A língua portuguesa é rica e vasta. Na última atualização do dicionário Aurélio, foram computados mais de 30 mil verbetes. E ano após ano são incorporados novos vocábulos ao nosso linguajar. Corre o risco de vermos na próxima edição desse conceituado dicionário o verbo flamengar. E viria com a seguinte definição: flamengar é a capacidade de entregar confrontos aparentemente decididos. Só na nossa história recente foram diversas as flamengadas. As derrotas para o América do México e Santo André; o empate com o Goiás em 2008, após estar vencendo por 3 a 0; empate com o Olímpia na Libertadores desse ano. Tiveram algumas flamengadas mais antigas como a derrota para o Bonsucesso em 1968, onde poderíamos empatar para sermos campeões da Taça GB; a derrota para o Serrano que nos arrancou o tetra estadual de 1980; empate com o Botafogo em 1989, que nos tirou a chance de liquidar o campeonato estadual daquele ano. Com certeza, vocês devem lembrar de outros micos históricos.
Apesar do time atual não me despertar mais nenhum sentimento nobre, muito menos confiança, resolvi comparecer ao duelo contra o Internacional. Só que depois que cheguei ao Engenhão, começou a bater depressão. O Estádio é bonito, mas estranho demais. Não tem acústica, o gramado fica longe da arquibancada e é desconfortável. Com ingressos caros, a classe média é maioria dos que comparecem aos jogos. E isso é prejudicial demais a um clube de massa como o nosso. Não me recordo a última vez que ouvi no Estádio o tradicional grito de Meeeeeeeeengo. Por que as Torcidas Organizadas só cantam músicas com gosto duvidoso e esquecem de gritar isso? E o cante comigo Mengão? Por essas e outras, visitar o Engenhão me entristece cada vez mais.
O jogo em si foi esquisito. Abrimos 2 x 0 em poucos minutos e parecia que íamos dar uma enfiada histórica na gauchada. Não pelo futebol apresentado pelo nosso time, mas pela fragilidade da defesa colorada. Engraçado que em nenhum momento, mesmo após abrir vantagem, a torcida empolgou. Ninguém mais confia no time do Joel e seus comandados. Isso ficou gritante quando o Inter diminuiu o placar ainda no primeiro tempo. Muitos palavrões já eram balbuciados entre os torcedores.
Veio a segunda etapa e logo no início, Love acalmou a torcida, fazendo 3 x 1. Até eu mesmo, que sou pessimista toda vida, já estava imaginando uma goleada. Como sou tolinho… Tomamos o empate e mais uma vez ficamos atônitos no estádio. Não se jogou mais e muito menos se ouviu incentivos. Não tínhamos mais força. A apatia tomou conta até de nossa torcida. Acabou o jogo e nenhum protesto. Uma vaia apenas. E o Engenhão foi-se esvaziando silenciosamente, triste e melancólico.
É… o Flamengo flamengou de novo.
Flamengo 3 x 3 Internacional
26 de maio de 1992 – Campeonato Brasileiro
Estádio: Engenhão – Rio de Janeiro
Público: 14.238
Árbitro: André Luiz de Freitas Castro
Flamengo: Paulo Victor, Léo Moura, Welinton, González e Magal; Aírton (Amaral), Luiz Antonio (Renato Abreu), Kleberson e Ibson; Ronaldinho Gaúcho (Deivid) e Vagner Love. Técnico: Joel Santana.
Internacional: Muriel, Nei, Rodrigo Moledo, Indio e Fabricio; Elton, Guiñazu, Josimar (Maurides) e Dátolo; Gilberto (Marcos Aurélio) e Dagoberto (Bollati). Técnico: Dorival Junior.
Gols: Airton, aos 8, Ronaldinho Gaúcho, aos 16 e Gilberto, aos 33 do 1º tempo. Vagner Love, aos 3, Fabricio, aos 21 e Dátolo 24 do 2º tempo.
















Foi uma noite memorável! Salão lotado de fãs, de ídolos e história. Mais uma vez agradeço por ter nascido Flamengo e feito deste clube a razão de minha vida. Momentos como esses, mal contados nas linhas acima, fazem tudo valer à pena. O esforço do dia a dia fica minimizado e, revigorado, sigo cantando ao mundo inteiro a alegria de ser rubro-negro.