Talvez vocês devem ter percebido que eu tirei umas férias de Flamengo. Pois é, aproveitei a vinda do meu pai à ilha e me afastei do noticiário da Gávea. Fez bem à minha cabeça. Passei a última metade desses 28 Dias Sem Flamengo fazendo turismo por Mallorca, visitando lugares maravilhosos, saboreando boa comida e curtindo o carinho de pessoas queridas. Tentei ficar longe da Patrícia, do Joel, do Ronaldinho, do Levy, do Cascão, etc.
Também aproveitei pra começar a ler “Uma viagem a 1912 – surge o futebol do Flamengo”. Descobri que o meu xará Gustavo Carvalho além de ter sido o primeiro goleador do Flamengo (5 gols na goleada contra o Sport Club Mangueira) foi o primeiro jogador a sair do clube para ir à Europa.
Gazeta de Notícias: 23 de maio de 1912:
A bordo do paquete alemão Cap Finisterre parte para a europa no dia 8 de junho próximo o esimado foot-baller Gustavo Carvalho, in-si-left do primeiro team do Club de Regatas Flamengo. Os seus companheiros de team offerecm-lha na véspea de sua partida um jantar no Restaurant Madrid, devendo falar em nome dos seus companheiros, offerecendo o jantar e apresentando votos de boa viagem, o Sr. Alberto Borgerth, outh-side-left e captain do mesmo team. O Sr. Gustavo de Carvalho demorar-se-á no velho mundo dous anos.
O interessante é que inside-left demoraria mais tempo e só voltaria ao clube em 1917 para jogar ao lado do mítico Friedenrich e marcar o primeiro gol rubronegro em jogo internacional, contra o Sportivo Barracas da Argentina. Será que foi o primeiro duo cria-da-base-craque-mediático? Fiquei cabreira de saber a história do Gustavo de Carvalho, a que país ele foi? O navio era alemão, mas o nome se refere ao mítico Cabo Finisterra, na Galícia. E pode ter perfeitamente a grafia catalã para o acidente geográfico onde os romanos pensavam que o mundo se acabava. E essas linhas aparecem na página 77, ano em que eu nasci. Para deixar qualquer Gustavo rubronegro expatriado na europa maluco.
Volta e meia nessas minhas férias das férias do Flamengo, surgia alguma coisa que me lembrava do Flamengo. Eis aqui um exemplo. Fiz uma excursão ao Arquipélago de Cabrera e o capitão do barco ao descobrir que eu era brasileiro me mostrou uma caneca… do Clube de Regatas Vasco da Gama. Não sei como nosso barco não afundou na volta, mas prometi enviar a ele uma caneca do melhor clube de regatas do brasil e do mundo.

A ilha de Cabrera mais parecia o paraíso mas descobri na volta que o capitão do barco era um galego vascaíno e fiquei bastante cabreira.
Um dia desses lendo o livro/viagem de 1912 encontrei essa passagem. Jogavam Flamengo e Payssandu, terceiro e primeiro colocados no Campeonato da Liga Metropolitana (Carioca) de 1912. Os únicos invictos na quarta rodada. O Payssandu (o carioca, e não o que eliminou o Sport da Copa do Brasil), era um time formado por jogadores ingleses: Goggin; Smart, Pullen; Wood, Robinson, Mac Intyre; Monk, Pullen, H. Robinson, S. Pullen, Martin. Pelo Flamengo jogavam: Baena; Píndaro, Nery; Gallo, Gilberto, Coriolano; Alberto, Gustavo, Amarante, Arnaldo, Bahiano.
O Jornal do Brasil de quinta-feira, 13 de junho, publicou o seguinte diálogo.
As faces de uma formosa Patrícia, que estava no ground do Fluminense estavam afogueadas… com o ardor do seu partidarismo, quando indagávamos:- A sta. tem apreciado o jogo?
Sta. X – Não me agrada muito…
Reporter – … porque o Payssandú tem 1 goal? Ainda restam 40 minutos e…
X (frenética) – Não é pelo tempo, (tristemente) Elles são pezados…
R – O peso não influe, Senhorita, a agilidade é que…
X – Qual, eles são franzinos; olha os dous in-sides.
R – Pensa que a victoria sorrirá para o Flamengo?
X – O equilibrio é evidente; só a sorte mas… ella é tão ingrata.
R – É partidária do Flamengo?
X – Não (altiva) Sou partidário de todos os teams nacionaes.
R – E quando jogam dous nacionaes?
X (perturbada) – Para… para…
R – Para?!…
X – O mais symphatico…
R – Qual prefere, dos da Liga?
X – O Fla…
R – O Fluminense? (adiantamos)
X – Flamengo (disse-nos um tanto contrariada)
Essa foi a primeira derrota da história do Flamengo. Flamengo 1 – 2 Payssandu. Depois da derrota o Flamengo viria a perder o campeonato para o Payssandu, ficando em segundo lugar. O Vice ainda não tinha sido inventado em 1912. Até acho que essa moça não se chamava Patrícia. É apenas um erro de grafia, pois acho que o correto é o adjetivo patrícia. Afinal no resto da entrevista o repórter galã usa Sta. X para preservar sua identidade. Mas é incrível a coincidencia. Será que é a primeira “Patrícia” relacionada ao Flamengo num documento?
Não sei se um dia encontrarei a resposta para isso. Só sei que encontrei em colonia Sant Jordi uma placa que me fez lembrara Patrícia. Será que a nossa presidenta caminha de pé-de-pato? Bom depois de perder pro Payssandu em 1912 o Flamengo contratou um tal Frederico Cavalcanti do Sport Club Recife. Não encontrei mais nada sobre o tal Frederico.
Caiu no esquecimento. Como caiu no esquecimento a escalação do Sport Clube de Recife de 1987, campeão da segunda divisão no par-ou-ímpar. Assim como espero que caia logo no esquecimento esse Flamengo da Patrícia Amorim. Ou esse empate horroroso do sábado. Alô? Procon? Quero me Flamengo de volta! Maldita hora que as nossas férias se acabaram. Que ilusão, não consegui me desconectar nem um dia da Podetobeland. Ainda demorei 28 dias para perceber que esse Flamengo do Parquinho existe muito mais fora dos campos de futebol do que dentro deles. Que quanto menos joga mais notícias é capaz de gerar. Que venham outras Patrícias mais relevantes para a história do clube.
Essa música vai para você que se chama Patrícia e torce realmente pelo Flamengo. As Patrícias, Joéis e Ronaldos que a cada fim de semana se vestem de Geraldinos e Arquibaldos e vivem o nosso Mengão sem receber nada em troca.
Saudações rubronegras!
PS. Boa sorte ao Ibson. Já que ele parece gostar mais do Flamengo do que da própria carreira só posso desejar-lhe boa sorte.
PS2. Boa sorte Zinho, duas vezes. Você vai precisar.
PS3. Feliz dias das mães, dona Andyara! Obrigado por me fazer rubronegro!
PS4. Eu criei o time C.R. Finisterre em homenagem ao Gustavo de Carvalho no Catola FC. Se increve na nossa liga: ADTRubroNegro. Comecei em sétimo na primeira rodada. Sempre me acompanha o número sete…
Nota: Você está lendo meu diário de abistinência de Flamengo no futebol. Para ler os dias anteriores siga o marcador 28 Dias Sem Flamengo ou visite o índice em ordem cronológica.










Foi uma noite memorável! Salão lotado de fãs, de ídolos e história. Mais uma vez agradeço por ter nascido Flamengo e feito deste clube a razão de minha vida. Momentos como esses, mal contados nas linhas acima, fazem tudo valer à pena. O esforço do dia a dia fica minimizado e, revigorado, sigo cantando ao mundo inteiro a alegria de ser rubro-negro.



