O gringo mais querido da Nação

Petkovic talvez seja o maior ídolo rubro-negro do século XXI. Responsável por duas das maiores alegrias que tive na vida. Ele foi autor dos gols mais importantes da reta final do Campeonato Brasileiro de 2009 e do mítico gol de falta na final do Estadual de 2001 que o imortalizou na galeria de heróis rubro-negros. Certamente todo flamenguista lembra onde estava e como vibrou no momento daquela cobrança de falta contra o Vasco.

Tive a oportunidade de conhecer o gringo no Chopp da Nação, evento organizado pela rubro-negra Cida Gomes. Ao saber que iria realizar o sonho de estar frente a frente com o ídolo, me prontifiquei de preparar uma homenagem em vídeo, devidamente entregue em mãos, graças ao empenho do amigo Luiz Guilherme que viu meu nítido “sem jeito” ao me deparar com o cara. Nem deveria ficar assim, pois Pet foi só simpatia e atenção para os fãs que o cercava.

Foto Nayra Halm

Sei que o vídeo não está à altura da emoção que ele nos trouxe no decorrer de sua trajetória no Flamengo, mas foi feito de coração. Espero que vocês curtam e que possam matar um pouco das saudades que ele nos deixou.

 

Vinte Anos Esta Tarde.

A Nação já tinha um Deus, Antônio José da Raça Rondinelli Tobias. Já éramos todos súditos de Rei Arthur Primeiro e Único. Colecionávamos heróis como figurinhas emocionais, todas carimbadas pela nossa paixão. Um dia, um desses heróis pendurou seu capacete black power de tantas batalhas e tomou em mãos uma batuta para reger a Nação que cantou, cantou e cantou. A cada canto mais o Maestro crescia. E assim fomos pentacampeões.

Conte comigo, Mengão:

Campeão 80: O Brasil aos Pés de um João Danado
Bi 82: Cala-te, Olímpico
Tri 83: São Judas Tadeu Maior do que Todos os Santos
Tetra 87: Campeão da Verdade
Penta 92: Valeu, Maestro!

Toda a gratidão do mundo, desta e de outras vidas e de cada um dos 35 milhões a você, Leovegildo Lins da Gama Júnior.

Valeu, Maestro!

Mauricio Neves

Atrás do rubro-negro só não vai quem já morreu

Até o modesto Club Esportiu Esporles é futebol até morrer. Foto: Gustavo Berocan

Já faz alguns anos que passeando por Mallorca tinha encontrado essa placa. No sábado, passei por ali e não resisti à tentação de averiguar sobre a tétrica convivência do cemitério com o futebol. Encontrei o mórbido porém simpático Club Esportiu Esporles, do pueblo Esporles encravado na Serra de Tramuntana. Descobrir coisas interessantes sobre o clube além do fato de ter o campo ao lado do cemitério. Por exemplo, eles tem a verdadeira tríplice coroa no escudo desde 1974 (muito antes do Cruzeiro). Que raiva me dá essa mania dos timinhos usarem símbolos cristãos no escudo! Se for imitando o Real Madrid, em uma república federativa me dá mais raiva ainda! Vai ser o Real Zaragoza do raio que o parta! Pois o Esporles jogava a Terceira divisão regional. O que na Espanha quer dizer quarta divisão. Encontrei um blog desatualizado com o seguinte eslogan: Juntos conseguiremos a salvação. Também encontrei a declaração do capitão Pedro (será que é aquele cara que fundou a Igreja?)  ”Mi mayor ilusión sería conseguir la permanencia en la tercera división”. Engraçado que ilusão em espanhol tem outro sentido.

O escudo do simpático C.E.Esporles com a verdadeira “tríplice coroa”.

Pelo jeito não conseguiram. Descobri que caíram ao inferno em 2010 tomaram uma surra de 6 a 1 do poderoso Sporting de Sant Marçal (em cujo campo ás vezes jogo umas peladas) e vão disputar outra vez o Deve ter a ver com o fato de eu só encontrar umas meninas brincando no campo num sábado a tarde. E eu que duvidava da capacidade da Espanha de ganhar alguma coisa por ver os campo daqui vazios… Talvez nesse campo os melhores jogos sejam realizados em madrugadas sem lua, com as almas que saem das tumbas. Fiquei pensando no cara que joga a bola por cima do gol. Quem for ali pegar a bola, provavelmente um coveiro-gandula, tem que respeitar os mortos. Lembrei que em sua Barão de Cocais o saudoso Geraldo também foi enterrado ao lado de um campo de futebol.

Daí me pergunto. É o cemitério que está do lado do campo do Esporles, ou o campo que está ao lado do cemitério? E o Flamengo? É um clube que tem um parquinho ou é um parquinho que tem um clube? Não faz muitos dias vi como o lamentável Cacau Cocotta, “prefeito” da Fla-Gávea, pisoteava os túmulos de Zizinho, Figueiredo, Reyes, Doval, Geraldo, Dida, Leônidas, Rubens, Dequinha, Pavão… Futebol não ganha eleição – disse Cocotta. Com essa frase ele disse muitas coisas.

Um: que antes de administradores ele e a Patrícia Amorim são políticos. Dois. Que eles descaradamente não administram o clube pensando em todos, mas exclusivamente na própria reeleição. Pela pura perpetuação do poder. Três: Que eles não tem o menor respeito pela paixão de milhões e milhões de rubro-negros que só se importam pelo futebol do Quatro: Patrícia e cia não enxergam muito além do umbigo, quem dirá além dos muros da Gávea! Cinco: Que não tem a mínima vergonha em usar a imprensa ou recursos do clube para fazer campanha descarada. Seis: Vai pro inferno, Cocotta!

Futebol é algo tão sagrado que os mortos de Esporles não se importam em dividir seu espaço. Mas e no Flamengo?

A razão de existir do Flamengo é ganhar títulos em todos os esportes em que ele competir. Até a natação. Que eu saiba construir parquinhos não é esporte. Também não dá pro parquinho crescer sem ocupar o campo onde jogavam Valido, Dida, Geraldo… É óbvio que os malucos que foram ao Barradão, amarradões para ver o bando do Joel não estão nem aí pra parquinho da Patrícia. E são esses e outros 35 milhões os que injetam uma baba de dinheiro (mensalidades do clube, royalties de camisas oficiais, ingressos para jogos, consumindo os produtos anunciados pelo clube, etc) e que não tem o menor controle sobre o que é feito com esse dinheiro.

Essa grana tem sido utilizada de uma péssima forma no Flamengo. Pagando adiantada uma comissão ao Levy pela compra do Love por exemplo. Ao mesmo tempo que o clube deve milhões a Deivid, Ronaldinho, Pet, Romário, Andrade… Criando uma bola de neve de dívidas que um dia fará que uma viúva tenha que vir ao clube receber salários atrasados.

E esse senhor, Cacau Cocotta, nos fala também que “futebol é sorte”. Pois está na cara que nossa sorte terminou logo depois do Hexa, quando elegeram a Patrícia Amorim. De lá pra cá perdemos pro Botafogo e ficamos fora do Carioca, caímos de maneira ridícula na Libertadores, lutamos contra o rebaixamento, as organizadas desapareceram, queimaram o Zico, perdemos pro Vasco e ficamos de fora do Carioca… Rapaz, desde 2010 é só notícia ruim! Que azar, hein? Quer dizer que elegeram a presidenta mais pé-frio da nossa história?

Então a decisão eleitoreira de treinar na Gávea é uma péssima idéia. O time tem que ficar longe dessa pé-frio! Já basta com o Joel e sua burra insistência em pisotear os túmulos rubro-negros. Nem vou falar sobre o jogo, cheguei com o jogo começado, briguei um tanto com os malditos links de streaming e acabei escutando na Rádio Globo onde tive que ouvir elogio a Ibson, Diego Maurício e Negueba. E ainda teve um xarope me dizendo no twitter que “o que importa são os três pontos”.

Se você acredita nisso vá pro inferno com esses três pontos. Pelos overlaps do Claudio Coutinho! O Flamengo tem cem anos de história jogando como time grande. Ficar fazendo continha para não cair ou para ficar entre os 4 primeiros é indignante! Maldita pé-frio dos infernos! Vamos tirar essa mulher de lá! Você já virou sócio? O prefeito do parquinho, senhor Cocotta, me deu o empurrãozinho que faltava…

Porque ficou descarado nessa “entrevista” que tudo o que fazem são atentados ao sagrado momento em que Alberto Borghert  se cansou de jogar o elitista football tricolor e resolveu jogar o futebol do povão. Essa atitude elitista da Patrícia e seus comparsas é uma afronta ao passado do clube, ao sagrado momento que trocamos o azul e amarelo pelo vermelho e preto, uma afronta à memória do coração apaixonado do Gilberto Cardoso, dos dias de república Paz e Amor da sede do morro da viúva, dos intermináveis títulos e conquistas até o Hexa.

Não nos resta muito tempo. E estou vendo como Zinho a cada dia é fagocitado pelas amebas da incompetência. Por exemplo, bate-boca dele com o Juan via imprensa foi constrangedor. O Flamengo procurou a Roma? Ou ficou negociando com o jogador pela imprensa igual aconteceu com o Diego? Já vejo sinais de desgaste muito semelhantes ao processo de fritura do Zico: fica esperto! Aliás, quando foi que a torcida do Mengão começou a torcer pelo Menganaqueugosto? Maldita hora que o Zinho aceitou servir de escudo-humano da Patrícia. Já viu que agora ela só diz: tenho o Zinho e o Cascão que cuidam do futebol? Isso quer dizer: estou cagando pro futebol, vou me reeleger e tenho dois otários pra demitir a hora que a coisa ficar preta.

Não acredito em Deus, mas vou orar por Geraldo, Figueiredo, Gilberto Cardoso, os anônimos torcedores mortos em 1992 e tantos outros que morreram pelo Flamengo. Que seus espíritos nos ajudem, e que essas pessoas más não façam do Flamengo um parquinho com clube menor do que esse que encontrei ao lado do cemitério de Esporles.

Fica uma música aos baianos que fizeram a festa pro time do Flamengo. O baiano onipresente Gil, que se diz torcedor do Bahia, cantando o famoso Samba Rubro-Negro.

Saudações Rubro-negras!

PS: Para você que deseja a morte do Joel, Ibson, Canelada, Negueba… Muita calma nessa hora! Já pensou se esses malas entram injustamente na galeria de mártires rubro-negros?? Não merecemos tamanha desgraça!

Resenha moral


Nem sei mais falar de pós jogo. Parece um assunto tão repetitivo, sem minha tradicional, marra, deboche e arrogância. Assim fica difícil de resenhar sobre o tal Rubro Negro.

Jogo que começa com nível técnico baixíssimo, sem criação, oportunidades, e sob uma pressão sem fim do Baêa. Paulo Victor foi decisivo nesta partida, mesmo com minhas resistências ao franzino goleiro flatulento, que sai afobado, se joga, e não intimida ninguém. Também fica difícil nivelar por baixo, quando se tem no passado como base de comparação o imponente Bruno.

Observei alguns jogadores do Baêa que eram uma pedra no sapato, tava incomodando. Os caras entraram especialmente enjoados ontem. Meu destaque para Gabriel, Kleberson (nosso Klebershow) e Mancini que tem bagagem visão e experiência. Isso diante de um Flamengo que não possui um armador, não possui entrosamento e assim é melhor parar por aqui.

Nem vale a pena comentar se foi ou não pênalti, e se a expulsão de Luiz Antonio foi ou não justa. Estamos falando de um garoto em desenvolvimento, que sem gestão faz aquilo que ele entende ser o melhor para o time, e isso naturalmente remete a excessos. Indiscutível. E mesmo sem jogar um futebol alto nível, fazendo o feijão com arroz, saímos na frente e levamos a partida. Ficamos felizes?

Não posso preconizar o elenco de hoje. Está longe de ser o melhor, e mais uma vez digo que sofremos em campo reflexo da gestão.
Parabéns a torcida que compareceu, que incentiva, e que não deixa de crer num Flamengo melhor. Torcedores que não merecem o Flamengo que vem sendo usurpado, maltratado e diminuído.

Mas tudo isso é mais do mesmo. Já que nossa mandatária e os seus aliados evidenciam um clube de sócios satisfeitos, mesmo que pareça o contrário para nós que estamos de fora, e ela segue correndo por fora garantindo sua candidatura, mesmo após sua infidelidade partidária, quando trocou de legenda durante a atual legislatura. É essa Patricia que comanda o SEU Flamengo.

Não podemos ser duas pessoas. Você já procurou saber as realizações de Patricia enquanto vereadora? No mínimo deve ter assegurado a limpeza de parques e jardins aos arredores da Gávea.

Ela foi eleita pelo povo, está em seu terceiro mandato consecutivo. Quem é este povo que elege Patricia?

Já tive algumas oportunidades de estar no mesmo ambiente que ela, e lhes asseguro, ela tem uma qualidade: excelente em seu marketing pessoal. Eh vida de gado, eu não faço parte dessa massa que crê em suaves palavras e o papel de moça frágil. Está muito longe de me convencer. Pena que minha força não movimenta o mundo.

Até dezembro sobreviveremos bravamente a eminência do Primeiro Marido anti Rubro Negro, que fez do Flamengo seu brinquedo, sua batalha naval. Deixaremos que o barco afunde?

Sem mais palavras…

#NadaImportaSemOFlamengo
Cella Miranda – @MarcellinhaRJ

FICHA TÉCNICA
BAHIA-BA 1X2 FLAMENGO-RJ
Local: Estádio Pituaçu, em Salvador (BA)
Data: 15 de julho de 2012 (Domingo)
Horário: 16 horas (de Brasília)
Árbitro: Francisco Carlos Nascimento (Fifa-AL)
Assistentes: Fabiano Ramires (ES) e Otávio Araújo Neto (AL)
Publico – 29.234 presente

Cartões amarelos: Fahel, Danny Morais e Júnior (Bahia); Luiz Antonio e Renato Abreu (Flamengo)

Cartão vermelho: Luiz Antonio (Flamengo)

Gols: BAHIA: Kléberson, aos 37 minutos do primeiro tempo
FLAMENGO: Hernane, aos 30 minutos do primeiro tempo, e Renato Abreu, aos 26 minutos do segundo tempo

BAHIA: Marcelo Lomba, Fabinho (Vander), Danny Morais, Titi e Hélder; Fahel (Jones), Diones (Júnior), Kleberson, Mancini e Gabriel; Souza – Técnico: Paulo Roberto Falcão

FLAMENGO: Paulo Victor, Luiz Antonio, Marllon, Arthur Sanches e Ramon (Magal); Aírton, Ibson, Renato Abreu e Adryan (Diego Maurício); Deivid (Negueba) e Hernane – Técnico: Joel Santana

O fedor da derrota

So Smells Defeat – George Grosz (1937 – Óleo)

Essa semana fui ao museu ver uma exposição do ilustrador alemão George Grosz. Lá vi um quadro que me fez pensar no Flamengo. Nesse mal-cheiroso Flamengo com o qual temos que nos confrontar hoje em dia. E a imagem me incomodou. E olha que o artista, contemporâneo aos primeiros passos do futebol rubronegro, retratou os horrores da primeira e segunda guerra mundial. Mas o que me incomodou mesmo foi essa imagem. Talvez porque as guerras já acabaram e fazem parte do passado. Diferente do Flamengo que tem suas feridas abertas, expostas para todo mundo ver na TV na hora do almoço e do jantar.

Observei o quadro sabendo que tínhamos um Fla-Flu centenário para celebrar. Não sou supersticioso, isso é coisa de botafoguense. Mas pude sentir o cheiro da derrota que viria domingo. Diga-se de passagem, mais uma bola fora do calendário da CBF. Afinal, já que fez o Flamengo jogar tantos sábados, o que custava colocar o clássico no dia do seu centenário: sábado, dia 7 de julho??? Mas é provável que os deuses do futebol me quisessem poupar de um desgosto no dia do meu aniversário.

Na mesma semana que descobriram a “Partícula de Deus” houve quem descobrisse também uma sub-atômica melhora no time do Flamengo. Ora, deixamos de perder a posse de bola para um time como o Atlético Goianiense e dominamos o meio campo contra o Fluminense. Que ilusão. O Abel, que pelo jeito odeia a história do centenário Fla-Flu, fez questão de dar a bola de presente pro Flamengo e contava com uma pixotada da zaga rubronegra pra ganhar o clássico. E veio logo num erro do Gonsalez, o gringo que chegou pra arrumar nossa zaga. Numa jogadinha pra lá de manjada, só ele não sabia que ia ser gol né? E tinha que sair dos pé do Thiago Neves, que mal apareceu no jogo. Apenas um pequeno retrato de Patrícia e Cia e sua capacidade de atirar bumerangues de merda em todas as direções. E o Flamengo do Joel?

O Flamengo, vestido de luto, com calções negros, e dois logotipos horrorosos no manto sagrado, para celebrar a incompetência, seguiu o roteiro traçado pelo Abel. Tocou a bola de lado, sem criar perigo e esperou a derrota. 100 anos atrás quando o os dois times se enfrentaram pela primeira vez nas Laranjeiras não se havia inventado ainda os técnicos retranqueiros. O responsável por escalar o time era o capitão do time. No caso o pioneiro Alberto Borghert, que saiu do Fluminense e fundou o nosso futebol centenário.

Os times se armavam no anacrônico e romântico 2-3-5.

Fluminense:
Laport; Bello e Maia; Leal, Mutz e Pernambuco; J. Calvert, E. Calvert, Berhucan, Bartholomeu e Oswaldo.

Flamengo: Otto Baena; Píndaro e Nery; Cintra, Gilberto e Gallo; Bahiano, Arnalgo, Amarante, Gustavo e Borghert.

Na Gazeta de Notícias fariam a resenha do match disputado no ground da Rua Guanabara, nas Laranjeiras.

“O jogo foi dos melhores a que temos assistido e, com surpresa geral, o Fluminense derribou o seu competidor por 3 goals a 2. O Flamengo não esteve nos seus melhores dias, tendo o seu jogo, em conjuncto, deixado muito a desejar. O ataque não foi dos melhores e emos que, as contínuas modificações que nelle operaram, foram mais prejudiciais do que aproveitaveis; mencionamos, todavia, Arnaldo, que muito se esforçou…”

“Dos halves mereceu especial destaque, pela sua brutalidade e nenhum jogo, o Sr. Gilberto, que até segundos nos parece, foi chamado à ordem pelo juiz.”

Sobre o ataque do Flamengo o Jornal do Brasil faria a seguinte análise:

“A linha de forwards esteve infeliz, Amarante e Borghert marcadíssimos pouco fizeram e Gustavo nunca o vimos jogar tão mal. Arnaldo foi o melhor da linha. Apesar da sua pouca edade fez passes precisos e marcou admiravelmente o primeiro goal, varando em uma escapada a linha de backs do Fluminense. Bahiano esteve regular como center-forward e pensamos que Arnaldo nesse lugar faria muito mais.”

Qualquer semelhança com o jogo de ontem é mera coincidência. O que o Flamengo de 1912 aprendeu foi que não bastava meia-dúzia de campeões para armar um time. Era preciso muito trabalho.

Trabalho que não vemos na Gávea. Basta lembrar que o último Fla-Flu foi em março. Apesar de termos ganho de 2 a 0 tampouco tínhamos nada a comemorar. E o fatídico empate com o Olímpia, que viria a seguir, não deixa dúvidas quanto a isso. O Flu veio com time reserva por causa da Libertadores e o Flamengo entrou com Paulo Victor, Rafael Galhardo, Marcos Gonzalez, David, Magal, Muralha (Romulo), Luiz Antonio, Kleberson, Thomas (Diego Mauricio), Ronaldinho Gaucho, Vagner Love (Deivid). Apesar do gol de pênalti do Ronaldinho Gaúcho, o primeiro em clássicos, ele acabaria expulso de maneira ridícula. E há quem diga que o Flamengo sente sua falta. De lá pra cá demos de presente Galhardo e David, e mandamos pra geladeira Muralha, Romulo (o queridinho do Joel) e Thomas. E ainda liberamos o Kleberson (pseudo-herói daquele jogo) e abduzimos o Deivid, talvez pra nos livramos dos milhões que devemos a ele. Se você vê alguma gestão de elenco nisso tudo me diz que vou te inscrever pro prêmio Nobel de Física.

Ah, sim! Mas veio o Ibson! O grande xodó da presidente, Patrícia Amorim. Que não jogou porcaria nenhuma ontem e já entrou na mira da imprensa e o “grande bombeiro” Joel Santana. Mas criticar o Ibson, é complicado, né? É mais fácil bater no Botinelli, que chutou duas bolas na lua e dizer que ele é o argentino mais sem sangue que existe. Depois disso a gente pede o Riquelme. Que carajo, Riquelme! La concha de tu hermana! Riquelme es un pelotudo! Me chupa un huevo y la mitad del otro!

Um garoto de 17 anos vai à fogueira e sai mais cascudo.

Vejam só o problema não é perder. Mas fazer apologia à derrota. Sim porque ao contrário do que o Joel Santana delira, não há nada de louvável nessa derrota. O Flamengo não jogou como o Barcelona. Os garotos foram entregues às feras. É um absurdo colocar Adryan e Luiz Antônio fora de posição e tendo que resolver. Ibson? Fora da posição. Botinelli, idem. Matheus? Na fogueira… Ora, logo logo o papai Joel vai por o Neguebinha no gol. Pobres das crias do urubu que são obrigados a comer a pior parte da carniça.

Mas o que mais me revolta é o Joel dizer que o Flamengo jogou bem. Como assim?! Zinho que se cuide, o Joel já está travando uma guerra pra receber a multa dele. Só pode ser isso. Só levamos perigo ao gol deles com uma cabeçada do Adryan, outra do Arthur Sanches (quem?), e um chute do Canelada. Meu amigo, se tivemos a bola durante quase 90 minutos isso me parece muito pouco. Quem vê qualidade nessa derrota que assine um atestado de mediocridade. Porque no Flamengo, meu amigo, devíamos odiar derrotar hediondas como essa. Como com certeza odiaram a derrota Alberto Borghert e cia pro clube que deixaram, cem anos atrás! Mas é notório que o Joel está mais vivo do que morto. E nós estamos loucos pra comer os restos dele. Claro, porque nunca atacaríamos a mamãe urubu que, com seus altos vôos de incompetência, nos condenou a mais vil das misérias: a mediocridade.

Fluminense 1 X 0 Flamengo

Local: Estádio João Havelange, Rio de Janeiro
Data: 8 de julho de 2012 (Domingo)
Árbitro: Wagner Magalhães (RJ)
Assistentes: Dibert Pedrosa (Fifa-RJ) e Rodrigo Joia (Fifa-RJ)

Cartão Amarelo: Fred, Deco, Bruno e Carlinhos (Fluminense); Marcos González, Ibson, Botinelli (Flamengo)
Gol: Fluminense: Fred, aos dez minutos do primeiro tempo

Fluminense: Diego Cavalieri, Bruno, Gum, Anderson e Carlinhos; Edinho, Jean, Deco (Valencia) e Thiago Neves (Wagner); Wellington Nem e Fred (Samuel)
Técnico: Abel Braga

Flamengo: Paulo Victor, Luiz Antonio, Marllon, Marcos González (Arthur Sanchez) e Magal; Amaral (Matheus), Renato Abreu, Ibson e Bottinelli; Diego Maurício (Adryan) e Vagner Love
Técnico: Joel Santana

PS: Os textos de jornais sobre o Flamengo de 1912 foram extraídos do livro “Uma Viagem a 1912 – Surge o Futebol do Flamengo” de Marcelo Abinader.

Santo Fla-Flu de 1999

Para não cometer ofensa à história do Centenário clássico Fla-Flu, jamais ousaria escrever sobre ele. Nelson Rodrigues e Mário Filho se contorceriam dentro do caixão. Deixo com vocês apenas as imagens de um jogo inesquecível.

Em 20 de janeiro de 1999 foi organizado um Fla-Flu para comemorar a data do padroeiro da Cidade do Rio de Janeiro, São Sebastião. Seria o primeiro jogo da temporada e também a reabertura da geral do Maracanã, depois de alguns anos fechada. Durante umas duas semanas o evento foi amplamente divulgado nos veículos de comunicação e o amistoso ganhava ares de decisão de campeonato. Mais de noventa mil pessoas compareceram para ver o duelo do time de Romário contra o de Túlio Maravilha, principal contratação do time das Laranjeiras para disputa da série C daquele ano.

Apesar do calor de mais de 40 graus, as pessoas que compareceram ao caldeirão do Maraca não se arrependeram nem um pouco do calor escaldante. Foi um jogão, com direito a oito gols, pênalti defendido e consagração de Romário. Uma exibição de gala daquele que seria o time campeão Estadual daquele ano. Destaque também para a ótima participação de Caio e do centroavante Marcelo (aquele que faria quatro contra a gente pelo Madureira em 2007).

Nada mais intenso do que um Fla-Flu.

Nada mais lindo do que a torcida do Flamengo no Maracanã.

Flamengo 5 x 3 Fluminense
20 de janeiro de 1999 –Troféu São Sebastião
Estádio do Maracanã – Rio de Janeiro
Público: 93.415
Árbitro: Ubiraci Damásio
Flamengo: Clemer, Pimentel, Fabão, Ronaldo, Athirson (Marco Antônio), Jorginho, Cleison, Beto, Iranildo (Rodrigo Fabri), Caio (Marcelo Santos) e Romário. Técnico: Evaristo de Macedo.
Fluminense: Adilson, Paulo César (Flávio), Gelson, Emerson, Nonato, Roberto Brum (Leandro), Jorge Luís, Bruno Reis (Marco Brito),Róger (Magno Alves), Roni (Artur) e Túlio. Técnico: Carlos Alberto Parreira.
Gols: Romário, aos 25 e 30, Emerson aos 32, Caio aos 36 e 44, Roni aos 39 do 1º tempo. Magno Alves aos 44 e Marcelo Santos aos 46 do 2º tempo.