Ontem a Nação Rubro Negra estava revolucionada. O motivo: a entrevista da Patrícia Amorim no Arena Sportv. Eu não vi a entrevista, mas vi as reações. Já não consigo mais acompanhar a torrente de declarações infelizes da vereadora. Sim, digo vereadora porque a cada aparição pública ela mostra que aprendeu direitinho o ofício de política profissional.
Pelo jeito os jornalistas do Sportv e Patrícia Amorim se inspiraram na revista Mad e sua mítica seção “Respostas cretinas para perguntas imbecis”. A pergunta que fica é: será que os jornalistas fizeram um mau trabalho? Ou apenas fizeram o que lhes foi ordenado? Quem sabe se a Presidenta tem colaboradores nas altas esferas dessa TV? O que é certo é que onde pisa Patrícia Amorim já se respira um ar com baixíssimo teor de credibilidade.
Acontece que a Patrícia, boa nadadora se assemelha a uma enguia. Esse peixe que mais parece uma cobra e que é dificilíssimo de pegar, escorrega das mãos. E cuidado porque se você não estiver devidamente protegido é capaz que ela solte uma de suas perigosas descargas e te frite. Foi assim com Marcos Braz, Andrade, Zico, Luxa e agora na véspera da semi-final do carioca ela já mostra seus dentinhos para Ronaldinho e Joel.
O papel de vítima feito por Amorim na entrevista já conhecíamos. É patético. Considero uma ode ao machismo. Ela devia ser mulher o bastante para ser responsável pelos próprios atos. Quer tirar dinheiro do futebol e colocar em modalidades menos rentáveis. Que o faça! Mãs não às escondidas, burlando a contabilidade do clube e as reações dos associados e torcedores. Mas ela como bem disse quando é difícil decidir ela acha melhor não decidir nada. Nossa comandante é profissional nisso de não decidir nada. E seguimos nesse barco sem rumo.
O que não esperava era que ela tivesse a cara-de-pau de citar o CT cujas obras estão atrasadas, ou os milhões de camisas que o Flamengo vende, quando trama romper o contrato com a Olimpikus. Realmente é lamentável que uma instituição do tamanho do Flamengo não seja mais transparente. Também é lamentável que um jornalista não venha preparado ou com a mínima vontade de contestar os dados demonstrados pela Patrícia Amorim. A acareação entre os dados da atual e da anterior diretoria já devia ter sido feita há muito tempo.
Mas há um fato que não podemos esquecer. Quando Patrícia Amorim praticamente faliu o basquete rubro negro, João Henrique Areias veio ao resgate. Era no ano de 2009 e a administração de Márcio Braga, com certa razão cortou a torneira dos esportes olímpicos. O Fla Basquete só viu uma mudança de panorama com a chegada de Areias e suas boas idéias de Marketing. Acontece que na hora de levantar o troféu Márcio Braga chamou Patrícia Amorim para o palanque. Estamos até hoje pagando os dividendos desse pequeno “lapso protocolar”.
Hoje temos que ver essa troca de e-mails pública com a certeza que a verdade não está em nenhum dos lados – justo ao contrário que a incompetência. De qualquer forma, parece que agora Patrícia encontrou a forma de financiar seu capricho olímpico: o centenário futebol do Flamengo.
O Flamengo surgiu do remo, daqueles 6 rapazes que compraram um barco velho pra disputar regatas. Mas daquele memorável 1895 até hoje a Nação Rubro negra virou sinônimo de Maracanã lotado e legendários jogos de futebol. O centenário futebol rubro negro é, portanto, mais velho que a sede da Gávea, incluídas suas piscinas. A vereadora, com suas cartinhas míopes de pré-campanha, não faz mais do que desrespeitar essa história. Logo esse ano, em que devíamos estar celebrando cem anos de paixão futebolística.
A grandeza do Flamengo não é portanto medida em nada material. Não é a sede da Gávea, nem as desbotadas frases de seus muros. Não é uma piscina em que Cesar Cielo se nega em treinar, nem as pistas de tênis que não criam campeões. Não é o acanhado ginásio de ginástica olímpica, ou o minúsculo ginásio de basquet ou a sala de fisioterapia onde vem até uma atleta do Fluminense se tratar (com que dinheiro?). Se a Gávea existe, aliás, é porque depois da perda do campo da rua Paissandu o clube precisava de um lugar pra jogar futebol.
É notável como só a torcida do flamengo é capaz de vislumbrar a grandeza do Flamengo. É até curioso que com suas declarações a Patrícia Amorim tenha conseguido um fenômeno contrário a suas ações. Uma enquete do Arena Sportv ontem revelou grande rechaço dos rubro negros para com os demais esportes. Será a ex-nadadora capaz de transformar o Clube de Regatas do Flamengo, involuntariamente, no Flamengo Futebol Clube? Observe o que opinam 3 entre 4 rubro negros…
Sinceramente se dependesse de mim, que já nadei naquelas piscinas, a Gávea deixaria de ser a sede do clube. Tratores destruiriam tudo aquilo e construiria um estádio de futebol para o Flamengo. No estilo dos estadios espanhóis quadrados (Bernabéu, Cornellá, Catedral…) que pudesse receber também os grandes clássicos. Que nos desse a carta de alforria do Engenho de Dentro, das decisões da FERJ e do encolhido e descaracterizado Maracanã. Mas sem aquela história de shopping center no estádio. Pena que ao longo das décadas o bairro se aburguesou e hoje os seus vizinhos são contrários até a construção de uma estação de metrô.
Reverter a mentalidade pequena desses vizinhos e dos atuais sócios do clube. Isso sim seria um ato de grandeza de uma presidente. Ter noção que o clube vai além daquelas paredes em péssimo estado de conservação. Ter a consciência da tristeza que nos causa aos rubro negros ver aquela arquibancada em ruínas. O Flamengo é grande, enorme, gigantesco, infinito. A Gávea só tem um jeito de ser grande, acompanhar os passos do futebol.
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