo Ortiz, José Michelena (Nicolas Tudor) e Victor Hugo Angola (Mario Ovando); Sebastian Pol e Edgardo Brittes (Pastor Torres). Técnico: Victor Zwenger
Gols: Luiz Antônio aos 28 e Claudio Centurión aos 31 do 1º tempo; Edgardo Brittes aos 12 do 2º tempo.

♪ Vai começar a festa ♫

Alegria, Alegria!

Dia de felicidade e empolgação! Mengão em seu primeiro jogo da Libertadores e estréia do Acima de Tudo Rubro Negro!

Não consigo conter minha alegria e meu sorriso debochado! Mas pensam que foi fácil chegar até aqui? Não chegamos a um acordo tão facilmente! E criar este blog foi uma novela!
Com sabedoria, parceria e amor ao Flamengo conseguimos conciliar o que cada um tinha de melhor para formarmos o nosso time! Temos o mesmo objetivo, e a mesma paixão!
Acreditamos no potencial de cada um, que jogando na posição correta, vai dar samba!
Quisera eu que o FLAMENGO fosse meu blog… Formado por pessoas que aqui estão pelo amor ao manto!
Porém em meio a “Crises”, “novelas”, ou seja lá que nome atribuírem, estamos em dia de estréia, e meus jogadores estão lá no alto, pra enfrentar o Real Potosi, na raça! E meu papel de torcedora e integrante da maior nação do mundo é apoiar, e impulsionar meu time! Temos representantes Rubro Negros por lá, e aproveitando que o jogo será nas alturas, convoquei por email São Judas Tadeu. Que poderá assistir ao espetáculo da varanda do céu!
Não estou me eximindo do papel de cobrar e exigir do meu clube mais transparência, mais atitude, e mudanças para um Flamengo melhor! Mas as insatisfações não podem dar lugar ao distanciamento e a falta de apoio.
É factível mudanças, mas isso depende de todo um trabalho de quem está na gestão. Vivemos hoje inversão de papeis na diretoria. Se cada um se limitasse a executar bem sua função, no final teríamos uma direção forte. Mas é preciso resgatar valores!
Paralelo a isso, temos o Carioca acontecendo, e uma estréia importante. Ano de Libertadores. E eu acredito na minha equipe. Com garra, determinação e com o décimo segundo jogador em campo, somos capazes de mudar esse rótulo de novela mexicana que não nos cai bem. Somos a Nação que apóia, que chega junto, e que na alegria ou na tristeza não abandona o barco!
Vamos vestir o manto e mostrar mais uma vez que a torcida Rubro Negra é a nação que faz a terra girar! Sempre fazendo a diferença!
Sejam Bem vindos! O blog é para você, torcedor, corneta, foca, Amélia, tem para todo gosto!
E muitas novidades vêm por aí!

Cella

@MarcellinhaRJ
#NadaImportaSemOFlamengo

 
Visite noso Blog, deixe seu comentário em qualquer um post até o dia 30/01, diga o que achou do blog no Twitter, acompanhado da TAG #BlogAcimaDeTudoRubroNegro e concorra a um livro: 1981 – o Primeiro ano do resto de nossas vidas – de Mauricio Neves.

¡cómo me alegras la vida!

Lá vai oFlamengo, dividido em dois: um nas alturas dos morros bolivianos, em busca defôlego para encarar o Potosí próximo ao céu; outro no Carioquinha com garotos embusca de um lugar ao sol. Para nós é uma coisa só, chamada Flamengo, em buscade uma coisa só: a paz perdida.
Ontem tevejogo-treino no estádio Patria, em Sucre, contra o Universitario – La U para osbolivianos. Uma multidão foi ao estádio para comprovar o que todos sabemos: o Flamengopoderia fazer fortuna explorando R10 e não consegue nem os trocados que seganha estampado a camisa. Vinte e cinco mil pessoas pagaram como ingresso umquilo de alimento não perecível em benefício do Hogar de Niños Tata San Juan deDios.
R10 e el Patria lotado para o treino em Sucre: quanto vale um astro?
Em campo,aconteceu o esperado: o Flamengo perdido em seus passos incertos e sem tempo debola viu um adversário limitado levar perigo. Experiência inédita para todosnós, foi possível acompanhar os lances de um jogo-treino pela Rádio Encuentrode Sucre, cujo narrador empregava à transmissão um entusiasmo de final de Copado Mundo.
Impulsionadopelo ar que mal chegava aos pulmões rubro-negros, La U quase marcou com ErickMelgar, que chutou rente ao travessão. - ¡Un zapatazo que se perdió!, pirou onarrador. Depois, Marcelo Gomes, Luis Liendo e Boris Alfaro estiveram pormarcar, mas não passaram por Felipe. Nada que diminuísse a empolgação donarrador-torcedor: ¡Cómo me alegras la vida, La U! 
Findo oprimeiro tempo de 45 minutos, o Flamengo voltou modificado para etapa final de25 minutos, com Muralha e Negueba nos lugares de Airton e Deivid. Melhorou um tantoe Leonardo Moura serviu a bola para Renato Abreu fuzilar aos 9 minutos: Fla1x0. La U pressionou, ¡Madre de Dios!, dizia o narrador, e nada de gol. Acaboumesmo com o resultado que será uma benção se repetido contra o Potosí.
Daqui apouco, Flamengo x Bonsuça no Engenhão.

Universitario0x1 Flamengo
20 dejaneiro de 2012 – Jogo-treino
EstádioPatria – Sucre
Flamengo:Felipe, Léo Moura, Welinton, David Braz e Júnior César; Airton (Muralha),Willians, Luiz Antônio e Renato Abreu; Ronaldinho Gaúcho e Deivid (Negueba).Técnico: Vanderlei Luxemburgo
Universitario:Marcelo Robledo, Oscar Añez, Marcos Barrera, Jefferson Lopes e Leonel Morales;Ronald Gallegos, Erick Melgar, Luis Liendo e Freddy Chispas; Marcelo Gomes e BorisAlfaro. Técnico: Eduardo Villegas
Gol: RenatoAbreu aos 9 do 2º tempo.