Wallpaper Flamengo 1981

Para celebrar o 31º aniversário do nosso título mais importante eu fiz esse humilde presente para a Nação Rubro-Negra. Agora o seu computador pode celebrar o aniversário daquele título inesquecível. Para fazer o download clique na imagem para ver o papel de parede em alta resolução. Clique na imagem com o botão direito e salve no seu computador.

E viva o Clube de Regatas do Flamengo!!!

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Saudações Rubro-Negras!

Vestiu rubro-negro não tem pra ninguém: Hamilton de Holanda

Hamilton de Holanda, o camisa 10 do bandolim

Hamilton de Holanda, o camisa 10 do bandolim

O menino Hamilton de Holanda Vasconcelos Neto teve um natal perfeito em 1981. O Flamengo já havia lhe dado de presente o topo do mundo. E das mãos do seu avô (o mesmo de quem herdou o nome), Hamilton ganhou o seu primeiro bandolim, aos 6 anos de idade. Um ano antes ele já tinha feito o seu primeiro concerto no CLube do Choro de Brasília. Nascido no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, cresceu em Brasília, onde apesar da ausência de professores de bandolim na época, aperfeiçoou sua técnica tocando vários instrumentos. O seu talento é tão grande que não demora para ele aparecer na TV ao lado do seu irmão Fernando César.

Com dez anos de idade Hamilton já compôs o seu primeiro choro, “Chorinho pra Pernambuco”. Dez anos mais tarde já tinha conhecido craques do choro como Altamiro Carrilho e tocado com mestres como Raphael Rabelo, de quem seguiu os passos de transcender os limites do choro. Sua vontade de experimentar se nota não só no repertório, mas até mesmo em seu instrumento. Pioneiro, em 2000 pediu para que seu luthier lhe fizesse um bandolim de 10 cordas. Virtuoso, brilhante e único, como um camisa 10 do bandolim.

Foi tocando ao lado do seu irmão no grupo Dois de Ouro que gravou o choro “Rubro-Negro”, de sua autoria. A faixa 10 do álbum “Dois de Ouro” é, obviamente, uma música em homenagem ao Flamengo. Talvez mais do que isso, seja uma homenagem ao torcedor rubro-negro. Desse orgulho de ser rubro-negro que todos nós gostamos de cantar. Segundo Hamilton é um “samba-choro com uma pegada bem carioca”. A música começa com um batuque digno de arquibancada, seguido por seu bandolim que invade o campo com alegria de um lateral sambista. A bela melodia desenha a jogada que termina com a chegada do violão de sete cordas. Um volante, daqueles que desfilam classe, e que quase não se fabricam mais. E o bandolim/bola vai passando de pé em pé. No ar, um aroma de Canal 100, com suas jogadas memoráveis, dribles irreverentes e tabelas impossíveis.

Um toque mágico, a música ralentiza e vemos um camisa 10 matando a bola no peito, e colocando-a amávelmente no chão, com delicadeza e elegância – maestro do tempo e do espaço. Um belo lançamento que aciona um ponta esquerda que, com seus movimentos insinuantes, aciona o camisa 9 que, com um pequeno movimento manda a bola morrer dentro do barbante. Se escuta então o grito da cuíca anunciando mais um gol rubro-negro. E estas melodias/jogadas se sucedem, se repetem inevitáveis, reinventando-se na forma de jogar. Só muda a trajetória, o último toque, a parábola, o farfalhar da bola à rede, cúmplice dos mestres do improviso. Se consuma a goleada, nos repetidos silêncios que antecedem os gritos de gol. E da goleada surge a festa da arquibancada, da geral, do time. Por um instante tudo aquilo é uma coisa só: o Flamengo. Até o apito do juiz e os aplausos finais.

Não é de estranhar que esse ano Hamilton, tenha sido chamado para inaugurar o cidade cultural do RIO 2016 em Londres. Afinal o camisa 10 do bandolim já é um embaixador da música brasileira no exterior. Hoje ele toca pelo mundo inteiro, com a alegria de um menino que corre atrás da bola…

ADTRN: Você compôs o samba-choro “Rubro-Negro”. O batuque das arquibancadas da Nação Rubro-Negra te inspirarou?

Hamilton de Holanda: Com certeza me inspiram. Principalmente quando temos chance de ser campeões. Não vou muito ao estádio, prefiro ver o jogo em casa. Mas quando vou, volto com a sensação de sempre querer voltar. Não tem nada igual à paixão da torcida do Mengão!

ADTRN: Desde que Bonfiglio de Oliveira compôs “Flamengo” em 1911, inúmeros artistas homenagearam o clube. Com qual deles você gostaria de fazer uma tabelinha musical?

Hamilton de Holanda: Com Lamartine Babo.

ADTRN: De todas as músicas rubro-negras qual a tua preferida? Por que?

Hamilton de Holanda: Samba rubro-negro. Junto com Coisinha do pai, essa foi a primeira música que cantei na vida, com meus 3/4 anos de idade. “Flamengo joga amanhã, eu vou pra lá, vai haver mais um baile, no Maracanã…”

ADTRN: Em sua gravação do clássico “1×0″ do Pixinguinha você usa “Brasileirinho” do rubro-negro Waldir Azevedo como tema incidental. Como se a gente fosse mais brasileiro gritando gol. Que gol do Flamengo você gostaria de reviver com uma música?

Hamilton de Holanda: O segundo gol do Nunes em 81 (terceiro do Flamengo), eu era muito pequeno, mas me lembro de assistir na madrugada o Mengão campeão do mundo no Japão.

ADTRN: Você além de bandolinista virtuoso é um excelente compositor. Não usa a camisa 10, mas usa um bandolim de 10 cordas. Que jogador rubro-negro você diria: esse foi (ou é) um grande artista?

Hamilton de Holanda: Júnior e Zico. Eles foram artistas da bola, com aquele poder de encantamento que nos deixa sem ar.

ADTRN: Por último gostaria de agradecer em nome de todos do blog e pedir que você faça uma pergunta ao mais musical dos jogadores rubro-negros. Um pagodeiro de primeira, que vendeu muitíssimos discos com Povo Feliz (Voa canarinho), em 1982. O maestro Júnior. A bola está contigo, Hamilton.

Hamilton de Holanda: Júnior, sei que a resposta é difícil, mas não posso deixar de perguntar : um gol ou um samba ?

Com vocês, o samba-choro de Hamilton de Holanda, um rubro-negro.


Gostou? Que tal ouvir mais? É fácil. Contemporâneo e generoso, Hamilton que disponibiliza em sua página ( http://www.hamiltondeholanda.com ) toda sua vasta discografia, vários downloads e até partituras. Golaço, Hamilton!!!

Saudações Rubro-negras!

Vinte Anos Esta Tarde.

A Nação já tinha um Deus, Antônio José da Raça Rondinelli Tobias. Já éramos todos súditos de Rei Arthur Primeiro e Único. Colecionávamos heróis como figurinhas emocionais, todas carimbadas pela nossa paixão. Um dia, um desses heróis pendurou seu capacete black power de tantas batalhas e tomou em mãos uma batuta para reger a Nação que cantou, cantou e cantou. A cada canto mais o Maestro crescia. E assim fomos pentacampeões.

Conte comigo, Mengão:

Campeão 80: O Brasil aos Pés de um João Danado
Bi 82: Cala-te, Olímpico
Tri 83: São Judas Tadeu Maior do que Todos os Santos
Tetra 87: Campeão da Verdade
Penta 92: Valeu, Maestro!

Toda a gratidão do mundo, desta e de outras vidas e de cada um dos 35 milhões a você, Leovegildo Lins da Gama Júnior.

Valeu, Maestro!

Mauricio Neves

Um de nós

Quando garoto, você parecia um veterano. Entrou na fogueira, mandou dois petardos contra o América e comemorou como se não coubesse no Manto Sagrado. Aos saltos, braços loucos, berro rouco. Logo vimos que você era um de nós. Campeão carioca em 1974.

Sua vasta cabeleira dos anos 70 não era Black Power.

Era Red and Black Power.

Quando Rondinelli marcou o gol no dia 3 de dezembro de 1978, você correu para abraçá-lo com o abraço que era de cada um de nós.

Um de nós, Júnior. Você sempre foi um de nós.

E veio o tricampeonato, o campeonato brasileiro de 1980 e o primeiro ano de resto de nossas vidas, 1981. Você estava lá. Campeão de tudo.

No dia em que conquistamos o pentacampeonato da Taça Guanabara, em um lance que já estava parado, uma bola chutada de longe ia entrando em nossa meta e você saiu correndo como se estivesse salvando uma vida, e para não deixar a meta ser vazada mesmo com o jogo parado, deu um tapa na bola. Aqui não, violão. Comemoramos como se fosse gol porque você era isso, Júnior. Um de nós.

E mais taças, no Brasil, lá fora, onde houvesse taças para conquistar. Aí Zico foi embora, e no primeiro jogo após a saída Dele, você fez um gol de falta como se dissesse a cada um de nós: o Flamengo continua.

Você foi embora. E voltou. E disse: só saí de férias, agora voltei para casa.

Beijou o Manto Sagrado e professou: essa é minha segunda pele.

Ganhou a Copa do Brasil e o campeonato carioca com um gol que matou o Fluminense e chorou quando seu filho entrou no gramado e disse: – Pai, nós somos campeões.

Não parecia haver mais nada, Júnior. Mas veio o pentacampeonato contra o Botafogo e você foi o Maestro.

Quando veterano, você parecia um garoto. Fez os gols e comemorou como se não coubesse no Manto Sagrado. Aos saltos, braços loucos, berro rouco. Pentacampeão do Brasil

Obrigado por tudo, Júnior. Acima de tudo, por ter sido um de nós.

Feliz aniversário, Maestro.

Vamos reviver?

Saudades…
De ver o Flamengo jogando no Rio
De ver o estádio lotado
De um maestro comandando o meio campo
De ver o Zinho brilhando pelo rubro-negro
De sapecar o Internacional
De ver a torcida feliz

Será que hoje iremos reviver todas essas emoções?

Flamengo 2 x 0 Internacional
31 de maio de 1992 – Campeonato Brasileiro
Estádio do Maracanã – Rio de Janeiro
Público: 79.606
Árbitro: Márcio Resende de Freitas
Flamengo: Gilmar, Charles Guerreiro, Wilson Gottardo, Júnior Baiano, Piá, Uidemar, Marquinhos, Júnior (Júlio Cesar Imperador), Zinho, Nélio e Gaúcho. Técnico: Carlinhos
Internacional: Fernadez, Pinga, Célio Silva, Daniel, Célio Lino, Simão, Marquinhos, Zinho (Leco), Elson, Lima (Luiz Fernando), Gérson. Técnico: Antônio Lopes
Gol: Júnior, aos 37 do 1º tempo e Zinho, aos 9 do 2º tempo.

Uma noite 100sacional

Existem momentos em gostaríamos que perdurassem para sempre. Tive essa sensação ao participar do evento Papo Rubro-negro, homenagem ao centenário do Futebol do Clube, realizado na sede social da Gávea e organizado pelo Museu do Flamengo.
De cara, foi impactante chegar a um ambiente festivo e recheado de emoção. Uma verdadeira viagem no tempo onde era possível admirar camisas históricas, troféus e fotos, além da presença de jogadores atuais, outros das divisões de base e ex-jogadores.

Foi difícil fingir naturalidade com o que presenciava, aliás, a tentativa de controlar a emoção durou menos de 10 minutos. Virei criança e, sem cerimônia, comecei a tietar meus ídolos. De cara fui falar com o Maestro Júnior. Lembrei da minha amiga Marcellinha que sempre sonhou conhecê-lo. Sei que ela merecia esse momento mais do que eu, mas o Capacete foi um dos meus heróis e não poderia sair dali sem uma foto. Depois foi a vez de Cantareli, Rondinelli, Manguito, Vítor, Renato Carioca

Mais adiante, avistei Silva Batuta. Não deixei escapar a oportunidade de abraçar o camisa 10 dos anos 60. Ídolo da massa, dono de uma habilidade ímpar e um canhão nos pés. Após a foto e agradecimento pela sua carreira, pedi para ele visitar meu blog para rever alguns dos seus gols, mas me olhou com uma cara típica de quem não é habituado com essa “modernidade”. Outro momento marcante foi o papo com Paulo Henrique. Meu amigo Renato Croce, do blog FlaManolos, quase chorou ao ouvir dele que, em sua época de jogador, assinou 9 contratos em branco com o Mengo. Simplesmente era apaixonado pelo clube e o dinheiro era o menos importante. Esses caras eram absurdamente Flamengo.
Deixei de tirar muitas fotos e de conversar com outros jogadores como Nelsinho, Gilmar Popoca, Jorginho (meio campo que jogou entre 1997 e 2003), pois não sabia o nome de muitos que estavam os acompanhando, e não achava justo chamar alguém da roda de bate-papo para tirar foto apenas com o mais famoso. Também foi comoventemente triste a quantidade de ex-jogadores anônimos e esquecidos. Senti-me mal, pois dava para perceber o quanto queriam um pouco de atenção e reconhecimento, mas minha falta de memória e desleixo também contribuiu para esse descaso.

Fiquei muito feliz com dois jogadores do time atual, Luis Antonio e Renato Abreu. O tempo todo com sorriso nos rostos, brincando entre eles e com as crianças. Conversavam com qualquer um que os procuravam e em outros momentos admiravam os vídeos que eram exibidos sobre os títulos rubro-negros. Sabiam exatamente a importância do evento e a dimensão do amor de todos pelo Flamengo. Assim como eu, foram os últimos a sair, praticamente expulsos pelos funcionários que já recolhiam o material da exposição.

Foi uma noite memorável! Salão lotado de fãs, de ídolos e história. Mais uma vez agradeço por ter nascido Flamengo e feito deste clube a razão de minha vida. Momentos como esses, mal contados nas linhas acima, fazem tudo valer à pena. O esforço do dia a dia fica minimizado e, revigorado, sigo cantando ao mundo inteiro a alegria de ser rubro-negro.

Recordar é viver: Flamengo e Americano já decidiram um campeonato

Flamengo e Americano se preparam para mais um encontro pelo Campeonato Carioca. O time campista já viveu dias melhores, aliás, a fase atual é a pior de sua história. Pela primeira vez deve ser rebaixado para a segunda divisão estadual. Enfrentar o Americano nunca foi parada fácil, principalmente quando o jogo era realizado em Campos. Quando você fazia previsões dos possíveis resultados no campeonato, o jogo contra eles sempre vinha com uma interrogação ao lado, pois tudo podia acontecer no escuro campo do Godofredo Cruz. O duelo de hoje pelo Campeonato de 2012 em nada lembra alguns confrontos passados e a vitória flamenguista, apesar do futebol apresentado, parece favas contadas.

Relembraremos hoje o dia em que decidimos um campeonato com a equipe campista. O torneio era a Taça Estado do Rio de Janeiro de 1991. Em tempos de calendário inchado, a Federação criou esse torneio, que era divido em duas frentes. Os times da Capital disputavam o título em um grupo e no outro os times do interior. No grupo da Capital, Flamengo foi o campeão após enfrentar Campo Grande, Olaria, Fluminense, Botafogo e Vasco. Na semifinal despachamos o América-TR enquanto o Americano eliminou o bom time do Botafogo.

A única semelhança com esse confronto do ano de 2012 é o desinteresse do público. Apesar de uma decisão de campeonato, pouca gente foi ao Maracanã naquele dia. Com os Jogos Pan Americanos de Havana acontecendo paralelamente, as atenções estavam divididas. Além disso, os dirigentes já não entendiam que torneios como aquele eram apenas caça-níqueis.

O rubro-negro havia ganho o primeiro jogo da decisão em Campos por 1 x 0 e vinha para a segunda partida com a vantagem do empate. No banco, Luxemburgo era o comandante. No campo, o grupo era o mesmo que venceria o Estadual daquele ano e o Brasileiro do ano seguinte. Os experientes: Gilmar, Gotardo, Charles Guerreiro, Júnior, Zinho e Gaúcho e a garotada vindo da base: Fabinho, Junior Baiano, Rogério, Piá, Marquinhos, Marcelinho, Djalminha e Paulo Nunes. O jogo transcorreu de maneira tranqüila e vitória por 3 x 0 só veio corresponder o favoritismo. O destaque absoluto daquela decisão foi o Maestro Júnior. O craque estava completando 759 jogos pelo Flamengo e mostrava que ainda estava no auge da técnica e esbanjando vigor físico. Era o ídolo maior de uma torcida que ainda se acostumava a não ter mais o Galinho em campo.



Foi um título de pouca repercussão, mas de extrema significância para consolidação de uma geração. Ganhar títulos é sempre importante. Infelizmente nesse primeiro semestre só nos restou o Estadual. Então temos que nos agarrar ao carioquinha mesmo. Nos resta a esperança de estarmos presenciando a formação de uma base campeã, assim como em 1991.

Flamengo 3 x0 Americano
10 de agosto de 1991 – Taça Estado do Rio de Janeiro
Estádio do Maracanã
Público: 8.114 pagantes
Árbitro: Claudio Cerdeira

Flamengo: Gilmar, Fabinho, Júnior Baiano (Rogério), Gotardo, Piá, Charles Guerreiro, Júnior, Marquinhos (Marcelinho), Zinho, Paulo Nunes e Gaúcho. Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Americano: Zé Luís, Serginho, Paraju, Paulo Renato, Edivaldo Gomes, Carlos, Haroldo, Branco, Amarildo, Gilmar, Edivaldo II. Técnico: Flávio Almeida

Gols: Gaúcho, Zinho e Júnior.

Marcelo Espíndola
@FlaMuseu

Maior do que vocês: América, lá vamos nós

Assim como nunca vi nada como essa pré-temporada do Flamengo, retro-alimentada com crises diárias, nunca vi nada como o pré-jogo de ontem. Estava indo para casa, tenso, e liguei o rádio do carro. 1220 da Globo, só chiado, roda o dial, 1280 da Tupi e opa, Apolinho cuspindo marimbondos radioativos contra Patrícia Amorim. Esperei um tempo na garagem ainda sem entender direito, Luxemburgo demitido? Joel? Só fui entender ao acessar o Twitter, timeline nervosa e boladíssima com a matéria do GE.com.

Ainda estava atordoado quando Sérgio Américo entrou ao vivo com Patrícia Amorim, que desmentiu – ou retrocedeu diante da repercussão, o que é mais provável – e ouviu uma declaração de amor do Apolinho, padrinho declarado de Luxemburgo. Na timeline Patricia já era chamada de Pat-ética. Ela, que acusou o Fluminense de falta de ética. Ela que… Vocês sabem. Tanta coisa.

Passava um pouco das nove e eu estava atordoado. Na boca de um jogo decisivo e o Flamengo na garupa do palhaço. Solto na buraqueira. Rezei para os minutos voarem e a bola rolar, para tudo voltar a ser futebol.

Rolou. Time nervoso, mas ligado. Ronaldinho bem, encaixou um lançamento preciso para Léo Moura e quase gol de Deivid, uma ponta de chuteira atrasado. As chances foram sendo perdidas, Ronaldinho de cabeça, chutes de longe, Bottinelli rente a trave e o tempo voando. Alívio geral quando R10 botou a bola na cabeça de Léo Moura e o Engenhão explodiu.

No segundo tempo, mesmo com a fragilidade do Potosí, o Flamengo se perdeu entre pressionar em busca do segundo gol e segurar o resultado. Acabou não fazendo uma coisa, nem outra, e o jogo ganhou contornos de drama. El Gordo errou uma cabeçada que me fez sentir o vento frio de outras noites que não deveriam ter existido, mas felizmente os bolivianos são ruins demais e Léo Moura retribuiu o presente a R10 que matou o jogo com imensa categoria.

Valeu pela festa da torcida. Valeu pelo desabafo de Júnior contra os bandoleros que posam de dirigentes do Flamengo. Valeu pela vaga. De resto, continua a crise no comando. Os jogadores não querem mesmo Luxemburgo – se quisessem, teriam comemorado com ele, em desagravo. Eu também não quero Luxemburgo, mas entre ele e Joel, ele. Entre o diabo e Joel, o diabo. Jamais perdoarei o Natalino por 2008.

Os inimigos são muitos. Os externos apenas secam, mas os internos arruínam, deterioram, crescem como infiltrações surdas que enfraquecem as paredes. Gente que deveria cuidar do clube e só faz enfraquecê-lo. Mesmo assim, vencemos. E vencemos apesar de vocês que são incompetentes, que maldizem o Zico, que tentam acabar com o nosso amor.
Vocês não conseguirão. O Flamengo é maior do que vocês porque se alimenta dos nossos sonhos e de nossas vidas. América, lá vamos nós.

foto: Vipcomm

Flamengo 2×0 Real Potosí
1 de fevereiro de 2012 – Taça Libertadores da América
Estádio do Engenhão – Rio de Janeiro
Público: 32.004 pagantes.
Árbitro: Victor Rivera
Cartão vermelho: Centurión
Flamengo: Felipe Leo Moura, Welinton, David Braz e Junior Cesar; Willians, Luiz Antônio, Renato Abreu (Muralha) e Bottinelli (Camacho); Ronaldinho Gaúcho e Deivid (Negueba). Técnico: Vanderlei Luxemburgo
Real Potosí: Lapczyk, Jiménez, Alarcón, Centurión e Rivero; Sejas, Michelena (Tudor), Ortiz (Angola) e Ovando (Pol); Yecerotte e Brittes. Técnico: Victor Zwenger
Gols: Leo Moura aos 38 do 1º tempo; Ronaldinho Gaúcho aos 48 do 2º tempo.