O nome (e o sobrenome) do inimigo

A (falta de) gestão de Patricia Amorim como presidente do Flamengo é um elogio ao absurdo. Patricia foi nadadora de feitos medianos e é vereadora. Como bem diz um amigo, o vereador é o contínuo da política. Eis Patricia Amorim: nadadora de uma Olimpíada sem classificar-se às finais e garota de recados na vida pública. Elegeu-se presidente de uma Nação.

Não podia mesmo dar certo.


No primeiro ano, Patricia viu o Flamengo ganhar as páginas policiais, fez o time chegar atrasado a um jogo decisivo de Libertadores porque queria um lugar no ônibus e mostrou-se perdida diante do Flamengo do futebol, um tanto maior do que aquele das piscinas. Perdida: semeou a discórdia entre Braz e Andrade no primeiro semestre, trouxe Zico no segundo. Trouxe para traí-lo, expondo o ídolo maior ao escárnio em praça pública. O Flamengo flertou com a segunda divisão.

No segundo ano, Patricia usou de um dinheiro que o Flamengo não tinha para contratar um ícone em decadência e entregou o futebol, de porteiras fechadas, a Luxemburgo. Venceu campeonatos pequenos, a Copa São Paulo e o campeonato estadual. Aproveitou o brilhareco e saiu em todas as fotos. Mas deixou o clube à deriva, sem patrocínio, sem lenço, sem documento.

No terceiro ano, Patricia demitiu Luxemburgo horas depois de garantir ao vivo na Rádio Tupi que o técnico seria mantido, só mais um ato da crise iniciada antes mesmo de o ano futebolístico começar, feito notável até mesmo para uma ignorante em futebol como ela. Tentou apagar a fogueira da crise com gasolina: contratou o abominável Joel Santana que abandonara covardemente o Flamengo em 2008. O time foi eliminado de modo constrangedor na primeira fase da Libertadores e não disputou sequer uma final de turno no estadual.

Ignoremos os detalhes de histórias como fazer do lamentável e omisso Luiz Augusto Veloso diretor de futebol, de escrever cartas abertas dizendo-se boa presidente porque os parquinhos estão cheirando à tinta e de deixar claro que o presidente de fato é o seu marido, torcedor do Fluminense. Ignoremos, porque não precisamos dos detalhes para entender que Patricia Amorim vem esbulhando o Flamengo nos últimos três anos.

Essa derrota para o Vasco ocorrida há pouco não é nada perto de todas as demais derrotas impostas ao Flamengo por Patricia Amorim e sua trupe. Aliás, vencer o estadual seria fazer uma cirurgia plástica em paciente com metástase.

A derrota no estadual será assim combatida por Patricia Amorim: demitirá Joel Santana (não é mérito, posto que jamais deveria ter sido contratado) e desviará os tiros a ela endereçados a quem até merece ser atingido, mas merece menos.

Não esqueça, amigo rubro-negro, o nome do maior inimigo do Flamengo hoje.

É Patricia.

E o sobrenome é falta de vergonha na cara.

Recordar é viver: Flamengo e Americano já decidiram um campeonato

Flamengo e Americano se preparam para mais um encontro pelo Campeonato Carioca. O time campista já viveu dias melhores, aliás, a fase atual é a pior de sua história. Pela primeira vez deve ser rebaixado para a segunda divisão estadual. Enfrentar o Americano nunca foi parada fácil, principalmente quando o jogo era realizado em Campos. Quando você fazia previsões dos possíveis resultados no campeonato, o jogo contra eles sempre vinha com uma interrogação ao lado, pois tudo podia acontecer no escuro campo do Godofredo Cruz. O duelo de hoje pelo Campeonato de 2012 em nada lembra alguns confrontos passados e a vitória flamenguista, apesar do futebol apresentado, parece favas contadas.

Relembraremos hoje o dia em que decidimos um campeonato com a equipe campista. O torneio era a Taça Estado do Rio de Janeiro de 1991. Em tempos de calendário inchado, a Federação criou esse torneio, que era divido em duas frentes. Os times da Capital disputavam o título em um grupo e no outro os times do interior. No grupo da Capital, Flamengo foi o campeão após enfrentar Campo Grande, Olaria, Fluminense, Botafogo e Vasco. Na semifinal despachamos o América-TR enquanto o Americano eliminou o bom time do Botafogo.

A única semelhança com esse confronto do ano de 2012 é o desinteresse do público. Apesar de uma decisão de campeonato, pouca gente foi ao Maracanã naquele dia. Com os Jogos Pan Americanos de Havana acontecendo paralelamente, as atenções estavam divididas. Além disso, os dirigentes já não entendiam que torneios como aquele eram apenas caça-níqueis.

O rubro-negro havia ganho o primeiro jogo da decisão em Campos por 1 x 0 e vinha para a segunda partida com a vantagem do empate. No banco, Luxemburgo era o comandante. No campo, o grupo era o mesmo que venceria o Estadual daquele ano e o Brasileiro do ano seguinte. Os experientes: Gilmar, Gotardo, Charles Guerreiro, Júnior, Zinho e Gaúcho e a garotada vindo da base: Fabinho, Junior Baiano, Rogério, Piá, Marquinhos, Marcelinho, Djalminha e Paulo Nunes. O jogo transcorreu de maneira tranqüila e vitória por 3 x 0 só veio corresponder o favoritismo. O destaque absoluto daquela decisão foi o Maestro Júnior. O craque estava completando 759 jogos pelo Flamengo e mostrava que ainda estava no auge da técnica e esbanjando vigor físico. Era o ídolo maior de uma torcida que ainda se acostumava a não ter mais o Galinho em campo.



Foi um título de pouca repercussão, mas de extrema significância para consolidação de uma geração. Ganhar títulos é sempre importante. Infelizmente nesse primeiro semestre só nos restou o Estadual. Então temos que nos agarrar ao carioquinha mesmo. Nos resta a esperança de estarmos presenciando a formação de uma base campeã, assim como em 1991.

Flamengo 3 x0 Americano
10 de agosto de 1991 – Taça Estado do Rio de Janeiro
Estádio do Maracanã
Público: 8.114 pagantes
Árbitro: Claudio Cerdeira

Flamengo: Gilmar, Fabinho, Júnior Baiano (Rogério), Gotardo, Piá, Charles Guerreiro, Júnior, Marquinhos (Marcelinho), Zinho, Paulo Nunes e Gaúcho. Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Americano: Zé Luís, Serginho, Paraju, Paulo Renato, Edivaldo Gomes, Carlos, Haroldo, Branco, Amarildo, Gilmar, Edivaldo II. Técnico: Flávio Almeida

Gols: Gaúcho, Zinho e Júnior.

Marcelo Espíndola
@FlaMuseu

Maior do que vocês: América, lá vamos nós

Assim como nunca vi nada como essa pré-temporada do Flamengo, retro-alimentada com crises diárias, nunca vi nada como o pré-jogo de ontem. Estava indo para casa, tenso, e liguei o rádio do carro. 1220 da Globo, só chiado, roda o dial, 1280 da Tupi e opa, Apolinho cuspindo marimbondos radioativos contra Patrícia Amorim. Esperei um tempo na garagem ainda sem entender direito, Luxemburgo demitido? Joel? Só fui entender ao acessar o Twitter, timeline nervosa e boladíssima com a matéria do GE.com.

Ainda estava atordoado quando Sérgio Américo entrou ao vivo com Patrícia Amorim, que desmentiu – ou retrocedeu diante da repercussão, o que é mais provável – e ouviu uma declaração de amor do Apolinho, padrinho declarado de Luxemburgo. Na timeline Patricia já era chamada de Pat-ética. Ela, que acusou o Fluminense de falta de ética. Ela que… Vocês sabem. Tanta coisa.

Passava um pouco das nove e eu estava atordoado. Na boca de um jogo decisivo e o Flamengo na garupa do palhaço. Solto na buraqueira. Rezei para os minutos voarem e a bola rolar, para tudo voltar a ser futebol.

Rolou. Time nervoso, mas ligado. Ronaldinho bem, encaixou um lançamento preciso para Léo Moura e quase gol de Deivid, uma ponta de chuteira atrasado. As chances foram sendo perdidas, Ronaldinho de cabeça, chutes de longe, Bottinelli rente a trave e o tempo voando. Alívio geral quando R10 botou a bola na cabeça de Léo Moura e o Engenhão explodiu.

No segundo tempo, mesmo com a fragilidade do Potosí, o Flamengo se perdeu entre pressionar em busca do segundo gol e segurar o resultado. Acabou não fazendo uma coisa, nem outra, e o jogo ganhou contornos de drama. El Gordo errou uma cabeçada que me fez sentir o vento frio de outras noites que não deveriam ter existido, mas felizmente os bolivianos são ruins demais e Léo Moura retribuiu o presente a R10 que matou o jogo com imensa categoria.

Valeu pela festa da torcida. Valeu pelo desabafo de Júnior contra os bandoleros que posam de dirigentes do Flamengo. Valeu pela vaga. De resto, continua a crise no comando. Os jogadores não querem mesmo Luxemburgo – se quisessem, teriam comemorado com ele, em desagravo. Eu também não quero Luxemburgo, mas entre ele e Joel, ele. Entre o diabo e Joel, o diabo. Jamais perdoarei o Natalino por 2008.

Os inimigos são muitos. Os externos apenas secam, mas os internos arruínam, deterioram, crescem como infiltrações surdas que enfraquecem as paredes. Gente que deveria cuidar do clube e só faz enfraquecê-lo. Mesmo assim, vencemos. E vencemos apesar de vocês que são incompetentes, que maldizem o Zico, que tentam acabar com o nosso amor.
Vocês não conseguirão. O Flamengo é maior do que vocês porque se alimenta dos nossos sonhos e de nossas vidas. América, lá vamos nós.

foto: Vipcomm

Flamengo 2×0 Real Potosí
1 de fevereiro de 2012 – Taça Libertadores da América
Estádio do Engenhão – Rio de Janeiro
Público: 32.004 pagantes.
Árbitro: Victor Rivera
Cartão vermelho: Centurión
Flamengo: Felipe Leo Moura, Welinton, David Braz e Junior Cesar; Willians, Luiz Antônio, Renato Abreu (Muralha) e Bottinelli (Camacho); Ronaldinho Gaúcho e Deivid (Negueba). Técnico: Vanderlei Luxemburgo
Real Potosí: Lapczyk, Jiménez, Alarcón, Centurión e Rivero; Sejas, Michelena (Tudor), Ortiz (Angola) e Ovando (Pol); Yecerotte e Brittes. Técnico: Victor Zwenger
Gols: Leo Moura aos 38 do 1º tempo; Ronaldinho Gaúcho aos 48 do 2º tempo.

Velha roupa colorida

O Flamengo, ainda aos arrastos e com a cabeça sabe-se lá aonde, mostrou no amistoso contra o Corinthians os mesmos pecados de 2011. Saída de bola confusa com direito a entregadas juvenis, erros de passe em profusão, um buraco onde deveria estar a armação e ninguém para fazer as ultrapassagens com os laterais, pobres laterais, que pagam o pato.

Itamar não é uma aposta. É só mais uma história mal explicada. Ficou no limbo muito tempo e ressurgiu no Flamengo. Coincidentemente, “treinava” no Centro de Treinamentos do empresário Sérgio Malucelli, local onde o Flamengo faz a pré-temporada pelo segundo ano consecutivo graças à amizade de seu proprietário com o treinador rubro-negro. Amizade, sociedade, que diferença faz?

Em campo, que é o que interessa (é?), Itamar se mostrou uma lástima. Se Deivid perdeu gols feitos em 2011, fez tantos outros. Mas Itamar conseguiu perder, na pequena área, de frente pro crime, um gol que nem Deivid nos piores dias perdeu. A bola não passou nem perto da meta corintiana. Eu já fiquei fulo com gols perdidos pelo Flamengo, triste, pasmo. Constrangido foi a primeira vez.

Em ritmo de treino, o Corinthians abriu 2×0. Primeiro, um falha a la Welinton de Airton e o golaço de Alex. Depois, Liedson se livrou de Welinton como se o zagueiro fosse um saco de batatas jogado na área e chutou no contrapé de Felipe.

No segundo tempo, com os times reservas, o Flamengo foi melhor. Teve vontade, vejam só. Bottinelli foi bem de novo, mas chamo a atenção para o garoto Lucas (@lucassouza92 ), que depois de começar bastante nervoso, construiu o gol de Botti e ainda deu um bom chute de fora da área. Negueba, embora neguebando como sempre, correu mais do que costume, sem guardar posição e foi premiado com o gol de empate.

Luxemburgo tem o direito de reclamar da diretoria pra lá de amadora, mas é culpa só dele o time até hoje ser um fracasso coletivo – já foi assim em 2011, até Maestro Júnior disse isso na transmissão da Globo. E continua insistindo com Renato, que foi abrir uma bola para Júnior César e quase mandou na arquibancada.

Os mesmos erros de 2011. Não, não me falem em falta de ritmo. Com preparo físico, a única diferença é que os erros aconteceriam com maior velocidade. Luxemburgo justificou tudo em 2012 com o tal projeto. Bom, não é possível que no projeto estivesse começar 2012 aos cacos. Como na música de Belchior imortalizada por Elis, o passado é uma roupa que não nos serve mais.

foto Vipcomm

Flamengo 2×2 Corinthians
15 de janeiro de 2012 – Amistoso
Estádio do Café – Londrina
Público: 22.093 pagantes
Árbitro: Leandro Júnior Hermes
Flamengo: Felipe (Paulo Victor), Léo Moura (João Felipe), Alex Silva (Gustavo), Welinton (David Braz) e Junior Cesar (Magal); Airton (Muralha), Willians (Luiz Antônio), Renato (Camacho) e Ronaldinho Gaúcho (Bottinelli); Deivid (Negueba) e Itamar (Lucas). Técnico: Vanderlei Luxemburgo
Corinthians: Julio Cesar (Danilo); Alessandro (Nenê Bonilha), Paulo André (Chicão), Leandro Castán (Wallace) e Fábio Santos (Ramon); Ralf (Willian Arão), Paulinho (Edenílson), Alex (Ramírez) e Danilo (Willian); Emerson (Jorge Henrique) e Liedson (Adriano). Técnico: Cléber Xavier 
Gols: Alex aos 25 e Liedson aos 45 do 1º tempo; Bottinelli aos 22 e Negueba aos 35 do 2º tempo.

Feliz ano novo, Bottinelli

Bottinelli e a primeira alegria do ano em uma noite que parecia triste

Foi uma pelada dura de assistir. Luxemburgo antecipou que o time estaria amarrado pela carga de treinos físicos, mas também esteve amarrado pelo gramado pesado e pela escalação de QUATRO volantes. Lógico que a bola não chegou na frente e a única chance foi um canudo do Luís Antônio que o goleiro espalmou.

Nenhum dos titulares voltou para o segundo tempo. Assim pudemos ver Magal, pavoroso, e Itamar, que fez duas boas jogadinhas pela direita e sumiu. Camacho, regressando do Bahia, deu três toques interessantes antes de sucumbir à lama. Nada digno de nota, um jogo como esse não permite julgamentos para o bem ou para o mal.

Fui me enterrando no sofá, entediado, mais preocupado com as evidências de que Thiago Neves não fica e de que Vágner Love não vem. Aí aconteceu uma falta na meia esquerda e mandei no Twitter: E agora, vamos ao já tradicional gol de falta do Botti em Londrina. Referência, claro, ao golaço do ano passado.

Bottinelli chutou e a bola subiu. Subiu muito para passar pela barreira que estava vergonhosamente adiantada, para se afastar do piso lamacento, para voar longe dos passes errados, para levar em seu vôo um pouco de nossos sonhos.

E caiu. Caiu de repente, como se dobrasse de peso, como se soubesse que o seu lugar é lá onde Zico a guardava, caiu como caiu no último Fla-Flu. Golaço.

A bola de Botti sobe e cai: caminho ensinado por Zico

No ano passado, o gol de falta contra o América deu-nos a esperança de termos em Bottinelli um jogador menos festejado e mais efetivo que os estrelados Thiago e Ronaldo. Mas veio a primeira contusão, El Pollo demorou a acertar o pé e, quando acertou, machucou-se de novo.

Que a história seja diferente, Bottinelli. Que essa pequena alegria que nos deste hoje se multiplique ao logo no ano e que você nos dê o que as primeiras notícias deste 2012 estão sonegando.

Feliz ano novo, Bottinelli.

Londrina 0×1 Flamengo
12 de janeiro de 2012 – Amistoso
Estádio do Café – Londrina
Público: 3898 pagantes
Árbitro: Leonardo Zanon
Flamengo: Felipe (Paulo Victor), Léo Moura (João Felipe), Alex Silva (David Braz), Welinton (Gustavo) e Júnior César (Magal); Airton (Muralha), Willians (Victor Hugo),  Luiz Antônio (Bottinelli) e Renato Abreu (Negueba) (Camacho); Ronaldinho Gaúcho (Itamar) e Deivid (Jael). Técnico: Vanderlei Luxemburgo
Londrina: Danilo, Ayrton, Fernando, Rogério e Wendell (Fabinho); Silvio, Bruno (Rodrigo Ribeiro), Serginho Paulista (Elias) e Rodrigo (Everton); Arthur e Warlley (Joel). Técnico: Cláudio Tencatti
Gol: Bottinelli (falta) aos 30 do 2º tempo.