Vestiu rubro-negro não tem pra ninguém: Hamilton de Holanda

Hamilton de Holanda, o camisa 10 do bandolim

Hamilton de Holanda, o camisa 10 do bandolim

O menino Hamilton de Holanda Vasconcelos Neto teve um natal perfeito em 1981. O Flamengo já havia lhe dado de presente o topo do mundo. E das mãos do seu avô (o mesmo de quem herdou o nome), Hamilton ganhou o seu primeiro bandolim, aos 6 anos de idade. Um ano antes ele já tinha feito o seu primeiro concerto no CLube do Choro de Brasília. Nascido no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, cresceu em Brasília, onde apesar da ausência de professores de bandolim na época, aperfeiçoou sua técnica tocando vários instrumentos. O seu talento é tão grande que não demora para ele aparecer na TV ao lado do seu irmão Fernando César.

Com dez anos de idade Hamilton já compôs o seu primeiro choro, “Chorinho pra Pernambuco”. Dez anos mais tarde já tinha conhecido craques do choro como Altamiro Carrilho e tocado com mestres como Raphael Rabelo, de quem seguiu os passos de transcender os limites do choro. Sua vontade de experimentar se nota não só no repertório, mas até mesmo em seu instrumento. Pioneiro, em 2000 pediu para que seu luthier lhe fizesse um bandolim de 10 cordas. Virtuoso, brilhante e único, como um camisa 10 do bandolim.

Foi tocando ao lado do seu irmão no grupo Dois de Ouro que gravou o choro “Rubro-Negro”, de sua autoria. A faixa 10 do álbum “Dois de Ouro” é, obviamente, uma música em homenagem ao Flamengo. Talvez mais do que isso, seja uma homenagem ao torcedor rubro-negro. Desse orgulho de ser rubro-negro que todos nós gostamos de cantar. Segundo Hamilton é um “samba-choro com uma pegada bem carioca”. A música começa com um batuque digno de arquibancada, seguido por seu bandolim que invade o campo com alegria de um lateral sambista. A bela melodia desenha a jogada que termina com a chegada do violão de sete cordas. Um volante, daqueles que desfilam classe, e que quase não se fabricam mais. E o bandolim/bola vai passando de pé em pé. No ar, um aroma de Canal 100, com suas jogadas memoráveis, dribles irreverentes e tabelas impossíveis.

Um toque mágico, a música ralentiza e vemos um camisa 10 matando a bola no peito, e colocando-a amávelmente no chão, com delicadeza e elegância – maestro do tempo e do espaço. Um belo lançamento que aciona um ponta esquerda que, com seus movimentos insinuantes, aciona o camisa 9 que, com um pequeno movimento manda a bola morrer dentro do barbante. Se escuta então o grito da cuíca anunciando mais um gol rubro-negro. E estas melodias/jogadas se sucedem, se repetem inevitáveis, reinventando-se na forma de jogar. Só muda a trajetória, o último toque, a parábola, o farfalhar da bola à rede, cúmplice dos mestres do improviso. Se consuma a goleada, nos repetidos silêncios que antecedem os gritos de gol. E da goleada surge a festa da arquibancada, da geral, do time. Por um instante tudo aquilo é uma coisa só: o Flamengo. Até o apito do juiz e os aplausos finais.

Não é de estranhar que esse ano Hamilton, tenha sido chamado para inaugurar o cidade cultural do RIO 2016 em Londres. Afinal o camisa 10 do bandolim já é um embaixador da música brasileira no exterior. Hoje ele toca pelo mundo inteiro, com a alegria de um menino que corre atrás da bola…

ADTRN: Você compôs o samba-choro “Rubro-Negro”. O batuque das arquibancadas da Nação Rubro-Negra te inspirarou?

Hamilton de Holanda: Com certeza me inspiram. Principalmente quando temos chance de ser campeões. Não vou muito ao estádio, prefiro ver o jogo em casa. Mas quando vou, volto com a sensação de sempre querer voltar. Não tem nada igual à paixão da torcida do Mengão!

ADTRN: Desde que Bonfiglio de Oliveira compôs “Flamengo” em 1911, inúmeros artistas homenagearam o clube. Com qual deles você gostaria de fazer uma tabelinha musical?

Hamilton de Holanda: Com Lamartine Babo.

ADTRN: De todas as músicas rubro-negras qual a tua preferida? Por que?

Hamilton de Holanda: Samba rubro-negro. Junto com Coisinha do pai, essa foi a primeira música que cantei na vida, com meus 3/4 anos de idade. “Flamengo joga amanhã, eu vou pra lá, vai haver mais um baile, no Maracanã…”

ADTRN: Em sua gravação do clássico “1×0″ do Pixinguinha você usa “Brasileirinho” do rubro-negro Waldir Azevedo como tema incidental. Como se a gente fosse mais brasileiro gritando gol. Que gol do Flamengo você gostaria de reviver com uma música?

Hamilton de Holanda: O segundo gol do Nunes em 81 (terceiro do Flamengo), eu era muito pequeno, mas me lembro de assistir na madrugada o Mengão campeão do mundo no Japão.

ADTRN: Você além de bandolinista virtuoso é um excelente compositor. Não usa a camisa 10, mas usa um bandolim de 10 cordas. Que jogador rubro-negro você diria: esse foi (ou é) um grande artista?

Hamilton de Holanda: Júnior e Zico. Eles foram artistas da bola, com aquele poder de encantamento que nos deixa sem ar.

ADTRN: Por último gostaria de agradecer em nome de todos do blog e pedir que você faça uma pergunta ao mais musical dos jogadores rubro-negros. Um pagodeiro de primeira, que vendeu muitíssimos discos com Povo Feliz (Voa canarinho), em 1982. O maestro Júnior. A bola está contigo, Hamilton.

Hamilton de Holanda: Júnior, sei que a resposta é difícil, mas não posso deixar de perguntar : um gol ou um samba ?

Com vocês, o samba-choro de Hamilton de Holanda, um rubro-negro.


Gostou? Que tal ouvir mais? É fácil. Contemporâneo e generoso, Hamilton que disponibiliza em sua página ( http://www.hamiltondeholanda.com ) toda sua vasta discografia, vários downloads e até partituras. Golaço, Hamilton!!!

Saudações Rubro-negras!

O Flamengo e seus limites

A nau está alerta para os limites rubro-negros. Foto: Otije (otije.tumblr.com)

O Flamengo já nasceu no limite. Para ser mais exato no limite entre as águas do Oceano Atlântico e as terras da Guanabara. Ali na praia do Flamengo, que herdou seu nome dos piratas flamengos (holandeses) que tentaram em vão invadí-la. Assim, estranhamente,  o nosso amado clube foi batizado com a alcunha dos fracassados invasores.

Foi nessa praia que o Flamengo deu seus primeiros passos no remo. Foi nessa praia que o futebol deu seus primeiros chutes, pela falta de um campo para treinar, algo que contribuiu para o sucesso do clube, com seus trainnings abertos à vizinhança. Na época a praia do Flamengo era a mais frequentada pelos cariocas, pelas excelentes condições de banho e proximidade com o centro. E os fracassados invasores? Pois fundaram Recife, cidade do fracassado rubro-negro genérico que pirateia troféus no tapetão.

Antes da invasão fracassada a Praia do Flamengo foi chamada de Uruçumirim (que significa abelha pequena) pelos tupinambás, Aguada dos Marinheiros, Praia do Carioca e Praia do Sapateiro. Isso quer dizer que por ali sempre teve um zumzumzum, uma fonte de água pura para multidões de trabalhadores braçais, que vinham de todas partes e fizeram dessa a sua praia, tudo isso no sapatinho.

E teve que passar um século dessa boa convivência de mar e terra flamenga, com suas marés de títulos e glórias, para que uma mulher abrisse a caixa de todos os males, e que com seus inúmeros pecados fosse praticamente capaz de separar terra e mar. Sim, estou falando de nossa nadadora presidenta. Aquela mesma que disse que o futebol é perverso. Sejamos perversos e comparemos os esportes aquáticos com o futebol. Se uns foram criados pelo instinto a sobrevivência e podem ser praticados até por amebas o futebol é tão complexo, abstrato e caótico que não encontra similitude na natureza. Daí vem a paixão de milhões de torcedores que seguem seus heróis a cada 4 dias, e não apenas a cada 4 anos.

E por falar em tempo o último mês foi o mês do cão-chupando-manga-embarcado-num-esquife-furado. Só um atleta teria fôlego para rebater todas as palhaçadas que vieram da Gávea. Vimos um desempenho medíocre dos atletas olímpicos, vimos como nosso time descia tabela abaixo com a senhora vereadora dando declarações infelizes, vimos a chegada do cabo eleitoral Adriano e sua enésima última chance desperdiçada. Sinceramente, os que ainda esperam sua triunfante volta e redenção me lembram os pobres coitados de Canudos que esperavam a volta do Dom Sebastião de Portugal e dos Algarves, daquém mar e d’além mar em África, o Imperador adormecido. Esse Imperador não voltou jamais e deixou muita gente com saudades.

Outro que não deixou saudades foi o Presidente Edmundo Santos Silva, o pior presidente da história do Flamengo. Pois olha que curioso, na época, ele recebeu uma condecoração das mãos da Vereadora Patrícia Amorim. Deve ter algo de cabalístico porque os dois foram presidentes que encerraram os centenários do clube e do futebol. Pode ser coincidência ou não mas ambos deixaram rombos nas contas do clube. E atualmente na página da campanha da Patrícia Amorim você pode ver a mulher do Edmundo Santos Silva dando o seu apoio. Como pode um cidadão, rubro-negro ou não, votar nela?

Pois quem vota nela espera qualquer coisa em troca, menos resultados esportivos. Isso ficou claro na reportagem da ESPN que desmascara a prática de clientelismo no gabinete da vereadora. É descarada a troca dos gordos salários de assessor por apoio dentro do Flamengo. E é gritante que o presidente do Conselho Fiscal, Capitão Leo tenha sido um desses assessores, atualmente substituído pelo seu laranja, quer dizer, sócio. Ora, se ele deve a ela essa indicação e uma bolada em salário, como esperar que o Conselho fiscal investigue as contas do clube? E o Capitão Leo ainda sai acusando candidatos a presidência do clube de querer privatizar o Flamengo. Ora, quem privatizou foi ele com sua seção de futebol de areia e de showbol.

E o pior é que os casos extrapolam a câmara de vereadores e chega à Gávea onde ela é acusada de nomear a dedo filhos de conselheiros para cargos aos quais não tem a mínima competência.  Se o eslogan da campanha da Patrícia Amorim é “construindo o futuro através do esporte”, certamente a frase se refere ao futuro da própria Patrícia Amorim. Se você tem alguma dúvida basta ver essa foto da inauguração do muro dos tijolinhos no inacabado Centro de Treinamento.

Esse agosto também vivi uma experiência trágica. Cheguei à bela Cala S’almunia, uma praia de rochas, na companhia inesperada de um carro de polícia e uma ambulância. Um rapaz tinha se atirado do acantilado e teria morrido afogado. Já seria trágico se isso não fosse um hábito aqui, se jogar dos acantilados para se refrescar no mar.  Acontece que o rapaz calculou mal ou subestimou a força do mar. Segundo uma moradora do local todo ano morre um ali. Eu, que já tinha me atirado ali mesmo dentro de um poço natural de água salgada, fiquei chocado. Às vezes uma atividade de ócio pode terminar trágicamente, e o sujeito morre no paraíso, por um passo em falso, um erro de cálculo, o azar, ou quem sabe a mãe de todas as desgraças: a irresponsabilidade.

Esse sentimento de luto é o que me corrói quando vejo que pretensos “torcedores” matam a um torcedor rival. Essa tristeza também me inunda quando vejo a Patrícia Amorim reconhecer que dá ingressos às torcidas organizadas e depois lava suas mãos para violência. É claro que quem dá ingresso está financiando esses grupos criminosos que deviam ser banidos dos estádios. E não sou só eu que digo isso, é a própria PM do Rio! O fato é que dentro do clube a própria Patrícia empregou ex-integrantes de torcidas organizadas. Além disso é clara a diferença de trato. Patrícia e cia suspendem sumariamente um sócio pelo que ele diz no twitter, sem dar direito a defesa, enquanto outro que pertence a uma organizada e agrediu um conselheiro dentro da Gávea tem livre trânsito até aos treinamentos para pedir “respeito para o papai Joel”.

Pois agora aconteceu o que não imaginávamos, o Flamengo desceu ainda mais na tabela com o Dorival. No fim de semana passado o Flamengo confirmou que Curitiba é a última fronteira do seu futebol e caiu pela enésima vez. Mas o que nos preocupa não é esse tabu, ou que o time seja limitado, mas que esse grupo não esteja jogando ao limite. O Flamengo, que ficou na zona média da tabela celebrando a mediocridade dessa diretoria por um bom tempo, resolveu afundar e passar o limite que separa os times grandes (12º lugar) do resto e já se aproxima da Zona. E temos sim que nos preocuparmos com a missão de fazer 45 pontos, pela segunda vez em três anos, Patrícia! Porque se tem um limite que jamais podemos cruzar é o que separa os “times grandes” brasileiros dos realmente grandes (os que nunca pisaram na série B). Por isso é bom esse barco pegar o prumo ou vamos afundar. Qualquer presepadinha agora pode ser fatal, e pra piorar estamos navegando pelos revoltosos mares (ou seriam pântanos?) eleitorais.

E eu que também jurava “que pior que com o Joel não fica” agora estou louco para pegar em armas e fazer um motim rubro-negro. E o pior é que eu vivi um em Pollença. É a festa de Moros i Cristians que revive a guerra santa em terras mallorquinas. Na festa eles encenam as batalhas entre os pagès (camponeses cristãos) e os piratas sarracenos (mussulmanos) que vieram saquear a ilha. Os piratas, portam uma bandeira amarela com a lua crescente e vem armados de cimitarras e trabucos.  Os componeses defendem sua bandeira rubro-negra e respondem com seus ancinhos, foices, paus e algum trabuco.

A turba rubro-negra toma as ruas de Pollença, Mallorca. Foto: Gustavo Berocan

A batalha só é vencida pelos cristãos porque eles são maior número. E no fim a bandeira dos piratas dá lugar a bandeira esquartelada em gules e sable. Rubro e negro. Rubro e Negro que com amarelo não se mistura. Ouviu, Olimpikus? Tal qual nossa camisa papagaio de vintém. Eu vi ali a luta entre os milhões de rubronegros que são apaixonados pelo seu futebol e uma elite de mercenários que a toda custa tenta saquear as nossas arcas. Desejei com todas minhas forças que essa mulher que fotografei na sacada fosse a Patrícia Amorim e que a horda de farrapos rubro-negros armados de paus e pedras a levasse à guilhotina política. Como uma Maria Antonieta sem grife que extrapolou os limites de nossa paciência, da mediocridade, da manipulação, da gestão temerária. E essa revolta aconteceu faz um dias nas redes sociais de onde a Patrícia Amorim foi expurgada pelos rubro-negros indignados. Agora nos cabe materializar essa revolta nas ruas. Nós mesmos, os verdadeiros torcedores, e não os mercenários assalariados, milicianos do Império da Mediocridade.

Desce daí, vereadora! Pra você ver o que é perverso! Foto: Gustavo Berocan

A minha revolta se materializou em agosto. Foi o mês em que finalmente fiz minha carteirinha de sócio do clube. E ao ver uma foto de outro novo sócio e ver seu número de inscrição e o meu calculei que só em agosto o Flamengo ganhou ao menos uma centena de novos sócios. E realmente a secretaria do clube disse que esse mes foi recorde de filiações.  Com certeza um efeito Patrícia levou a outros rubro-negros indignados como eu a se associarem. Vejo vocês na Gávea, em dezembro de 2015! Isso só pode encher um rubro-negro de esperanças quanto ao futuro. Se o torcedor rubro-negro comprar essa briga não haverá limites para o Flamengo.

No passado 15 de agosto também perdemos o Altamiro Carrilho, genial músico, compositor e flautista, que faleceu aos 87 anos. Ele perdeu a batalha do câncer mas nos deixou essa certeza de que quando um rubro-negro “chora”, na verdade ela está fazendo música com alegria. Deixo vocês com sua belíssima intepretação do chorinho Flamengo de 1912, de autoria do Bonfiglio de Oliveira. Escutem atentamente a melodia e viagem por onde o Altamiro brinca com o limite entre os hinos mais queridos do mundo e esse clássico do choro. Um choro da época em que terra, mar, remo, futebol, jogadores, dirigentes e torcida eram tudo a mesma coisa: Flamengo.


Saudações Rubro-Negras!

PS: Por falar em 87, Rogério Ceni, devolve a minha Taça!!!
PS2: E para você que ainda não fez sua carteira, faça já. Nunca é tarde para ser rubro-negro de carteirinha.

Atrás do rubro-negro só não vai quem já morreu

Até o modesto Club Esportiu Esporles é futebol até morrer. Foto: Gustavo Berocan

Já faz alguns anos que passeando por Mallorca tinha encontrado essa placa. No sábado, passei por ali e não resisti à tentação de averiguar sobre a tétrica convivência do cemitério com o futebol. Encontrei o mórbido porém simpático Club Esportiu Esporles, do pueblo Esporles encravado na Serra de Tramuntana. Descobrir coisas interessantes sobre o clube além do fato de ter o campo ao lado do cemitério. Por exemplo, eles tem a verdadeira tríplice coroa no escudo desde 1974 (muito antes do Cruzeiro). Que raiva me dá essa mania dos timinhos usarem símbolos cristãos no escudo! Se for imitando o Real Madrid, em uma república federativa me dá mais raiva ainda! Vai ser o Real Zaragoza do raio que o parta! Pois o Esporles jogava a Terceira divisão regional. O que na Espanha quer dizer quarta divisão. Encontrei um blog desatualizado com o seguinte eslogan: Juntos conseguiremos a salvação. Também encontrei a declaração do capitão Pedro (será que é aquele cara que fundou a Igreja?)  ”Mi mayor ilusión sería conseguir la permanencia en la tercera división”. Engraçado que ilusão em espanhol tem outro sentido.

O escudo do simpático C.E.Esporles com a verdadeira “tríplice coroa”.

Pelo jeito não conseguiram. Descobri que caíram ao inferno em 2010 tomaram uma surra de 6 a 1 do poderoso Sporting de Sant Marçal (em cujo campo ás vezes jogo umas peladas) e vão disputar outra vez o Deve ter a ver com o fato de eu só encontrar umas meninas brincando no campo num sábado a tarde. E eu que duvidava da capacidade da Espanha de ganhar alguma coisa por ver os campo daqui vazios… Talvez nesse campo os melhores jogos sejam realizados em madrugadas sem lua, com as almas que saem das tumbas. Fiquei pensando no cara que joga a bola por cima do gol. Quem for ali pegar a bola, provavelmente um coveiro-gandula, tem que respeitar os mortos. Lembrei que em sua Barão de Cocais o saudoso Geraldo também foi enterrado ao lado de um campo de futebol.

Daí me pergunto. É o cemitério que está do lado do campo do Esporles, ou o campo que está ao lado do cemitério? E o Flamengo? É um clube que tem um parquinho ou é um parquinho que tem um clube? Não faz muitos dias vi como o lamentável Cacau Cocotta, “prefeito” da Fla-Gávea, pisoteava os túmulos de Zizinho, Figueiredo, Reyes, Doval, Geraldo, Dida, Leônidas, Rubens, Dequinha, Pavão… Futebol não ganha eleição – disse Cocotta. Com essa frase ele disse muitas coisas.

Um: que antes de administradores ele e a Patrícia Amorim são políticos. Dois. Que eles descaradamente não administram o clube pensando em todos, mas exclusivamente na própria reeleição. Pela pura perpetuação do poder. Três: Que eles não tem o menor respeito pela paixão de milhões e milhões de rubro-negros que só se importam pelo futebol do Quatro: Patrícia e cia não enxergam muito além do umbigo, quem dirá além dos muros da Gávea! Cinco: Que não tem a mínima vergonha em usar a imprensa ou recursos do clube para fazer campanha descarada. Seis: Vai pro inferno, Cocotta!

Futebol é algo tão sagrado que os mortos de Esporles não se importam em dividir seu espaço. Mas e no Flamengo?

A razão de existir do Flamengo é ganhar títulos em todos os esportes em que ele competir. Até a natação. Que eu saiba construir parquinhos não é esporte. Também não dá pro parquinho crescer sem ocupar o campo onde jogavam Valido, Dida, Geraldo… É óbvio que os malucos que foram ao Barradão, amarradões para ver o bando do Joel não estão nem aí pra parquinho da Patrícia. E são esses e outros 35 milhões os que injetam uma baba de dinheiro (mensalidades do clube, royalties de camisas oficiais, ingressos para jogos, consumindo os produtos anunciados pelo clube, etc) e que não tem o menor controle sobre o que é feito com esse dinheiro.

Essa grana tem sido utilizada de uma péssima forma no Flamengo. Pagando adiantada uma comissão ao Levy pela compra do Love por exemplo. Ao mesmo tempo que o clube deve milhões a Deivid, Ronaldinho, Pet, Romário, Andrade… Criando uma bola de neve de dívidas que um dia fará que uma viúva tenha que vir ao clube receber salários atrasados.

E esse senhor, Cacau Cocotta, nos fala também que “futebol é sorte”. Pois está na cara que nossa sorte terminou logo depois do Hexa, quando elegeram a Patrícia Amorim. De lá pra cá perdemos pro Botafogo e ficamos fora do Carioca, caímos de maneira ridícula na Libertadores, lutamos contra o rebaixamento, as organizadas desapareceram, queimaram o Zico, perdemos pro Vasco e ficamos de fora do Carioca… Rapaz, desde 2010 é só notícia ruim! Que azar, hein? Quer dizer que elegeram a presidenta mais pé-frio da nossa história?

Então a decisão eleitoreira de treinar na Gávea é uma péssima idéia. O time tem que ficar longe dessa pé-frio! Já basta com o Joel e sua burra insistência em pisotear os túmulos rubro-negros. Nem vou falar sobre o jogo, cheguei com o jogo começado, briguei um tanto com os malditos links de streaming e acabei escutando na Rádio Globo onde tive que ouvir elogio a Ibson, Diego Maurício e Negueba. E ainda teve um xarope me dizendo no twitter que “o que importa são os três pontos”.

Se você acredita nisso vá pro inferno com esses três pontos. Pelos overlaps do Claudio Coutinho! O Flamengo tem cem anos de história jogando como time grande. Ficar fazendo continha para não cair ou para ficar entre os 4 primeiros é indignante! Maldita pé-frio dos infernos! Vamos tirar essa mulher de lá! Você já virou sócio? O prefeito do parquinho, senhor Cocotta, me deu o empurrãozinho que faltava…

Porque ficou descarado nessa “entrevista” que tudo o que fazem são atentados ao sagrado momento em que Alberto Borghert  se cansou de jogar o elitista football tricolor e resolveu jogar o futebol do povão. Essa atitude elitista da Patrícia e seus comparsas é uma afronta ao passado do clube, ao sagrado momento que trocamos o azul e amarelo pelo vermelho e preto, uma afronta à memória do coração apaixonado do Gilberto Cardoso, dos dias de república Paz e Amor da sede do morro da viúva, dos intermináveis títulos e conquistas até o Hexa.

Não nos resta muito tempo. E estou vendo como Zinho a cada dia é fagocitado pelas amebas da incompetência. Por exemplo, bate-boca dele com o Juan via imprensa foi constrangedor. O Flamengo procurou a Roma? Ou ficou negociando com o jogador pela imprensa igual aconteceu com o Diego? Já vejo sinais de desgaste muito semelhantes ao processo de fritura do Zico: fica esperto! Aliás, quando foi que a torcida do Mengão começou a torcer pelo Menganaqueugosto? Maldita hora que o Zinho aceitou servir de escudo-humano da Patrícia. Já viu que agora ela só diz: tenho o Zinho e o Cascão que cuidam do futebol? Isso quer dizer: estou cagando pro futebol, vou me reeleger e tenho dois otários pra demitir a hora que a coisa ficar preta.

Não acredito em Deus, mas vou orar por Geraldo, Figueiredo, Gilberto Cardoso, os anônimos torcedores mortos em 1992 e tantos outros que morreram pelo Flamengo. Que seus espíritos nos ajudem, e que essas pessoas más não façam do Flamengo um parquinho com clube menor do que esse que encontrei ao lado do cemitério de Esporles.

Fica uma música aos baianos que fizeram a festa pro time do Flamengo. O baiano onipresente Gil, que se diz torcedor do Bahia, cantando o famoso Samba Rubro-Negro.

Saudações Rubro-negras!

PS: Para você que deseja a morte do Joel, Ibson, Canelada, Negueba… Muita calma nessa hora! Já pensou se esses malas entram injustamente na galeria de mártires rubro-negros?? Não merecemos tamanha desgraça!

28 Dias Sem Flamengo – Geraldinos e Arquibaldos – Dias 14 a 28

Adivinha em quem eu pensei?!?

Talvez vocês devem ter percebido que eu tirei umas férias de Flamengo. Pois é, aproveitei a vinda do meu pai à ilha e me afastei do noticiário da Gávea. Fez bem à minha cabeça. Passei a última metade desses 28 Dias Sem Flamengo fazendo turismo por Mallorca, visitando lugares maravilhosos, saboreando boa comida e curtindo o carinho de pessoas queridas. Tentei ficar longe da Patrícia, do Joel, do Ronaldinho, do Levy, do Cascão, etc.

Também aproveitei pra começar a ler “Uma viagem a 1912 – surge o futebol do Flamengo”. Descobri que o meu xará Gustavo Carvalho além de ter sido o primeiro goleador do Flamengo (5 gols na goleada contra o Sport Club Mangueira) foi o primeiro jogador a sair do clube para ir à Europa.

Gazeta de Notícias: 23 de maio de 1912:

A bordo do paquete alemão Cap Finisterre parte para a europa no dia 8 de junho próximo o esimado foot-baller Gustavo Carvalho, in-si-left do primeiro team do Club de Regatas Flamengo. Os seus companheiros de team offerecm-lha na véspea de sua partida um jantar no Restaurant Madrid, devendo falar em nome dos seus companheiros, offerecendo o jantar e apresentando votos de boa viagem, o Sr. Alberto Borgerth, outh-side-left e captain do mesmo team. O Sr. Gustavo de Carvalho demorar-se-á no velho mundo dous anos.

O interessante é que inside-left demoraria mais tempo e só voltaria ao clube em 1917 para jogar ao lado do mítico Friedenrich e marcar o primeiro gol rubronegro em jogo internacional, contra o Sportivo Barracas da Argentina. Será que foi o primeiro duo cria-da-base-craque-mediático? Fiquei cabreira de saber a história do Gustavo de Carvalho, a que país ele foi? O navio era alemão, mas o nome se refere ao mítico Cabo Finisterra, na Galícia. E pode ter perfeitamente a grafia catalã para o acidente geográfico onde os romanos pensavam que o mundo se acabava. E essas linhas aparecem na página 77, ano em que eu nasci. Para deixar qualquer Gustavo rubronegro expatriado na europa maluco.

Achei esse barco vascaíno no Porto de Andratx. Assim fica difícil esquecer o Mengão.

Volta e meia nessas minhas férias das férias do Flamengo, surgia alguma coisa que me lembrava do Flamengo. Eis aqui um exemplo. Fiz uma excursão ao Arquipélago de Cabrera e o capitão do barco ao descobrir que eu era brasileiro me mostrou uma caneca… do Clube de Regatas Vasco da Gama. Não sei como nosso barco não afundou na volta, mas prometi enviar a ele uma caneca do melhor clube de regatas do brasil e do mundo.

A ilha de Cabrera mais parecia o paraíso mas descobri na volta que o capitão do barco era um galego vascaíno e fiquei bastante cabreira.

Um dia desses lendo o livro/viagem de 1912 encontrei essa passagem. Jogavam Flamengo e Payssandu, terceiro e primeiro colocados no Campeonato da Liga Metropolitana (Carioca) de 1912. Os únicos invictos na quarta rodada. O Payssandu (o carioca, e não o que eliminou o Sport da Copa do Brasil), era um time formado por jogadores ingleses: Goggin; Smart, Pullen; Wood, Robinson, Mac Intyre; Monk, Pullen, H. Robinson, S. Pullen, Martin. Pelo Flamengo jogavam: Baena; Píndaro, Nery; Gallo, Gilberto, Coriolano; Alberto, Gustavo, Amarante, Arnaldo, Bahiano.

O Jornal do Brasil de quinta-feira, 13 de junho, publicou o seguinte diálogo.
As faces de uma formosa Patrícia, que estava no ground do Fluminense estavam afogueadas… com o ardor do seu partidarismo, quando indagávamos:

- A sta. tem apreciado o jogo?
Sta. X – Não me agrada muito…
Reporter – … porque o Payssandú tem 1 goal? Ainda restam 40 minutos e…
X (frenética) – Não é pelo tempo, (tristemente) Elles são pezados…
R – O peso não influe, Senhorita, a agilidade é que…
X – Qual, eles são franzinos; olha os dous in-sides.
R – Pensa que a victoria sorrirá para o Flamengo?
X – O equilibrio é evidente; só a sorte mas… ella é tão ingrata.
R – É partidária do Flamengo?
X – Não (altiva) Sou partidário de todos os teams nacionaes.
R – E quando jogam dous nacionaes?
X (perturbada) – Para… para…
R – Para?!…
X – O mais symphatico…
R – Qual prefere, dos da Liga?
X – O Fla…
R – O Fluminense? (adiantamos)
X – Flamengo (disse-nos um tanto contrariada)

Essa foi a primeira derrota da história do Flamengo. Flamengo 1 – 2 Payssandu. Depois da derrota o Flamengo viria a perder o campeonato para o Payssandu, ficando em segundo lugar. O Vice ainda não tinha sido inventado em 1912. Até acho que essa moça não se chamava Patrícia. É apenas um erro de grafia, pois acho que o correto é o adjetivo patrícia. Afinal no resto da entrevista o repórter galã usa Sta. X para preservar sua identidade. Mas é incrível a coincidencia. Será que é a primeira “Patrícia” relacionada ao Flamengo num documento?

Não sei se um dia encontrarei a resposta para isso. Só sei que encontrei em colonia Sant Jordi uma placa que me fez lembrara Patrícia. Será que a nossa presidenta caminha de pé-de-pato? Bom depois de perder pro Payssandu em 1912 o Flamengo contratou um tal Frederico Cavalcanti do Sport Club Recife. Não encontrei mais nada sobre o tal Frederico.
Caiu no esquecimento. Como caiu no esquecimento a escalação do Sport Clube de Recife de 1987, campeão da segunda divisão no par-ou-ímpar. Assim como espero que caia logo no esquecimento esse Flamengo da Patrícia Amorim. Ou esse empate horroroso do sábado. Alô? Procon? Quero me Flamengo de volta! Maldita hora que as nossas férias se acabaram. Que ilusão, não consegui me desconectar nem um dia da Podetobeland. Ainda demorei 28 dias para perceber que esse Flamengo do Parquinho existe muito mais fora dos campos de futebol do que dentro deles. Que quanto menos joga mais notícias é capaz de gerar. Que venham outras Patrícias mais relevantes para a história do clube.

Essa música vai para você que se chama Patrícia e torce realmente pelo Flamengo. As Patrícias, Joéis e Ronaldos que a cada fim de semana se vestem de Geraldinos e Arquibaldos e vivem o nosso Mengão sem receber nada em troca.

Saudações rubronegras!

PS. Boa sorte ao Ibson. Já que ele parece gostar mais do Flamengo do que da própria carreira só posso desejar-lhe boa sorte.
PS2. Boa sorte Zinho, duas vezes. Você vai precisar.
PS3. Feliz dias das mães, dona Andyara! Obrigado por me fazer rubronegro!
PS4. Eu criei o time C.R. Finisterre em homenagem ao Gustavo de Carvalho no Catola FC. Se increve na nossa liga: ADTRubroNegro. Comecei em sétimo na primeira rodada. Sempre me acompanha o número sete

Nota: Você está lendo meu diário de abistinência de Flamengo no futebol. Para ler os dias anteriores siga o marcador 28 Dias Sem Flamengo ou visite o índice em ordem cronológica.

28 Dias Sem Flamengo – Feliz Aniversário, Flamengo! – Dia 11

Time do Flamengo em 1912. Em pé: Lawrence, Amarante, Píndaro, Baena, Nery e Gallo. Sentados: Curiol, Arnaldo, Zé Pedro, Miguel e Borgerth

Desgraçado diário,

continuo nessa prisão franquista. E agora acham que sou um espião pois acordei gritando: Libertadores! Libertadores! Hoje é aniversário do Flamengo no futebol. A única lembrança que tenho do clube é essa foto daquele primeiro time de 1912. Nem lembro porque eu guardei isso na minha carteira. Quantas alegrias desde que o meu xará Gustavo de Carvalho marcou o primeiro gol. Desde aquele 16 x 2 no poderoso Sport Club Mangueira quantos gols comemoramos… 100 anos!

Gustavo que também foi o primeiro goleador contra um time estrangeiro: o Sportivo Barracas da Argentina. Um timinho argentino com quem a gente empatou. Será que faltou ambição como naquele jogo contra o Lanús? Não sei, só sei que eu não torceria pelo Lanús nem contra o Vasco… como será que foi o jogo? Aqui só falam do Real Madrid do Puskas contra o Benfica do Eusébio…

E o meu xará, Gustavo de Carvalho?. Terminou sendo presidente de clube. Ele é da época que os jogadores faziam desde o hino do clube até ser presidentes. Mas se ele marcou o primeiro gol porque não sai na foto? Será que ele foi o primeiro Deivid do Flamengo?

O companheiro Alberto Boghert, líder da insurreição rubronegra também foi presidente. Penso na coragem dele quando armou uma reunião na Pensão Almeida no número 186 da rua do Catete. Ele e outros 8 jogadores do Fluminense Football Club indignados por melhores condições de trabalho. Aposto qe os cartolas do Flu disseram que foi uma atitude anti-ética…
Cartolas…

Borghert já era remador do Flamengo e resolveu criar o futebol rubro negro. Pensa só que os 100 anos de glórias desse clube no futebol só foram capazes porque um grupo de rapazes foi valente e teve criatividade na hora de montar um elenco. Prova disso é que nos primeiros campeonatos o Flamengo já disputou o título.

Hoje o carcereiro vendo que eu sou brasileiro quis me agradar trazendo leitura. Um dicionário português. Abri aleatóriamente e dei de cara com esse verbete:

v t montar [mõ'tar]
1 fazer a montagem de, instalar
montar uma exposição
2 andar a cavalo
montar a cavalo
3 estabelecer
montar uma empresa
v int montar andar a cavalo
montar à amazona

Eu juraria que há outro significado. O de copular, fuder mesmo. O touro montou a vaca… O Joel Santana e Patrícia montaram um elenco… Joel Santana e Patrícia montaram uma barraca…

Pouco a pouco minha memória vai se recuperando. Mas ainda não lembro quem é esse tal Ibson? O que ele fez? Ele jogou no Flamengo?

No começo achei bacana estar longe das notícias ruins do Flamengo. Mas hoje tenho saudade até das obras intermináveis do meu vizinho. Será que hoje tem uma baita festa no clube? Ou no Maracanã lotado, num jogo festivo com ex-jogadores? Sei não, acho que nada mudou. Se já em 1912 os remadores segregavam o time de futebol e obrigavam eles a usarem outro uniforme… o tal papagaio de vintém…

Hoje é dia da liberdade de imprensa. Descobri que meu colega de cela é um jornalista catalão. Ele está com os dedos quebrados por ter escrito uns panfletos. É terrível o silêncio imposto pelas forças de repressão. Mas ele me disse que pior é a auto-censura

Eu tenho que acabar por aqui. Estou ficando sem papel. Estou com saudade de desenhar, mas ando sem forças pra isso. Vou ficar por aqui vendo a foto do Flamengo de 1912 e assoviando baixinho o choro “Flamengo” do Bonfiglio de Oliveira. Dizem que é homenagem ao bairro onde vivia. Como se fosse possível separar do bairro deste clube. Na época a maior atração do bairro era ver os jovens rapazes do futebol, que por falta de campo faziam seus treinos na praia do Flamengo. Desde sempre o Flamengo teve essa vocação popular, democrática.

Toque de recolher. Vou dormir para sonhar com essa democracia rubronegra…


Feliz aniversário, Flamengo!
Que venham mais séculos e séculos de glória.
Flamengo, Flamengo! Tua glória é lutar!

Nota: Você está lendo meu diário de abistinência de Flamengo no futebol. Para ler os dias anteriores siga o marcador 28 Dias Sem Flamengo ou visite o índice em ordem cronológica.

28 Dias Sem Flamengo – Meu Flamengo, meu Brasil – Dia 10

Desgraçado diário,

clique para baixar o PDFNão sei como aconteceu. Mas acho que estou no passado. Eu só lembro de estar na frente do computador, com uns 50 tabs abertos, cada um com uma notícia do Flamengo. Daí me levantei e comecei a bater a cabeça na parede. De repente estou em 1962. Não me pergunte como. Nem lembro que notícias estava lendo. Só anotei as palavras que surgiam na minha cabeça pouco a pouco: balanço, Levy, Joel, treino, Deivid, SMS, 2008, Ibson, anúncio, Patrícia, futebol, Felipe, Barcelona, Ronaldinho, dívidas, Capitão Leo, caixa de areia, leigos… Estou tentando montar o quebra-cabeça mas nesse exato momento só posso me preocupar em sobreviver.

Acontece que apareci na casa de estranhos e fui parar na prisão. São os anos de chumbo do Franco e já tinha perdido minhas esperanças de voltar a ver o meu Flamengo, meu Brasil. Acontece que quando vi, o papel que achei na minha cela e onde anotei aquelas palavras desconexas eu tomei um suto. Era o Mundo Deportivo, não sei como esse jornal foi parar ali. Provavelmente é do meu companheiro de cela, mas ele não se importou que eu pegasse o jornal, nem que rabiscasse em cima dele com um lápis.

Pois a surpresa que eu tive foi ver o Flamengo na capa desse jornal. E que grande notícia essa! O Flamengo ganhou do Barcelona. Foi, ontem dia 1 de maio de 1962. Ou cinquenta anos antes de eu bater a cabeça na parede. O que importa é que o Flamengo ganhou aquele jogo.

F. C. Barcelona 0 x 2 C.R. Flamengo
30/04 – Estadio: Camp Nou – Barcelona – Espanha

Barcelona: Pesudo, Benítez, Rodri, Gracia, Segarra, Fusté, Zaballa, Zaldúa, Pareda y Csalay. Segundo tempo: Celdrán, Foncho, Rodri, Gracia, Villaverde, Fusté, Rifé II, Kocsta, Re, Gasull y Vicente.

Flamengo: Ari, Joubert, Luís Carlos, Ronald, Jordan, Vanderlei, Nelsinho, Joel, Henrique, Dida e Miranda.

Gols: Dida aos 25 e 29 do primeiro tempo

A matéria começa falando de fracasso econômico, mas curiosamente não se refere ao Flamengo. É pura coincidência. Do Flamengo só se fala de futebol. E são muitos os elogios. Por exemplo:

“De los jugadores brasileños quienes mayormente nos impresionaron fueron sin lugar a dudas el guardameta, los do ‘morenos’ de la zaga – central y lateral izquierdo – Dida y por encima de ellos este extremo izquierda que lleva apellido español Miranda. Un hombre, un jugador Miranda que lleva mucho fútbol en la cabeza y mucha pólvora en ambos piés. Y con un físico extraordinário.”

clique para baixar o PDFTalvez seja uma pegadinha do destino. Talvez minha missão seja lembrar à Nação Rubronegra que um dia nós amamos um certo Joel. Aquele virtuoso ponta chamado Joel Antônio Martins
que era o titular de um tal Garrincha. Pelos deuses do futebol! Nunca deveríamos nos referir a Joel Santana só pelo nome de Joel. Afinal Joel só existe um! Aquele que formava ataque com Dida e Henrique. Daquele time que inspirou ao menino Arthur Antunes de Coimbra.

Zico, nosso camisa 10, Que se inspirou em Dida… camisa 10…
Esse menino Arthur hoje tem quase 10 anos!

Acho que o número 10 tem algo a ver com minha volta ao passado. Algo aconteceu 10 dias antes desse dia. Mas o que aconteceu durante esses 10 dias? Nada? Não tenho memórias do Flamengo nesses 10 dias… Preciso me concentrar e tentar recuperar memória recente. Ou talvez seja melhor descansar e deixar o tempo passar…

Toque de recolher. Amanhã vou tentar descobrir como voltar ao futuro. Mas nem sei pra quê, se agora temos Jordan, Joel, Henrique, Dida… Se ao menos eu pudesse seguir os passos do Flamengo. Provavelmente estão numa temporada de amistosos na Europa, se eu soubesse onde jogarão nos próximos dias eu podia ao menos…

Bom, nada disso importa até eu conseguir sair dessa prisão. Tomara que um dia eu consiga sair daqui e reencontre o meu Flamengo, meu Brasil.


Bona nit, company! – diz o meu colega de cela.
Buenas noches!

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28 Dias Sem Flamengo – Trabalho um dia a mais – Dia 09


Desgraçado diário,

Hoje acordei com muita vontade de trabalhar. Você deve saber que hoje é aquele dia que trabalhadores do mundo inteiro saem às ruas com bandeiras rubronegras para reivindicar melhores condições de trabalho. Hoje é também o 18º aniversário da morte do Airton Senna. Para quem é muito novo Airton Senna foi um o último piloto brasileiro de Fórmula 1 do Brasil, mais conhecido por popularizar aquela melodia enjoada que os torcedores do Flamengo cantam com as palavras “Raça, amor e paixão”.

É isso mesmo, camaradas, hoje não tem refresco. Se a melodia é chata a letra é muito ruim! Eu prefiro mil vezes o “Conte comigo Mengão” que inspirou o nome desse blog. Canção que aliás foi feita a partir de um hino da UNE. Do tempo que a União dos Estudantes do Brasil não servia só pra tirar carteirinha. Reparou que o certo é “conte comigo Mengão”? O Flamengo conta com você! Quem canta é a torcida.

Pois é, já houve um tempo em que o Flamengo foi mais democrático. No Fla-Flu das diretas, por exemplo. Hoje em dia o que vemos é uma total perda de valores. Vamos ouvir o que Vossa Excelência, Patética Amadora tem a dizer sobre o trabalho:

A resposta é trabalhar. Estou contente de ter ido para os playoffs do basquete, desde que eu assumi não perdemos uma regata, são 14. E, no futebol, às vezes o resultado vem e, em outras, não vem. E a crítica vem de quem não acredita no trabalho. E uma hora meu trabalho vai dar resultado.

Repito que a vereadora tem toda a razão. Não acreditamos no seu trabalho. Não acredito aliás nos dois sentidos da palavra. Não acredito que dê resultados positivos no futebol. O que esperar de Joel, Cascão, Ronaldinho e agora Ibson… Cada dia que passa a lista de escudos-humanos dela aumenta e voltamos mais no tempo rumo à 2008. O que significa que basta o parquinho estar com a pintura nova. E não acredito que têm a cara-de-pau de publicar o balanço patrimonial numa segunda-feira enforcada entre a enésima vicelada do bacalhau e o Dia do Trabalho.

Dia do Trabalho que aliás o nosso capitão celebrou fazendo migué. Ótimo dia para dar férias permanentes ao Ronaldinho e eleger o Deivid presidente do sindicato dos jogadores do Flamengo.

E o nosso sindicato? O sindicato dos torcedores? Os que deviam nos representar e cobrar da vereadora explicações para a crescente dívida do clube, os péssimos resultados no futebol, a suruba dos cartões coorporativos, etc? Dá pra ver que o forte dessa galera não é a democracia, pois quem pede Imperador e clama pelo Paredão… Mas não acredito que estejam no aeroporto para receber os caras que nos eliminaram da Libertadores. Esses caras não me representam, que fique claro. Se me representassem não estariam passando recibinho pro patético tri-vice, estariam na Gávea cobrando mudanças. Mas mudanças reais, e não essa camada de esmalte vagabundo que estão passando no Flamengo.

Desde que esse sindicato passou a ser composto por torcedores profissionais remunerados eles fazem muito bem o seu trabalho: o silêncio. Esses caras deviam ter vergonha de usar a palavra paixão naquela musiquinha. Primeiro porque pôr “amor” e “paixão” no mesmo verso é de dar vergonha até às duplas sertanejas. Depois porque se você é remunerado para ficar calado não me fale de paixão.

Até porque esse lema ficaria muito melhor assim.

Ilustração: Gustavo Berocan

E para terminar dedico a você torcedor que “come um prato a menos, e trabalha um dia a mais só pra ver o meu Flamengo” essa música do Marcos Valle: Flamengo até morrer.


Feliz Dia do Trabalhador Rubronegro!

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28 Dias Sem Flamengo – Flamengo, Piranha! – Dia 08

Desgraçado diário,

Acordei com uma dor-de-cabeça do cão. Por isso não estou pra desenhar, nem escrever muito. Fecho o dia para balanço. Afinal não consigo tirar uma imagem da cabeça. O amigo @Cassiourubu não tem misericórdia de mim, fica me bombardeando com links da vereadora. Dessa vez ele pegou pesado.

Não é preciso PHD em Semiótica para entender que afundar a bandeira do futebol do Flamengo numa piscina, principalmente nessas 4 semanas desgraçadas, é um ato de péssimo gosto. Não sei a razão, mas desde que vi a foto acima não páro de pensar nessa canção. Pior que isso, escuto umas piranhas cantando isso enquanto devoram meu cérebro por dentro.


“Piranha eu sou de coração! Flamengo até debaixo dágua. Quem fala mal do clube campeão, ou é de inveja, ou é de mágoa…”

Me sinto como se tivesse pulado três anos de carnaval no bloco “Se melhorar afunda”. Aí hoje, dia de recuperarmos nossos músculos abdominales da enésima vicelada do bacalhau, soltam sorrateiramente um tal “balanço mas não caio 2011″

Balanço patrimonial 2011

Se quiser mergulhar nesse pântano, boa sorte. É demais para minha cabeça. Vou ali tomar um Engov… A gente se fala amanhã.

PS: Que conste. Eu não tenho nada contra as piranhas.

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28 Dias Sem Flamengo – Sete de Setenta e Oito – Dias 06 e 07

Desgraçado diário,

Hoje é domingo dia 29 de abril. Ando pensando muito no tempo. No tempo que a diretoria do Flamengo perde a cada ação, a cada declaração, a cada segundo. No paso atrás no tempo que cada ação dessas significa. Nos timelapses que podia estar fazendo enquanto escrevo sobre Patética Amadora e sua turma. No tempo que falta pros livros sobre o Flamengo chegarem às minhas mãos. No tempo que dedico a esse blog e ao Flamengo.

Também penso: para que escrever sobre o dia de ontem se hoje é um domingo. Domingo é dia de ver o Flamengo. Domingo, 29 de abril. Daí resolvi fazer uma viagem no tempo. O que aconteceu de relevante na história do Flamengo num dia 29 de abril? Para estas horas é bacana fazer uma busca na Flapédia, no Flaestatística e no Flamuseu.

Eu sou um verdadeiro desastre para datas. Sou capaz de esquecer que esse 29 de abril é também aniversário da minha irmã. Acho que é uma maldição por eu ter nascido no dia 07/07/1977 (aniversário do primeiro Fla-Flu). Por eu ter essa data fácil acho difícil lembrar qualquer outra. Ainda bem que para isso existem os livros, os historiadores, as hemerotecas, a Wikipédia, a Flapédia, os blogs como o Flamuseu…

Daí você descobre que é aniversário do Fábio Luciano e da nadadora Joanna Maranhão. Até o calendário está me provocando? Aliás parabéns ao time de natação campeão do Troféu Maria Lenk. Acho injusto torcer contra gente que rala pelas cores do time. Parabéns até à vereadora Patrícia Amorim por alcançar esse objetivo. Gostei da declaração dela. Ela tem toda razão quando diz que não acreditamos no trabalho dela. Continuo sem acreditar. Aliás é tanta besteira que leio sobre o Flamengo que prefiro não acreditar em nada…

Prefiro sonhar com o dia que o Maria Lenk será nosso. Não o troféu, mas o complexo de piscinas onde treina o César Cielo. Quem sabe assim podemos destruir as piscinas da Gávea e contruir outra coisa lá. Mas isso é um sonho, a realidade são essas notícias surrealista que saem mais rápidas que o twitter. Nem perdo o tempo de listar nada hoje, estou de folga de baboseira. De bom só a goleada da molecada sobre o Nova Iguaçu: 11×0. Rola até um arrepio só de ver o manto sagrado em campo. E o Jean Chera calou minha boca com aquele golaço de falta. Boa, moleque. Continue assim…

Fuçando mais sobre o 29 de abril descobri que hoje é o aniversário da nossa primeira derrota pro Vasco. Em teoria seria o primeiro jogo entre as equipes mas a Flaestatística contesta isso. Para eles o Flamengo teria vencido o primeiro jogo entre as equipes no dia. É bacana que até nisso exista rivalidade. Infelizmente, na rua Payssandu não existe lembrança daquele campo. Pelo menos não encontrei nada. Também acho que não existe nada no Bar Lamas, no largo do Machado, onde fundaram o Flamengo.

C.R. Flamengo 1 x 3 Vasco da Gama
Campeonato Carioca – 1º Turno
29/04/1924 – Estádio: Rua Paysandu – Rio de Janeiro
Time: Ibere, Penaforte, Telefone, Japonês, Odilon, Dino, Orestes, Sidney Pullen, Nono, Junqueira e Benevenuto.
Gol: Junqueira.

C.R. Flamengo 1 x 0 Vasco da Gama
Torneio Início
26/03/1922 – Estadio: Laranjeiras – Rio de Janeiro
Time: Kuntz, Telefone, Penaforte, Rodrigo, Sidney Pullen, Dino, Galvão Bueno, Candiota, Nonô, Segreto e Orlando.
Gol: Segreto

90 anos vira notícia que o Galvão Bueno se declarou rubronegro. Grandes merdas! O verdadeiro Galvão Bueno jogou no Flamengo nos anos 20 e destroçou o bacalhau por primeira vez! Outro dia foi aniversário da pior derrota que já sofremos pro Vasco também. Imagina o que devem ter sofrido Floriano, Leo, Helcio, Flavio Costa, Penha, Fonseca, Darci, Adelino, Vicentino, Elói, Nelson, Alvaro e Cassio.

C.R. Flamengo 0 x 7 Vasco da Gama
Campeonato Carioca – 1º Turno
26/04/1931 – Estádio: São Januário – Rio de Janeiro
Time: Floriano, Leo, Helcio, Flavio Costa, Penha(Fonseca), Darci, Adelino, Vicentino, Elói(Nelson), Alvaro e Cassio.

Será que sentiram a mesma coisa que Felipe, Leonardo Moura, Marcos González, Welinton, Junior Cesar, Luiz Antonio Renato, Muralha, Bottinelli, Kléberson, Negueba, Ronaldinho Gaúcho, Vagner Love e Deivid no domingo passado? Não sei, mas sei que já comemoramos vitórias nos 29 de abril. Por exemplo wm 1936 goleamos por 9 x 2 o poderoso Villa Joppert. Num dia 29 de abril também celebramos um bicampeonato carioca invicto. Com dois gols de Zico sobre o Botafogo. Aliás se tivéssemos repetido a campanha do ano passado hoje era dia de ser campeão invicto outra vez. Mas temos que ver um clássico sem cor pela tv. Nada, prefiro voltar a 1984 e rever Flamengo vencendo Corinthians num 29 de abril. Foi o ano que eu mudei pro Rio de Janeiro. Onde será que eu estava esse dia?

Imagina Zico e Gera…

Vendo essas velharias reparei que no passado dia 16 de abril Geraldo faria 58 anos. Leia aqui (em espanhol) uma história em quadrinhos que fiz em homenagem ao Geraldo. É curioso que o Vasco também esteja ali presente. Uma vitória e uma derrota. Recomendo ler escutando essa pérola do Arnaud Antunes (parceiro do vascaino Chico Anísio) que me inspirou muito para desenhar a história do Geraldo. Imagina Zico e Gera…

Terminou de ler? Curtiu? Escreva nos comentários, divulgue para outros rubro negros. Você tem algum desenho sobre o mengão, alguma história em quadrinho? Manda pra gente um email.

Boa dominguêra pra vocês!

PS: Aos rubronegros amantes de sua história não percam esse evento do Museu do Flamengo na sede da gávea. Dia 03 de maio. com lançamento da marca do centenário.

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28 Dias Sem Flamengo – O Bom de bola – Dia 04

Desgraçado diário,

estou de luto pela morte do vascaíno Dicró. Eu não acho nada bonito fazer piada de morto. Além disso o cara tinha umas músicas bacanas e foi parceiro do rubronegro Bezerra da Silva. O bom da morte dos artistas é que você vai atrás da obra do cara quando ele aparece difunto no twitter. Pois olha que curioso, achei uma música dele para aumentar minha discografia de Música Popular Brasileira Futebol Clube. O pobre Dicró até chama o Zico de pinto mas vamos dar um desconto pro cara. Ouve aí “O Bom de bola”.

O Bom de Bola by Dicró on Grooveshark

Veja só que o que eu acho bonito do futebol carioca é esse jeito de todos se sacanearem sem cair na porrada. Eu nasci em Goiânia e tenho visto como a rivalidade futebolística tem causado mortes na minha cidade. Vendo esses triste números me pergunto se Goiânia já não é a capital campeã brasileira de mortes por habitante. Não basta a gente ter o Cachoeira, o Demóstenes, o Marconi, as duplas sertanejas e o Césio 137? Temos que ter torcedores do Goiás matando os do Vila Nova e vice versa?

Por isso fico triste quando fico sabendo que morreu o Dicró, ou que morreu o também vascaíno Chico Anísio. Porque são torcedores da época em que as torcidas rivais jogavam peladas na geral do Maracanã. E se a gente analisa os números dessa pesquisa dá até para ficar melancólico. O Carioqueta, amigos, é um morto vivo. Pois no futuro serão 6 rubronegros para cada 10 cariocas. 6 rubronegros para cada arco-íris? Vamos ficar sem rivais no Rio de Janeiro…

Só os comentários dessa pesquisa me recuperam o humor. É engraçado ver os vascaínos tentando defender o seu orgulho esbravejando contra os números. Também achei engraçado constatar que Fluminense e Botafogo tem empate técnico com os que não torcem por time nenhum. Gente esperta. Não gosta do Flamengo? Então é melhor não gostar de futebol não torcer pra ninguém.

Por falar em não gostar de futebol… Hoje eu finalmente fui ao mercado. Eu adoro morango. Meu pai me chamava de Morangustavo quando eu era pequeno. Qualquer coisa eu queria de morango. Iogurte? De morango. Sorvete? De morango. Picolé? De morango. Balinha? De morango. Pizza? De morango! Injeção na testa? Morango… Uma vez cheguei ao cúmulo de pedir morango com creme sem morango. Meu negócio era pedir morango. Pois hoje me empolguei com o preço dos morangos e trouxe um quilo de morango pra casa. Claro, porque li na plaquinha um quilo – 1 euro e vi o paraíso. Que erro mais idiota. Comprei morango demais pra duas pessoas pela sugestão da placa e nem reparei que metade dos morangos estava vermelha mas a outra negra. Pequei por idealizar os morangos.
Voltando ao futebol. O Flamengo vai ao mercado como eu. Com fome, com sono, sem lista de preços, sem idéias claras, óculos ou dinheiro no bolso. E compra pensando na linda idéia de jogador rubronegro que “a torcida gosta”. Wiliams vai embora pra Udinese? Legal, os caras já foram bem melhores nisso de contratar jogadores. Acho bom pro Wiliams, bom pro Flamengo. Vai com fé Pitbul! Mas não faça como outros que depois ameaçam, ameaçam e acabam voltando. Ontem já tinha discussão no twitter. Ibson no meio? Ibson volante? Ibson armador? Esqueçam a tática em 2012. Quer tática? Vai ler sobre o Barcelona no Olho Tático. Ibson vem só tirar uma foto com Vossa Excelência, a Patética Amadora.

A tão arrotada renovação é uma grande piada. É sério mesmo que estão querendo me vender um Flamengo novo com Joel Santana, Kléberson e Ibson? Eu pensei que renovação era pensar em 2013, 2014, 2015… Mas caminhamos em direção a 2008. E só pela troca por Galhardo e David já devemos aumentar em dois anos nossa altíssima média de idade. Que maravilha. Daí vem a notícia que o Fábio Luciano bla bla bla. Outro que nos abandonou naquele fatídico jogo contra o América do México? Estão de brincanagem?! Se ele amasse tanto o Flamengo teria feito sua camiseta vintage pela Braziline, com o CRF bordado no peito e estaria ajudando a arrecadar royaties para o clube.

O que dizer do Joel Santana indicando diretor executivo. Adorei! Se o time escolhe o ténico, o técnico tem direito a escolher o chefe também. Quem sabe seguimos a corrente e um vice-presidente escolhe trabalhar com outro presidente. Extra! Extra! Deu no Piauí Herald! Patrícia Amorim nega ter assumido o Barcelona!!!

É isso aí, galera. Por hoje deu. Fui assitir o Atlético – Valência antes de dormir. Já que não passavam o Athletic – Sporting eu pelo menos escutava o resultado e torçia um pouco pelo time do Bielsa. Foi sofrido mas o Athletic passou. Vi no twitter um comentário que resultou numa breve conversa com @NicolasNardini , jornalista argentino que viveu em Barcelona, trabalho na Gol Televisión, colaborou como eu no especial sobre o Flamengo para revista Panenka (entrevistando nada menos que o Zico) e atualmente vive no Rio de Janeiro.

@nicolasnardini: El gesto d #Bielsa apurando a Ander para q saliera (cuando otros mediocres le pedirían q hiciera tiempo) es la imagen q dignifica al fútbol
@nicolasnardini: Cómo me gustaría ser vasco por un rato, solo para vivir la fiesta que se debe estar liando en ese maravilloso país. #LokoBielsa
@nicolasnardini: Bielsa y este fenomenal #Athletic nos llevan a creer que se puede soñar con volver a la esencia del fútbol, esa q muchos pretenden destruir
@rubrunegru: Soy super fan de Bielsa. Ojalá viniera al Mengão.
@nicolasnardini: Un crack, arreglaria muchas cosas. Sobre todo la falta de compromiso y seriedad. Abrazo!

Vou ali sonhar, porque é grátis e queima calorias.

Buenas noches! Hasta Mañana!
Saludos Rojinegros!

Ps: Eu tinha uma pelada essa noite, só que não me ligaram. Como assim? Se eu sou “O bom de bola”?!
Ps2: Parabéns ao Neuer pelo dia do goleiro!

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