Mais uma vez flamengamos

A língua portuguesa é rica e vasta. Na última atualização do dicionário Aurélio, foram computados mais de 30 mil verbetes. E ano após ano são incorporados novos vocábulos ao nosso linguajar. Corre o risco de vermos na próxima edição desse conceituado dicionário o verbo flamengar. E viria com a seguinte definição: flamengar é a capacidade de entregar confrontos aparentemente decididos. Só na nossa história recente foram diversas as flamengadas. As derrotas para o América do México e Santo André; o empate com o Goiás em 2008, após estar vencendo por 3 a 0; empate com o Olímpia na Libertadores desse ano. Tiveram algumas flamengadas mais antigas como a derrota para o Bonsucesso em 1968, onde poderíamos empatar para sermos campeões da Taça GB; a derrota para o Serrano que nos arrancou o tetra estadual de 1980; empate com o Botafogo em 1989, que nos tirou a chance de liquidar o campeonato estadual daquele ano. Com certeza, vocês devem lembrar de outros micos históricos.

Apesar do time atual não me despertar mais nenhum sentimento nobre, muito menos confiança, resolvi comparecer ao duelo contra o Internacional. Só que depois que cheguei ao Engenhão, começou a bater depressão. O Estádio é bonito, mas estranho demais. Não tem acústica, o gramado fica longe da arquibancada e é desconfortável. Com ingressos caros, a classe média é maioria dos que comparecem aos jogos. E isso é prejudicial demais a um clube de massa como o nosso. Não me recordo a última vez que ouvi no Estádio o tradicional grito de Meeeeeeeeengo. Por que as Torcidas Organizadas só cantam músicas com gosto duvidoso e esquecem de gritar isso? E o cante comigo Mengão? Por essas e outras, visitar o Engenhão me entristece cada vez mais.

O jogo em si foi esquisito. Abrimos 2 x 0 em poucos minutos e parecia que íamos dar uma enfiada histórica na gauchada. Não pelo futebol apresentado pelo nosso time, mas pela fragilidade da defesa colorada. Engraçado que em nenhum momento, mesmo após abrir vantagem, a torcida empolgou. Ninguém mais confia no time do Joel e seus comandados. Isso ficou gritante quando o Inter diminuiu o placar ainda no primeiro tempo. Muitos palavrões já eram balbuciados entre os torcedores.

Veio a segunda etapa e logo no início, Love acalmou a torcida, fazendo 3 x 1. Até eu mesmo, que sou pessimista toda vida, já estava imaginando uma goleada. Como sou tolinho… Tomamos o empate e mais uma vez ficamos atônitos no estádio. Não se jogou mais e muito menos se ouviu incentivos. Não tínhamos mais força. A apatia tomou conta até de nossa torcida. Acabou o jogo e nenhum protesto. Uma vaia apenas. E o Engenhão foi-se esvaziando silenciosamente, triste e melancólico.

É… o Flamengo flamengou de novo.

Flamengo 3 x 3 Internacional
26 de maio de 1992 – Campeonato Brasileiro
Estádio: Engenhão – Rio de Janeiro
Público: 14.238
Árbitro: André Luiz de Freitas Castro
Flamengo: Paulo Victor, Léo Moura, Welinton, González e Magal; Aírton (Amaral), Luiz Antonio (Renato Abreu), Kleberson e Ibson; Ronaldinho Gaúcho (Deivid) e Vagner Love. Técnico: Joel Santana.
Internacional: Muriel, Nei, Rodrigo Moledo, Indio e Fabricio; Elton, Guiñazu, Josimar (Maurides) e Dátolo; Gilberto (Marcos Aurélio) e Dagoberto (Bollati). Técnico: Dorival Junior.
Gols: Airton, aos 8, Ronaldinho Gaúcho, aos 16 e Gilberto, aos 33 do 1º tempo. Vagner Love, aos 3, Fabricio, aos 21 e Dátolo 24 do 2º tempo.

Vamos reviver?

Saudades…
De ver o Flamengo jogando no Rio
De ver o estádio lotado
De um maestro comandando o meio campo
De ver o Zinho brilhando pelo rubro-negro
De sapecar o Internacional
De ver a torcida feliz

Será que hoje iremos reviver todas essas emoções?

Flamengo 2 x 0 Internacional
31 de maio de 1992 – Campeonato Brasileiro
Estádio do Maracanã – Rio de Janeiro
Público: 79.606
Árbitro: Márcio Resende de Freitas
Flamengo: Gilmar, Charles Guerreiro, Wilson Gottardo, Júnior Baiano, Piá, Uidemar, Marquinhos, Júnior (Júlio Cesar Imperador), Zinho, Nélio e Gaúcho. Técnico: Carlinhos
Internacional: Fernadez, Pinga, Célio Silva, Daniel, Célio Lino, Simão, Marquinhos, Zinho (Leco), Elson, Lima (Luiz Fernando), Gérson. Técnico: Antônio Lopes
Gol: Júnior, aos 37 do 1º tempo e Zinho, aos 9 do 2º tempo.

Wallpaper – Flamengo 1912

O Acima de Tudo Rubro-Negro presta aqui uma humilde homenagem àquele saudoso time de 1912 formado pelo visionário Alberto Borghert. Um presente para os leitores do blog, que com certeza amam o passado do clube assim como nós amamos.

Para fazer o download clique na imagem para ver o papel de parede em alta resolução. Clique na imagem com o botão direito e salve no seu computador.

E viva o centenário futebol do Clube de Regatas do Flamengo!!!

PS: Esse wallpaper não fica legal com a tua configuração de tela? Deixa um comentário com tua resolução e eu tentarei fazer uma versão. SRN!

28 Dias Sem Flamengo – Geraldinos e Arquibaldos – Dias 14 a 28

Adivinha em quem eu pensei?!?

Talvez vocês devem ter percebido que eu tirei umas férias de Flamengo. Pois é, aproveitei a vinda do meu pai à ilha e me afastei do noticiário da Gávea. Fez bem à minha cabeça. Passei a última metade desses 28 Dias Sem Flamengo fazendo turismo por Mallorca, visitando lugares maravilhosos, saboreando boa comida e curtindo o carinho de pessoas queridas. Tentei ficar longe da Patrícia, do Joel, do Ronaldinho, do Levy, do Cascão, etc.

Também aproveitei pra começar a ler “Uma viagem a 1912 – surge o futebol do Flamengo”. Descobri que o meu xará Gustavo Carvalho além de ter sido o primeiro goleador do Flamengo (5 gols na goleada contra o Sport Club Mangueira) foi o primeiro jogador a sair do clube para ir à Europa.

Gazeta de Notícias: 23 de maio de 1912:

A bordo do paquete alemão Cap Finisterre parte para a europa no dia 8 de junho próximo o esimado foot-baller Gustavo Carvalho, in-si-left do primeiro team do Club de Regatas Flamengo. Os seus companheiros de team offerecm-lha na véspea de sua partida um jantar no Restaurant Madrid, devendo falar em nome dos seus companheiros, offerecendo o jantar e apresentando votos de boa viagem, o Sr. Alberto Borgerth, outh-side-left e captain do mesmo team. O Sr. Gustavo de Carvalho demorar-se-á no velho mundo dous anos.

O interessante é que inside-left demoraria mais tempo e só voltaria ao clube em 1917 para jogar ao lado do mítico Friedenrich e marcar o primeiro gol rubronegro em jogo internacional, contra o Sportivo Barracas da Argentina. Será que foi o primeiro duo cria-da-base-craque-mediático? Fiquei cabreira de saber a história do Gustavo de Carvalho, a que país ele foi? O navio era alemão, mas o nome se refere ao mítico Cabo Finisterra, na Galícia. E pode ter perfeitamente a grafia catalã para o acidente geográfico onde os romanos pensavam que o mundo se acabava. E essas linhas aparecem na página 77, ano em que eu nasci. Para deixar qualquer Gustavo rubronegro expatriado na europa maluco.

Achei esse barco vascaíno no Porto de Andratx. Assim fica difícil esquecer o Mengão.

Volta e meia nessas minhas férias das férias do Flamengo, surgia alguma coisa que me lembrava do Flamengo. Eis aqui um exemplo. Fiz uma excursão ao Arquipélago de Cabrera e o capitão do barco ao descobrir que eu era brasileiro me mostrou uma caneca… do Clube de Regatas Vasco da Gama. Não sei como nosso barco não afundou na volta, mas prometi enviar a ele uma caneca do melhor clube de regatas do brasil e do mundo.

A ilha de Cabrera mais parecia o paraíso mas descobri na volta que o capitão do barco era um galego vascaíno e fiquei bastante cabreira.

Um dia desses lendo o livro/viagem de 1912 encontrei essa passagem. Jogavam Flamengo e Payssandu, terceiro e primeiro colocados no Campeonato da Liga Metropolitana (Carioca) de 1912. Os únicos invictos na quarta rodada. O Payssandu (o carioca, e não o que eliminou o Sport da Copa do Brasil), era um time formado por jogadores ingleses: Goggin; Smart, Pullen; Wood, Robinson, Mac Intyre; Monk, Pullen, H. Robinson, S. Pullen, Martin. Pelo Flamengo jogavam: Baena; Píndaro, Nery; Gallo, Gilberto, Coriolano; Alberto, Gustavo, Amarante, Arnaldo, Bahiano.

O Jornal do Brasil de quinta-feira, 13 de junho, publicou o seguinte diálogo.
As faces de uma formosa Patrícia, que estava no ground do Fluminense estavam afogueadas… com o ardor do seu partidarismo, quando indagávamos:

- A sta. tem apreciado o jogo?
Sta. X – Não me agrada muito…
Reporter – … porque o Payssandú tem 1 goal? Ainda restam 40 minutos e…
X (frenética) – Não é pelo tempo, (tristemente) Elles são pezados…
R – O peso não influe, Senhorita, a agilidade é que…
X – Qual, eles são franzinos; olha os dous in-sides.
R – Pensa que a victoria sorrirá para o Flamengo?
X – O equilibrio é evidente; só a sorte mas… ella é tão ingrata.
R – É partidária do Flamengo?
X – Não (altiva) Sou partidário de todos os teams nacionaes.
R – E quando jogam dous nacionaes?
X (perturbada) – Para… para…
R – Para?!…
X – O mais symphatico…
R – Qual prefere, dos da Liga?
X – O Fla…
R – O Fluminense? (adiantamos)
X – Flamengo (disse-nos um tanto contrariada)

Essa foi a primeira derrota da história do Flamengo. Flamengo 1 – 2 Payssandu. Depois da derrota o Flamengo viria a perder o campeonato para o Payssandu, ficando em segundo lugar. O Vice ainda não tinha sido inventado em 1912. Até acho que essa moça não se chamava Patrícia. É apenas um erro de grafia, pois acho que o correto é o adjetivo patrícia. Afinal no resto da entrevista o repórter galã usa Sta. X para preservar sua identidade. Mas é incrível a coincidencia. Será que é a primeira “Patrícia” relacionada ao Flamengo num documento?

Não sei se um dia encontrarei a resposta para isso. Só sei que encontrei em colonia Sant Jordi uma placa que me fez lembrara Patrícia. Será que a nossa presidenta caminha de pé-de-pato? Bom depois de perder pro Payssandu em 1912 o Flamengo contratou um tal Frederico Cavalcanti do Sport Club Recife. Não encontrei mais nada sobre o tal Frederico.
Caiu no esquecimento. Como caiu no esquecimento a escalação do Sport Clube de Recife de 1987, campeão da segunda divisão no par-ou-ímpar. Assim como espero que caia logo no esquecimento esse Flamengo da Patrícia Amorim. Ou esse empate horroroso do sábado. Alô? Procon? Quero me Flamengo de volta! Maldita hora que as nossas férias se acabaram. Que ilusão, não consegui me desconectar nem um dia da Podetobeland. Ainda demorei 28 dias para perceber que esse Flamengo do Parquinho existe muito mais fora dos campos de futebol do que dentro deles. Que quanto menos joga mais notícias é capaz de gerar. Que venham outras Patrícias mais relevantes para a história do clube.

Essa música vai para você que se chama Patrícia e torce realmente pelo Flamengo. As Patrícias, Joéis e Ronaldos que a cada fim de semana se vestem de Geraldinos e Arquibaldos e vivem o nosso Mengão sem receber nada em troca.

Saudações rubronegras!

PS. Boa sorte ao Ibson. Já que ele parece gostar mais do Flamengo do que da própria carreira só posso desejar-lhe boa sorte.
PS2. Boa sorte Zinho, duas vezes. Você vai precisar.
PS3. Feliz dias das mães, dona Andyara! Obrigado por me fazer rubronegro!
PS4. Eu criei o time C.R. Finisterre em homenagem ao Gustavo de Carvalho no Catola FC. Se increve na nossa liga: ADTRubroNegro. Comecei em sétimo na primeira rodada. Sempre me acompanha o número sete

Nota: Você está lendo meu diário de abistinência de Flamengo no futebol. Para ler os dias anteriores siga o marcador 28 Dias Sem Flamengo ou visite o índice em ordem cronológica.

Parecidos, mas nem tanto…

Geralmente rubro-negros se respeitam. Cada um torce pelo seu time, mas quando não se enfrentam, querem o sucesso do “co-irmão” em seus respectivos campeonatos estaduais. Mas isso não se aplica ao duelo Flamengo e Sport. Existe um ódio mortal entre as torcidas e dirigentes. Tudo por causa do Campeonato Brasileiro de 1987. Nem vou discutir pela enésima vez sobre aquela conquista. Disputamos a 1ª divisão e eles a 2ª, então já sabemos quem é o campeão.
Jogar na Ilha do Retiro sempre foi duro, mas não chega a ser nenhuma façanha derrotar o falso rubro-negro. Inclusive já ganhamos deles duas vezes com o mesmo placar, com gols quase idênticos e com o camisa 11 sendo o autor em ambos. Romário decidiu o jogo pelo Campeonato Brasileiro de 1999 e Edílson Capetinha foi o carrasco pela Copa do Brasil 2003.

Sport 0 X 1 Flamengo
21 de agosto de 1999 – Campeonato Brasileiro
Estadio da Ilha do Retiro – Recife
Publico: 30.520
Árbitro: Luciano Augusto Almeida
Flamengo: Clemer, Pimentel(Beto), Luís Alberto, Fabão, Athirson, Jorginho, Leandro Ávila, Leonardo Inácio(Rodrigo Mendes), Fabio Baiano(Maurinho), Romario e Leandro Machado. Técnico: Carlinhos
Sport: Albérico, Sandro Blum, Marcio Goiano (Jorge Ramos), Sangaletti, Edson Canhão, Saulo, Emerson, Juninho Petrolina, Reinaldo, Wallace (Nildo), Leonardo (Leandro Tavares). Técnico: Ricardo Gomes
Gol: Romario, aos 43 do 1º tempo.

Sport 0 X 1 Flamengo
21 de maio de 2003 – Copa do Brasil
Estádio da Ilha do Retiro – Recife
Árbitro: Héber Roberto Lopes
Flamengo: Julio Cesar, Luciano Baiano, Valdson, Andre Bahia, Athirson, Fabinho, Jonatas(Fabiano Eller), Fabio Baiano(Igor), Felipe, Edilson(Fernando Baiano), Jean. Técnico: Nelsinho Batista
Sport: Maizena, Gaúcho, Silvio Criciúma, Juninho Goiano, Carlinhos, Ataliba, Fernando César (Djalma), Cleber Santana, Nildo (Fabinho), Júnior Amorim (Ricardinho), Clayson Rato. Técnico: Hélio dos Anjos
Gol: Edilson, aos 39 do 1º tempo.

Que venha mais um duelo e que se possível o nosso camisa 11 resolva o jogo mais uma vez. Se o gol puder ser igual, melhor ainda. E no confronto de hoje, o que acha que vai acontecer? Arrisquem seus palpites.

 

Diretorzão ou DiretorZinho?

Crizam César de Oliveira Filho, o Zinho, revelado no Flamengo em 1986, meia-armador, ídolo não só de Flamengo e Palmeiras, mas de todo Brasileiro que junto com ele comemorou a conquista da copa de 94. Boleiro, teve a oportunidade de atuar ao lado de Zico, Andrade, Leandro e Junior.

Que Zinho é um cara admirável, jogador determinado, com visão, e que faz a diferença dentro de uma equipe, todos nós sabemos. Mas o que podemos dizer de Zinho Diretor de futebol? Após prospectar outros nomes, e obtendo recusa, eis que o Rubro Negro recebe um aceite por parte de Zinho. Naturalmente surge a duvida: por que ele aceitou a proposta? Se estivéssemos em boa fase, com uma diretoria ajustada, com uma relação Clube x torcedores favorável, era de se compreender. O que não compreendo é o otimismo em assumir um papel onde não deu certo nem para Zico!
Ou seremos obrigados a digerir que Zico não tinha competência para tal cargo?

Não tenho duvidas da importância de uma figura do Homem-Forte no futebol, principalmente no Flamengo, onde encontramos o elenco de futebol desregrado, desajustado e sem sintonia. Por outro lado, me preocupa diante da gestão de nossa atual mandatária, assumir tal legado e ser mais um a sofrer ingerência externa tornando-se apenas uma figura, sem autonomia e poder de decisão. Refletindo no futebol a desorganização que estamos enfrentando desde 2010.

Assumir o cargo, abraçar o desafio ter identificação com o clube, seriam ingredientes fundamentais se não estivéssemos fadados ao fracasso da gestão Amorim.
Transformaram o Gigante Flamengo em um time formador de estrelinhas, de torcida de cornetas, e do retrocesso profissional. São jogadores que não entendem o peso do manto que vestem. Torcida que desaprendeu a curtir o Flamengo, e profissionais que são apontados e evidenciados por erros a todo instante. Saímos das páginas de esportes, para destaque em páginas de fofocas. Até o torcedor mais Amélia, me enquadro nesta categoria, não consegue encontrar motivos para apanhar tanto.
Diante de todo exposto, fica a duvida: o que esperar de Crizam César de Oliveira Filho? Será um Diretorzão ou um DiretorZinho?
Muita coragem em apostar em variáveis imprevisíveis. Vamos acreditar que será para o bem de uma nação que merece respeito.
Continuarei a rezar para São Judas nos amparar. Fiquem com Zico.

Marcellinha Miranda – @MarcellinhaRJ
#NadaImportaSemOFlamengo

Vestiu rubro-negro não tem pra ninguém: Zico

O Acima de Tudo Rubronegro tem a honra de inaugurar uma série de
pequenas entrevistas com personagens fundamentais do Rubronegrismo.
Serão sempre quatro perguntas feitas por nós e uma última que o
próprio entrevistado fará ao entrevistado seguinte.

Na estréia de gala, pisa o tapete vermelho Arthur Antunes Coimbra,
Arthurzico nas ruas de Quintino, Zico no Maior Estádio do Mundo,
Zicão-Zicaço no vozeirão de Jorge Curi, Rei de Todos Nós.
Obrigado, Zico. Por tudo.

O camisa 10 da Gávea. Ilustração: Gustavo Berocan

ADTRN: Como torcedor do Flamengo, sabemos que seu ídolo era o Dida.
Mas qual o momento mais marcante que você viveu como torcedor?

Zico: Foi no campeonato carioca de 1963, quando Fla e Flu empataram
em 0×0 e esse resultado deu o título ao Fla. O público de 177 mil
pagantes é recorde até hoje entre clubes e foi uma loucura ver o
Maraca vibrando em vermelho e preto.Tinha 10 anos e estava com meus
irmãos Edu e Tunico na tribuna. Meu irmao Antunes estava na
arquibancada.

ADTRN: Ultimamente você mostrou em programas de televisão o Manto
Sagrado usado em Tóquio. Quais outras camisas você guardou e qual você
acha mais bonita, já que jogou com vários modelos?

Zico: Tenho várias camisas, até do meu tempo de juvenil. Acho mais
bonita a tradicional, com listras pretas e vermelhas menores.

ADTRN: Quando você foi para a Itália, continuou ligado emocionalmente
ao clube? Procurava saber dos resultados?

Zico: Acompanhava, claro, e tinha um canal (Rettequatro) que passava
alguns jogos direto.

ADTRN: Das músicas que a torcida cantava na arquibancada, qual sua favorita?
Zico: Aquela que começa com Oh meu MENGÃO, eu gosto de você, quero
cantar ao mundo inteiro a alegria de ser rubro-negro…

ADTRN: No livro “Zico conta a sua história” você disse que com a
chegada do Lico o time de 1981 ficou completo. Que pergunta você faria
ao Lico?

Zico: Gostaria de saber do Lico em qual posição no futebol ele
gostava de jogar e se sentia melhor e aproveito para enviar um grande
abraço para ele e toda a família.

Somos rivais, não somos inimigos

Caros amigos torcedores,

Continuo sem a menor vontade de escrever sobre o Flamengo. Em parte pelas notícias ridículas que brotam da Gávea a cada segundo.A única boa notícia que tive ontem é que a CBF adiantou o Flamengo x Sport pro dia 17. Isso quer dizer que nossos 28 dias sem Flamengo na verdade serão 27. Mas isso é um detalhe sem importância. Tínhamos todos os motivos par estar comemorando. Mas lamentavelmente a um torcedor lhe foi covardemente usurpado o direito de vir a esta festa, por isso continuo de luto.

Em memória desse rubronegro recém falecido eu abro espaço ao vídeo de um amigo vascaíno que também está triste com a morte de mais um torcedor. Morte que infelizmente aconteceu ontem, depois do incidente do domingo passado, data da semi-final entre Vasco e Botafogo. Faço minhas as palavras de todos que falam no vídeo, independente das cores que vestem. Envio um abraço a todos esses torcedores que participam do vídeo.

E um abraço às torcidas do Goiás, Vila Nova, Sport, Nautico, Coritiba, Atlético, Figueirense, Avaí, Remo, Paysandu… e tantas outras que não estão representadas no vídeo. Eu tenho certeza de que todos pensamos igual: o futebol tem que ser sempre motivo de alegria, de celebração, de comunhão. Nunca deveria ser motivo de ódio, violência ou luto.

Paz para todos vocês!
Um torcedor

Nota: Você está lendo meu diário de abistinência de Flamengo no futebol. Para ler os dias anteriores siga o marcador 28 Dias Sem Flamengo ou visite o índice em ordem cronológica.

Uma noite 100sacional

Existem momentos em gostaríamos que perdurassem para sempre. Tive essa sensação ao participar do evento Papo Rubro-negro, homenagem ao centenário do Futebol do Clube, realizado na sede social da Gávea e organizado pelo Museu do Flamengo.
De cara, foi impactante chegar a um ambiente festivo e recheado de emoção. Uma verdadeira viagem no tempo onde era possível admirar camisas históricas, troféus e fotos, além da presença de jogadores atuais, outros das divisões de base e ex-jogadores.

Foi difícil fingir naturalidade com o que presenciava, aliás, a tentativa de controlar a emoção durou menos de 10 minutos. Virei criança e, sem cerimônia, comecei a tietar meus ídolos. De cara fui falar com o Maestro Júnior. Lembrei da minha amiga Marcellinha que sempre sonhou conhecê-lo. Sei que ela merecia esse momento mais do que eu, mas o Capacete foi um dos meus heróis e não poderia sair dali sem uma foto. Depois foi a vez de Cantareli, Rondinelli, Manguito, Vítor, Renato Carioca

Mais adiante, avistei Silva Batuta. Não deixei escapar a oportunidade de abraçar o camisa 10 dos anos 60. Ídolo da massa, dono de uma habilidade ímpar e um canhão nos pés. Após a foto e agradecimento pela sua carreira, pedi para ele visitar meu blog para rever alguns dos seus gols, mas me olhou com uma cara típica de quem não é habituado com essa “modernidade”. Outro momento marcante foi o papo com Paulo Henrique. Meu amigo Renato Croce, do blog FlaManolos, quase chorou ao ouvir dele que, em sua época de jogador, assinou 9 contratos em branco com o Mengo. Simplesmente era apaixonado pelo clube e o dinheiro era o menos importante. Esses caras eram absurdamente Flamengo.
Deixei de tirar muitas fotos e de conversar com outros jogadores como Nelsinho, Gilmar Popoca, Jorginho (meio campo que jogou entre 1997 e 2003), pois não sabia o nome de muitos que estavam os acompanhando, e não achava justo chamar alguém da roda de bate-papo para tirar foto apenas com o mais famoso. Também foi comoventemente triste a quantidade de ex-jogadores anônimos e esquecidos. Senti-me mal, pois dava para perceber o quanto queriam um pouco de atenção e reconhecimento, mas minha falta de memória e desleixo também contribuiu para esse descaso.

Fiquei muito feliz com dois jogadores do time atual, Luis Antonio e Renato Abreu. O tempo todo com sorriso nos rostos, brincando entre eles e com as crianças. Conversavam com qualquer um que os procuravam e em outros momentos admiravam os vídeos que eram exibidos sobre os títulos rubro-negros. Sabiam exatamente a importância do evento e a dimensão do amor de todos pelo Flamengo. Assim como eu, foram os últimos a sair, praticamente expulsos pelos funcionários que já recolhiam o material da exposição.

Foi uma noite memorável! Salão lotado de fãs, de ídolos e história. Mais uma vez agradeço por ter nascido Flamengo e feito deste clube a razão de minha vida. Momentos como esses, mal contados nas linhas acima, fazem tudo valer à pena. O esforço do dia a dia fica minimizado e, revigorado, sigo cantando ao mundo inteiro a alegria de ser rubro-negro.

Descanse em Paz, torcedor!

Caros amigos torcedores,

Todo dia tenho escrito aqui sobre os mais diversos assuntos relacionados ao futebol, tentando de todas as maneiras possíveis dar um alento ao rubronegro. A você torcedor do Flamengo, que como eu ficou esses 28 dias privado de ver o time em campo. Mas também a qualquer amante do futebol. Hoje infelizmente vou dar um tempo nas minhas cornetadas, no meu diário, nos desenhos, nas músicas, em tudo.

Hoje morreu mais um torcedor. Mais uma morte no futebol. Infelizmente um dia depois do centenário do nosso futebol temos mais um torcedor morto. Brutalmente assassinado. Outro amante do futebol covardemente aniquilado por supostos torcedores. Penso que não deveríamos jamais chamar um assassino de torcedor. E temos que lamentar mais uma morte relacionada às “torcidas organizadas”. Faz poucos dias escrevi do bacana que era a rivalidade entre Flamengo e Vasco antigamente. Escrevi que lamentava a morte do vascaíno Dicró.

Sinceramente não me importa mais ou menos por ser rubronegro ou por pertencer a esta ou aquela facção. Não posso falar de futebol diante de um fato como este. Só posso lamentar e torcer para que não seja mais uma morte sem justiça. Que não seja só mais um número para as tristes estatísticas de violência relacionada ao futebol no Brasil. Não posso admitir que por usar umas cores alguém possa ser assassinado friamente diante de várias testemunhas. Não quero mais escutar esse silêncio, essa indiferença. O cara morreu! Não é normal! Não tem nada mais importante hoje a ser noticiado, comentado, discutido, lamentado sobre futebol!

Só posso torcer para que a sociedade encontre um caminho para solucionar isso. Que não sejam as mesmas medidas hipócritas de cada temporada. Que haja uma verdadeira mudança de mentalidade e atitude entre autoridades e torcidas. O nosso centenário e alegre futebol merece isso. Nossos estádios cada dia mais vazios pedem isso. A Copa do Mundo de 2014 clama por isso. Que assim seja, ou todos assistiremos pela TV o fim do futebol no “País do futebol”.

Fica aqui o meu dia de silêncio.

Descanse em paz, torcedor!

Saudações rubronegras,
Um torcedor.