Ontem ao ouvir que o Apolinho estava fazendo apologias à união das chapas rosa e amarela eu me lembrei do famigerado Joseph Goebbels. Propagandaminister de Hitler foi figura capital da Alemanha nacional-socialista e fundou conceitos utilizados até hoje na publicidade e na política.
Goebbles, um cérebro maquivélico de alta patente na hierarquia do terceiro reich, idealizou uma série de conceitos de como deveria ser a propaganda nazista. Observe como esses conceitos podem ser facilmente diagnosticados no comportamento e no uso da propaganda feito por Patrícia Amorim.
1) Princípio de simplificação e do inimigo único. Adotar uma única idéia; um único símbolo; individualizar o adversário em um único inimigo.
A Chapa Azul é mais visada pela Patrícia e demais candidatos desde o princípio da corrida eleitoral. Até mesmo antes da união de algumas chapas todas buscaram atacar a Chapa Azul. Isso se mostra também claramente quando Patrícia Amorim não critica Jorge Rodrigues e vice-versa. Ao contrário, juntos cunharam o termo “oposição do bem” para a aliança Jorge-Lysias-Maurício.
2) Princípio do método de contágio: Reunir os adversários em uma só categoria ou indivíduo. Os adversários tem de constituir-se em suma individualizada.
Você pode ver como o discurso patricista facilmente reduz todos os que compõe a chapa azul, e até quem os apóia numa só categoria: Empresários Paulistas. Assim buscam reduzir a massa indivíduos, com suas carreiras, convicções em um só “perfil”. Assim é mais fácil atacá-los, reduzindo todos a um coletivo. Mas esse perfil não tem fundamento.
3) Princípio da transposição. Atribuir ao adversário os próprios erros ou defeitos, respondendo o ataque com o ataque: “Se não podes negar as más notícias, inventa outras que as distraiam”.
Se estranhas transações estão sendo feitas na Gávea é conveniente dizer que os empresários vão privatizá-la. Se você troca material esportivo por apoio político, faz a festa de dirigentes com cartões corporativos do clube, distribui títulos de beneméritos em troca de apoio ou usa cargos na câmara de vereadores por fidelidade você pode acusar os adversários de pagarem para que torcedores compareçam à uma manifestação de apoio.
4) Princípio do exagero e desfiguração: Converter qualquer anedota, por pequena que seja, em ameaça grave.
Se o futuro vice-presidente de marketing inimigo vive em São Paulo, chame-o de paulista. Se Marcio Braga e Kleber Leite apoiam a chapa (sem nada em troca) diga que os dois são os donos da chapa. Assim, você usa caricatura do seu inimigo para fazer mal a ele.
5) Princípio da vulgarização: “Toda propaganda deve ser popular, adotando seu nível ao menos inteligente dos indivíduos, aos que se dirige. Quanto maior seja a massa a convencer menor há de ser o esforço mental a fazer. A capacidade de entendimento das massas é limitada e sua compreensão rara; além do mais tem grande facilidade para esquecer.”
Não interessa ao Patricismo a profundidade do debate. Por isso ela foge às entrevistas, aos debates e não mostra nenhuma proposta em sua web. A ela só interessa atontar com belas imagens dos seus feitos para o sócio. Basta ver na sua página
6) Principio de orquestração: “A propaganda deve limitar-se a um número pequeno de ideias e repetí-las incansavelmente, apresentando-as de diferentes perspectivas; mas sempre convergindo sobre o mesmo conceito. Sem ranhuras nem dúvidas”. Daquí vem também a famosa frase: “Se uma mentira se repete suficientemente, acaba por converter-se em verdade”.
Você não escutou em três anos a Patrícia Amorim reconhecer um erro. Ela se dá uma nota 8! E repetiu eternamente que foi atacada por ser mulher, que na Gávea fez uma boa gestão, que o futebol não tem lógica, que tirou da Gávea nove toneladas de entulho, que pagou muitas dívidas de gestões anteriores e que paga os salários em dia. Repetiu tantas vezes ao ponto das pessoas acreditarem. Mas é ela quem faz papel de vítima (algo muito machista ao meu ver), que não aceita as críticas da sua pífia gestão, que apenas maquiou a Gávea restaurando superficialmente, sem fazer reformas estruturais ou construir quase nada de novo (com exceção da Fla-Concept e do inacabado Museu da OLK), que deixou tantas outras dívidas, a maioria por não honrar compromissos anteriores ou seus, e que também burla a legislação trabalhista colocando grande parte do salário como “direitos de imagem”, por exemplo.
7) Principio de renovação: Emitir constantemente informações e argumentos novos a um ritmo tal que, quando o adversário responda, o público está já interessado em outra coisa. As respostas do adversário nunca devem poder contrariar o nível crescente de acusações.
Quantas crises foram amaciadas com contratações nesses três anos? Zico, Luxa, Cascão, Zinho, Ibson… todos foram usados de escudo. E quando o Flamengo não tem cacife para contratar não importa, faz a torcida sonha com Valdívia, Montillo, Kleber, Juan, Riquelme, Diego e agora Renato Augusto.
8) Principio da verossemelhança: Construir argumentos a partir de fontes diversas, através dos chamados balões de ensaios ou de informações fragmentadas.
Aqui trabalha muito bem a imprensa. O que dizer da entrevista exclusiva dada ao Apolinho na Rádio Tupi por Patrícia Amorim sobre a demissão de Luxemburgo? Daí agora o Apolinho vira o apóstolo da união entre as chapas amarelo e rosa. A central de boatos do Flamengo trabalha muito bem, e por mais infundadas e desconexas que sejam algumas colam. O Flamengo deve ao Avaí, mas vai pagar num sei quantos milhões pelo Renato Augusto. Ou ainda pior quando acusações e difamações são distribuídos diariamente pela FlaSpam.
9) Principio do silêncio: Calar sobre as questões das quais não se tem argumentos e encobrir as noticias que favorecem o adversário; também contraprogramando com a ajuda de meios de comunicação afins.
A Patrícia Amorim sempre desaparece em tempos de crise. Vai a Londres, pede licença pela derrota nas eleições. Usa muito bem um rodízio de escudos para distrair os torcedores. Não é à toa que a palavra omissa casa tão bem com ela. E se não nos interessa falar de propostas, de modelos de gestão ela recebe a ajuda dos meios para divulgar que “lançar um espumante do Flamengo”, “cumprir a promessa de lançar um programa de sócios torcedor”, etc.
10) Principio da transfusão: Por regra, a propaganda opera sempre a partir de um substrato preexistente, seja uma mitología nacional ou um complexo de ódios e prejuízos tradicionais. Se trata de difundir argumentos que possam se nutrir em atitudes primitivas.
Não é por acaso que o patricismo adotou o método de chamar os adversários da Chapa Azul de Paulistas do Brookling. O bairrismo e a xenofobia, são sentimentos que mexem com o medo do indivíduo, e que nunca deveriam se aliar a um clube com 40 milhões de torcedores espalhados por todo o Brasil, a maioria fora do Rio de Janeiro. O preconceito contra a “paulistada” funciona como na cabeça do neo-nazi a “ameaça judia”. Algo muito estranho de se observar, sabendo das ascendências judias da Patrícia Amorim.
11) Principio da unanimidade: Convencer muita gente que se pensa “como todo o mundo”, criando impressão de unanimidade.
Você ja ouviu muito ela soltar aquele se “a torcida” quer… Para que o bom senso se você pode usar o genérico “a torcida” para justificar os seus erros. Por exemplo “a torcida” queria o Adriano. Ora, eu sou parte da torcida e nunca pedi a volta dele. Conheço gente que pensa igual a mim. Aqui tem o seu papel um indivívuo, que trabalha como ponte entre clube e torcida, como um títere da diretoria do clube. Esse cara gosta de ser “a voz da torcida”, e realiza atos patéticos como queimar camisetas, fazer uma faixa em homenagem ao Joel, apitaço para o Ronaldinho, etc. Por outro lado ela já se ela utilizou de atletas e ex-atletas como Love, Cielo, Marcelinho, Adílio, Julio Cesar Uri Geller (com os quais tem uma relação empregadora-empregado) para fazer campanha para ela. A Patrícia está longe de ser uma unanimidade, mas às vezes utiliza truques como esse para legitimar seus atos e dar uma imagem de proximidade.
Enfim, é apenas uma observação de como o mito Patrícia Amorim se construiu em função do seu comportamento com os meios, a gestão de crises e principalmente no ataque dos seus adversários mais fortes. Um exemplo de como uma comunicação bem feita muitas vezes substitui as idéias e os fatos em torno a uma personalidade, deixando à mostra uma simpática e sorridente estátua de cera.
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Texto interessante. Mas acho q vc errou quanto a FlaConcept e (futuro) museu. Eles estavam previstos no contrato Flamengo/Olympikus, portanto seriam feitos da gestão anterior, não?
Algumas dessas frases são atribuídas ao Goebbels normalmente mas são, na verdade, de Lênin. A três, por exemplo, que fala da atribuição de defeitos aos adversários. O nacional-socialismo bebeu muito nas fontes do bolchevismo.
Não duvido nada que a atual gestão use o incendio na Gávea como arma contra a chapa azul. Já estou vendo a entrevista da Patty se fazendo de vítima….
Sou ouvinte do Apolinho, porém durante esse período de campanha, deixei de ouvir.Passa jingle de campanha do Jorge rodrigues, candidato da chapa que ele faz parte, fala da Patrícia, e quando vai falar da azul, fala muito superficialmente, e geralmente não fala do Eduardo Bandeira, e fica ainda fantasiando que Patrícia está na frente seguida de perto por Jorge.
Acho que o Washington rodrigues não precisava ser tão parcial quanto está sendo, mas a candidatura de Jorge Rodrigues e a gestão da Patrícia Amorim falam por si. é inadmissível um time do tamanho do Flamengo ficar sem patrocínio master e viver nas páginas policiais, Sócio, vote na mudança ou na continuidade, pra mudar só chapa azul pode mudar…
dia 3 vote chapa azul….