28 Dias Sem Flamengo – Flamengo, Piranha! – Dia 08

Desgraçado diário,

Acordei com uma dor-de-cabeça do cão. Por isso não estou pra desenhar, nem escrever muito. Fecho o dia para balanço. Afinal não consigo tirar uma imagem da cabeça. O amigo @Cassiourubu não tem misericórdia de mim, fica me bombardeando com links da vereadora. Dessa vez ele pegou pesado.

Não é preciso PHD em Semiótica para entender que afundar a bandeira do futebol do Flamengo numa piscina, principalmente nessas 4 semanas desgraçadas, é um ato de péssimo gosto. Não sei a razão, mas desde que vi a foto acima não páro de pensar nessa canção. Pior que isso, escuto umas piranhas cantando isso enquanto devoram meu cérebro por dentro.


“Piranha eu sou de coração! Flamengo até debaixo dágua. Quem fala mal do clube campeão, ou é de inveja, ou é de mágoa…”

Me sinto como se tivesse pulado três anos de carnaval no bloco “Se melhorar afunda”. Aí hoje, dia de recuperarmos nossos músculos abdominales da enésima vicelada do bacalhau, soltam sorrateiramente um tal “balanço mas não caio 2011″

Balanço patrimonial 2011

Se quiser mergulhar nesse pântano, boa sorte. É demais para minha cabeça. Vou ali tomar um Engov… A gente se fala amanhã.

PS: Que conste. Eu não tenho nada contra as piranhas.

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28 Dias Sem Flamengo – Sete de Setenta e Oito – Dias 06 e 07

Desgraçado diário,

Hoje é domingo dia 29 de abril. Ando pensando muito no tempo. No tempo que a diretoria do Flamengo perde a cada ação, a cada declaração, a cada segundo. No paso atrás no tempo que cada ação dessas significa. Nos timelapses que podia estar fazendo enquanto escrevo sobre Patética Amadora e sua turma. No tempo que falta pros livros sobre o Flamengo chegarem às minhas mãos. No tempo que dedico a esse blog e ao Flamengo.

Também penso: para que escrever sobre o dia de ontem se hoje é um domingo. Domingo é dia de ver o Flamengo. Domingo, 29 de abril. Daí resolvi fazer uma viagem no tempo. O que aconteceu de relevante na história do Flamengo num dia 29 de abril? Para estas horas é bacana fazer uma busca na Flapédia, no Flaestatística e no Flamuseu.

Eu sou um verdadeiro desastre para datas. Sou capaz de esquecer que esse 29 de abril é também aniversário da minha irmã. Acho que é uma maldição por eu ter nascido no dia 07/07/1977 (aniversário do primeiro Fla-Flu). Por eu ter essa data fácil acho difícil lembrar qualquer outra. Ainda bem que para isso existem os livros, os historiadores, as hemerotecas, a Wikipédia, a Flapédia, os blogs como o Flamuseu…

Daí você descobre que é aniversário do Fábio Luciano e da nadadora Joanna Maranhão. Até o calendário está me provocando? Aliás parabéns ao time de natação campeão do Troféu Maria Lenk. Acho injusto torcer contra gente que rala pelas cores do time. Parabéns até à vereadora Patrícia Amorim por alcançar esse objetivo. Gostei da declaração dela. Ela tem toda razão quando diz que não acreditamos no trabalho dela. Continuo sem acreditar. Aliás é tanta besteira que leio sobre o Flamengo que prefiro não acreditar em nada…

Prefiro sonhar com o dia que o Maria Lenk será nosso. Não o troféu, mas o complexo de piscinas onde treina o César Cielo. Quem sabe assim podemos destruir as piscinas da Gávea e contruir outra coisa lá. Mas isso é um sonho, a realidade são essas notícias surrealista que saem mais rápidas que o twitter. Nem perdo o tempo de listar nada hoje, estou de folga de baboseira. De bom só a goleada da molecada sobre o Nova Iguaçu: 11×0. Rola até um arrepio só de ver o manto sagrado em campo. E o Jean Chera calou minha boca com aquele golaço de falta. Boa, moleque. Continue assim…

Fuçando mais sobre o 29 de abril descobri que hoje é o aniversário da nossa primeira derrota pro Vasco. Em teoria seria o primeiro jogo entre as equipes mas a Flaestatística contesta isso. Para eles o Flamengo teria vencido o primeiro jogo entre as equipes no dia. É bacana que até nisso exista rivalidade. Infelizmente, na rua Payssandu não existe lembrança daquele campo. Pelo menos não encontrei nada. Também acho que não existe nada no Bar Lamas, no largo do Machado, onde fundaram o Flamengo.

C.R. Flamengo 1 x 3 Vasco da Gama
Campeonato Carioca – 1º Turno
29/04/1924 – Estádio: Rua Paysandu – Rio de Janeiro
Time: Ibere, Penaforte, Telefone, Japonês, Odilon, Dino, Orestes, Sidney Pullen, Nono, Junqueira e Benevenuto.
Gol: Junqueira.

C.R. Flamengo 1 x 0 Vasco da Gama
Torneio Início
26/03/1922 – Estadio: Laranjeiras – Rio de Janeiro
Time: Kuntz, Telefone, Penaforte, Rodrigo, Sidney Pullen, Dino, Galvão Bueno, Candiota, Nonô, Segreto e Orlando.
Gol: Segreto

90 anos vira notícia que o Galvão Bueno se declarou rubronegro. Grandes merdas! O verdadeiro Galvão Bueno jogou no Flamengo nos anos 20 e destroçou o bacalhau por primeira vez! Outro dia foi aniversário da pior derrota que já sofremos pro Vasco também. Imagina o que devem ter sofrido Floriano, Leo, Helcio, Flavio Costa, Penha, Fonseca, Darci, Adelino, Vicentino, Elói, Nelson, Alvaro e Cassio.

C.R. Flamengo 0 x 7 Vasco da Gama
Campeonato Carioca – 1º Turno
26/04/1931 – Estádio: São Januário – Rio de Janeiro
Time: Floriano, Leo, Helcio, Flavio Costa, Penha(Fonseca), Darci, Adelino, Vicentino, Elói(Nelson), Alvaro e Cassio.

Será que sentiram a mesma coisa que Felipe, Leonardo Moura, Marcos González, Welinton, Junior Cesar, Luiz Antonio Renato, Muralha, Bottinelli, Kléberson, Negueba, Ronaldinho Gaúcho, Vagner Love e Deivid no domingo passado? Não sei, mas sei que já comemoramos vitórias nos 29 de abril. Por exemplo wm 1936 goleamos por 9 x 2 o poderoso Villa Joppert. Num dia 29 de abril também celebramos um bicampeonato carioca invicto. Com dois gols de Zico sobre o Botafogo. Aliás se tivéssemos repetido a campanha do ano passado hoje era dia de ser campeão invicto outra vez. Mas temos que ver um clássico sem cor pela tv. Nada, prefiro voltar a 1984 e rever Flamengo vencendo Corinthians num 29 de abril. Foi o ano que eu mudei pro Rio de Janeiro. Onde será que eu estava esse dia?

Imagina Zico e Gera…

Vendo essas velharias reparei que no passado dia 16 de abril Geraldo faria 58 anos. Leia aqui (em espanhol) uma história em quadrinhos que fiz em homenagem ao Geraldo. É curioso que o Vasco também esteja ali presente. Uma vitória e uma derrota. Recomendo ler escutando essa pérola do Arnaud Antunes (parceiro do vascaino Chico Anísio) que me inspirou muito para desenhar a história do Geraldo. Imagina Zico e Gera…

Terminou de ler? Curtiu? Escreva nos comentários, divulgue para outros rubro negros. Você tem algum desenho sobre o mengão, alguma história em quadrinho? Manda pra gente um email.

Boa dominguêra pra vocês!

PS: Aos rubronegros amantes de sua história não percam esse evento do Museu do Flamengo na sede da gávea. Dia 03 de maio. com lançamento da marca do centenário.

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28 Dias Sem Flamengo – La Gent normal – Dia 05

Desgraçado diário,

Hoje acordei com más notícias. O índice de desemprego na Espanha bateu novo récord. São 5,3 milhões de desempregados. O que representa mais do que um de cada cinco cidadãos espanhóis. Para piorar essa triste estatística o Andrade do Barcelona pediu demissão do Barça. Pois uma boca comedora de macarrão com salsicha, semanas antes tinha perdido a ótima ocasião para ficar calado. A comparação de Joel com o Pep Guardiola não é injusta é surreal. Existem muito mais do que 9 mil e tantos quilômetros de distância entre Barcelona e a nossa querida Podetobeland. São lugares que pertencem a diferentes dimensões, apesar do nosso artista Joel superar a Dali e Miró em surrealismo.

Há um pequeno detalhe que a maioria dos comentários ignora. Guardiola já havia anunciado a sua saída do time em outubro. Apesar disso o clube insistiu na sua permanência até o final. Só que o Guardiola, home de seny, mantave sua decisão. Culpa do inexorável tempo e seu filho, desgaste. O bacana dessas notícias é que a gente fica sabendo que o Guardiola recebia o mesmo que o Ronaldinho. Também é engraçado comparar a atuação da nossa vereadora Patética Amadora com os também político Joan Laporta e o rubronegro Sandro Rossell. É covardia, não vou fazer isso. Afinal, ela é mulher.

O que vou fazer é comparar o Josep Guardiola Sala com o Jorge Luís Andrade da Silva. Ambos nascidos no interior, humildes, de fala mansa, habilidosos, formavam um meio campo memorável, acumularam títulos, foram protagonistas de memoráveis vitórias com 6 gols contras seus rivais sem cor (Flamengo 6-0 Botafogo, Real Madrid 2-6 Barcelona) e recuperaram, em seus debuts como treinadores, o orgulho de uma torcida enorme mas desencantada.

Ambos saírem dos seus clubes pelo desgaste. Um pela porta da frente. O outro pela porta dos fundos. No Barça o substituto também será o auxiliar técnico Tito Vilanova (Ojito con Tito, Mou!), o tempo dirá se ele será apenas o Rogério do Andrade. A diferença é que no Flamengo trocamos de técnico sempre com um péssimo timing (durante a Libertadores) além de termos demitido em pouco tempo toda comissão técnica fixa e os treinadores da base (Adílio, Andrade e Rogério).

Bom, se não podemos contar com o Guardiola no Flamengo podemos ao menos aprender seis lições da sua curta porém mais do que vitoriosa trajetória como treinador.

1. Compromisso: dispensar Ronaldinho e seus amiguinhos.
Se você quer mesmo construir “mais do que um clube” é necessário separar o joio do trigo. Jogadores sem compromisso não tem lugar no clube. A primeira barca do Guardiola teve Ronaldinho, Thiago Motta e Deco. A segunda teve Etoo. A terceira teve Ibrahimovic. Não importa o tamanho da estrela, quem manda é o treinador. Ou você encaixa no esquema ou vai para rua. Nos castells não cabe desculpa, todos trabalham e fazem suas funções.

Castellers do Mengão2. Apostar nas categorias de base.
Puyol, Xavi, Iniesta, Messi, Piqué, Cesc, Busquests, Pedro, Valdés, Thiago são crias do clube. Guardiola promoveu vários jogadores que conhecia da sua época treinando o time B. Além disso repatriou Piqué (Manchester) e Cesc (Arsenal) ex-crias da base.

A fé do Guardiola era tanta que era normal ver nomes desconhecidos em jogos importantes. Reconheço que às vezes com certo exagero. Acredito que os maus resultados dessa temporada se devem ao seus gosto por um plantel curto e por não ter usado o mercado de inverno para reforçar o time depois das lesões de Villa e Afellay. Mas no Barça não se “protege os moleques”. Dá uma olhada outra vez para o topo dos castells, é uma criança de seis anos que está ali em cima.

Com essa base também é mais fácil fazer constratações com critério. E principalmente construir um grupo onde todos são importantes para jogar diferentes competições. (Os mais jovens jogam mais a Copa del Rey por exemplo.) Não é tão importante quem é titular ou reserva, importa quem está bem preparada ou tem as características que o técnico quer taticamente.

Fique de olho em Deulofeu, Montoya, Tello, Cuenca, Sergi Roberto, Fontás, Bartra, Muniesa – é bem possível que você ouça falar muito deles. Além destes nomes o Barça ainda fez caixa vendendo Giovanni dos Santos (Tottenham), Jeffren (Sporting Lisboa) Bojan (Roma), Oriol Romeu (Chelsea)… Mas cuidado: essa história de escola é balela. Bom mesmo é revelar o Dentinho, contratar o Adriano ou importar um jogador da China.

3. Manter a fé no 4-3-3 e suas variantes.
Demorou mas o Barça aprendeu que não precisava de holandeses para jugar à holandesa. O legado de Cruyff é inegável, mas aos poucos Guardiola o aperfeiçoou a sua maneira, com toques do loco Bielsa e da escola brasileira. Não vou querer te dar uma lição de estratégia. Mas recomendo ler “Depois do 4 a 0″ do artista Nuno Gomes para a revista Piauí.

4. Ambição com Humildade.
Quer ganhar tudo no primeiro ano? Então esqueça aquela copinha regional que você ganhava todo ano. Desde que o Guardiola foi ao Barça eles não ganharam uma copa Catalunya. Por que? Porque estava mais ocupados vencendo a liga Espanhola, A Copa del Rey a Champions… Para que perder tempo/energia/dinheiro com o Terrassa, o Ginástic, o Espanyol, o Sabadell se você tem que enfrentar o Milan, o Manchester, o Chelsea, o Arsenal…?

O crédito das vitórias é dos jogadores. Os erros são seus, não dos árbitros. Não se perde para você mesmo, mas para um rival com méritos. O que você não encontrará é uma derrota do Barcelona por covardia.

5. Amor pela bola.
Crianças não estão feitas para puxar ferro. As crianças do Barça treinam só com bola. E até mais velhos estão sempre com a bola no pé. Quando eu vejo o diego Maurício cada vez mais forte e menos hábil eu só lembro da Masia. O tiqui-taca do Barça é fruto dos exercícios de bobinho que eles fazem todo dia. Voce pode achar firula, mas eu vejo mais relação desse modo de ver o futebol com a minimalista culinária catalã do que com os rebuscados prédios do Gaudi.

6. Obsessão pelo trabalho.
O clube controla os descansos e a alimentação dos jogadores, ao mesmo tempo que diminui as concentrações. O trabalho se faz em duas sessões por dia. A sessão matinal é a mais importante. “Se nos levantarmos bem cedo e trabalhamos somos um país imparável” disse Guardiola no seu famoso discurso no Parlamento Catalão.

São esses os valores que fizeram o culé recuperar seu orgulho. Quem torce pelo Barça tem orgulho não apenas das vitórias, mas pela maneira como vencem, jogando ofensivamente sempre e respeitando o adversário. Esse orgulho se notou presente na recent eliminação da champions pelo Chelsea quando o Camp Nou cantou o hino apesar do time estar desclassificado. Isso é uma grande novidade entre o barcelonismo, históricamente pessimista e vitimista. Pela primeira vez eles se mostraram orgulhosos também pela forma como perdem.

Feliz Aniversário, Andrade!
No sábado passado, dia 21, foi aniversário do Andrade. É também o Dia de Tiradentes, o mártir mineiro. (Leia o post do @RondiRamone sobre o Andrade). Por falar em aniversário encontrei o Andrade ano passado um dia antes do aniversário do Mundial de 1981. Saí correndo pelo Rio-Sul pra encontrar uma camisa e uma caneta para tecido. Mas as lojas só tinham camisas com o nome do Ronaldinho, que nem sabíamos se ia ficar no clube. Acabei comprando uma “vintage” falsi sem CRF, nem rolaties, nem logotipos de cor laranja. Fica a lição, não faça como eu. Faça como minha amiga @MarcellinhaRJ, carregue sempre um manto sagrado na bolsa ou mochila pronto para ser autografado por seu ídolo. Se for réplica do manto do mundial melhor: sobre o branco o autógrafo vai luzir melhor.

Depois de pegar os autógrafos dos simpáticos e inseparáveis Júlio César e Adílio, e do tímido Peu, foi a vez de tietar o Andrade.

@rubrunegro: Obrigado por tudo, Andrade.
Andrade: De nada. Estamos aí.
@rubrunegru: Quando você volta pro Mengão.
Andrade: Ah, não sei. Quem sabe daqui a um tempinho…
@rubrunegru: Lamento pela forma como você saiu.
Andrade: Bom. Quem sabe um dia eu volte? Quem sabe daqui uns dois, três anos…

Para terminar eu deixo uma música de uma banda catalã da qual Guardiola é fã. (Aqui uma outra versão sem vídeo, velhinhas ou verduras) Na verdade é uma versão do grupo Manel para o hit “Commom people”, da banda Pulp. Pois é, só a ousadia é de capaz fazer que uma versão supere algo original. Foi assim como a versão de Barça do Pep superou o Dreamteam do Cryuff. Boa sorte, Pep. Que você encontre o que está procurando fora do Barça. Eu não quero grande coisa. Só quero que um dia o Flamengo volte a ter gente normal como você.

Bona nit, i fins demà!

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28 Dias Sem Flamengo – O Bom de bola – Dia 04

Desgraçado diário,

estou de luto pela morte do vascaíno Dicró. Eu não acho nada bonito fazer piada de morto. Além disso o cara tinha umas músicas bacanas e foi parceiro do rubronegro Bezerra da Silva. O bom da morte dos artistas é que você vai atrás da obra do cara quando ele aparece difunto no twitter. Pois olha que curioso, achei uma música dele para aumentar minha discografia de Música Popular Brasileira Futebol Clube. O pobre Dicró até chama o Zico de pinto mas vamos dar um desconto pro cara. Ouve aí “O Bom de bola”.

O Bom de Bola by Dicró on Grooveshark

Veja só que o que eu acho bonito do futebol carioca é esse jeito de todos se sacanearem sem cair na porrada. Eu nasci em Goiânia e tenho visto como a rivalidade futebolística tem causado mortes na minha cidade. Vendo esses triste números me pergunto se Goiânia já não é a capital campeã brasileira de mortes por habitante. Não basta a gente ter o Cachoeira, o Demóstenes, o Marconi, as duplas sertanejas e o Césio 137? Temos que ter torcedores do Goiás matando os do Vila Nova e vice versa?

Por isso fico triste quando fico sabendo que morreu o Dicró, ou que morreu o também vascaíno Chico Anísio. Porque são torcedores da época em que as torcidas rivais jogavam peladas na geral do Maracanã. E se a gente analisa os números dessa pesquisa dá até para ficar melancólico. O Carioqueta, amigos, é um morto vivo. Pois no futuro serão 6 rubronegros para cada 10 cariocas. 6 rubronegros para cada arco-íris? Vamos ficar sem rivais no Rio de Janeiro…

Só os comentários dessa pesquisa me recuperam o humor. É engraçado ver os vascaínos tentando defender o seu orgulho esbravejando contra os números. Também achei engraçado constatar que Fluminense e Botafogo tem empate técnico com os que não torcem por time nenhum. Gente esperta. Não gosta do Flamengo? Então é melhor não gostar de futebol não torcer pra ninguém.

Por falar em não gostar de futebol… Hoje eu finalmente fui ao mercado. Eu adoro morango. Meu pai me chamava de Morangustavo quando eu era pequeno. Qualquer coisa eu queria de morango. Iogurte? De morango. Sorvete? De morango. Picolé? De morango. Balinha? De morango. Pizza? De morango! Injeção na testa? Morango… Uma vez cheguei ao cúmulo de pedir morango com creme sem morango. Meu negócio era pedir morango. Pois hoje me empolguei com o preço dos morangos e trouxe um quilo de morango pra casa. Claro, porque li na plaquinha um quilo – 1 euro e vi o paraíso. Que erro mais idiota. Comprei morango demais pra duas pessoas pela sugestão da placa e nem reparei que metade dos morangos estava vermelha mas a outra negra. Pequei por idealizar os morangos.
Voltando ao futebol. O Flamengo vai ao mercado como eu. Com fome, com sono, sem lista de preços, sem idéias claras, óculos ou dinheiro no bolso. E compra pensando na linda idéia de jogador rubronegro que “a torcida gosta”. Wiliams vai embora pra Udinese? Legal, os caras já foram bem melhores nisso de contratar jogadores. Acho bom pro Wiliams, bom pro Flamengo. Vai com fé Pitbul! Mas não faça como outros que depois ameaçam, ameaçam e acabam voltando. Ontem já tinha discussão no twitter. Ibson no meio? Ibson volante? Ibson armador? Esqueçam a tática em 2012. Quer tática? Vai ler sobre o Barcelona no Olho Tático. Ibson vem só tirar uma foto com Vossa Excelência, a Patética Amadora.

A tão arrotada renovação é uma grande piada. É sério mesmo que estão querendo me vender um Flamengo novo com Joel Santana, Kléberson e Ibson? Eu pensei que renovação era pensar em 2013, 2014, 2015… Mas caminhamos em direção a 2008. E só pela troca por Galhardo e David já devemos aumentar em dois anos nossa altíssima média de idade. Que maravilha. Daí vem a notícia que o Fábio Luciano bla bla bla. Outro que nos abandonou naquele fatídico jogo contra o América do México? Estão de brincanagem?! Se ele amasse tanto o Flamengo teria feito sua camiseta vintage pela Braziline, com o CRF bordado no peito e estaria ajudando a arrecadar royaties para o clube.

O que dizer do Joel Santana indicando diretor executivo. Adorei! Se o time escolhe o ténico, o técnico tem direito a escolher o chefe também. Quem sabe seguimos a corrente e um vice-presidente escolhe trabalhar com outro presidente. Extra! Extra! Deu no Piauí Herald! Patrícia Amorim nega ter assumido o Barcelona!!!

É isso aí, galera. Por hoje deu. Fui assitir o Atlético – Valência antes de dormir. Já que não passavam o Athletic – Sporting eu pelo menos escutava o resultado e torçia um pouco pelo time do Bielsa. Foi sofrido mas o Athletic passou. Vi no twitter um comentário que resultou numa breve conversa com @NicolasNardini , jornalista argentino que viveu em Barcelona, trabalho na Gol Televisión, colaborou como eu no especial sobre o Flamengo para revista Panenka (entrevistando nada menos que o Zico) e atualmente vive no Rio de Janeiro.

@nicolasnardini: El gesto d #Bielsa apurando a Ander para q saliera (cuando otros mediocres le pedirían q hiciera tiempo) es la imagen q dignifica al fútbol
@nicolasnardini: Cómo me gustaría ser vasco por un rato, solo para vivir la fiesta que se debe estar liando en ese maravilloso país. #LokoBielsa
@nicolasnardini: Bielsa y este fenomenal #Athletic nos llevan a creer que se puede soñar con volver a la esencia del fútbol, esa q muchos pretenden destruir
@rubrunegru: Soy super fan de Bielsa. Ojalá viniera al Mengão.
@nicolasnardini: Un crack, arreglaria muchas cosas. Sobre todo la falta de compromiso y seriedad. Abrazo!

Vou ali sonhar, porque é grátis e queima calorias.

Buenas noches! Hasta Mañana!
Saludos Rojinegros!

Ps: Eu tinha uma pelada essa noite, só que não me ligaram. Como assim? Se eu sou “O bom de bola”?!
Ps2: Parabéns ao Neuer pelo dia do goleiro!

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28 Dias Sem Flamengo – Continuo a ser Flamengo – Dia 03

Desgraçado diário, faz três dias que comecei a contar o dia-a-dia dessas 4 semanas sem Flamengo. Os dias passam devagar, mas vamos pra cima deles Mengo!

Acordei com vontade de fazer exercício. Está difícil garregar essa pochete de chumbo. Tenho que começar urgentemente a Operação Sungão. O verão tá chegando… Maldita hora que aprendi a gostar de cerveja. Maldito país do jamón, da paella, da tortilla e da sobrasada. Saí pra correr. Não aguentei nada. Nem andando. Não adianta nada jogar futebol uma vez por semana. Ainda mais se tenho rinite alérgica. Desgobri gue dao uço o beu dariç bara nada. Essa ilha é um inferno pros alérgicos e asmáticos. Gue Berda. Lembrei da despedida do Ronaldo, patético, inchado e com aquela parada no nariz para abrir as ventas. Depois pensei nos 107 quilos do Adriano. 107! Muito quilo para um tornozelo doente. Pela primeira vez tive pena do Adriano. Ainda bem que estou só com 82.

Aliás 82 foi um grande ano. E hoje é dia de festa. Afinal celebramos os
30 anos do nosso bicampeonato
. Era pra gente estar comemorando, mas ainda estamos agüentando goazação. Aliás, vocês devem estar. Eu estou com saudade de uma zoação. Não tenho ninguém da arco-íris por perto. Só se for pelo Facebook. Pela quantidade de coisas sobre o Flamengo que publiquei ultimamente achei que iam me zoar. Só apareceu um São Paulino pra comentar uma foto minha que coloquei em homenagem ao Barça.

Perdeu, preiboy, o cara me disse. Respondi que não esperava essas férias antecipadas da Libertadores, Carioca, Liga espanhola e Champions. Daí apareceu um cruzeirense oportunista que sugeriu que eu devia me dedicar ao curling. Respondi que o esporte inútil local é o balconing. claro que não é esporte para rubronegros. É coisa de vascaíno que gosta de se jogar da marquise. A gente prefere o remo.

O pior é que nos dedicamos à outros esportes. Por exemplo secar outros times. Eu obviamente não vou perder meu tempo vendo os outros times brasileiros na libertadores de madrugada. Confesso que estou com saudades das #nochesgolfas, quando varava a noite vendo jogos da Libertadores e comentando via twitter com os apresentadores da Gol Televisión. Por isso foi bacana ler o artigo “El triunfo del 6-3-0″ do @AxelTorres sobre a derrota do Barcelona. Também li esse artigo do Tostão falando do medo de perder do Barça e dos direitos do consumidor/torcedor do Flamengo. E você se sente lesado? Esperava o Ronaldinho do Barcelona? Eu não. Nem espero nada do Adriano, pelo contário.

O que eu não esperava era que Real Madrid me desse uma alegria essa noite. Rapaz, até tive que sair um momento do twitter. Ver Jean Chera e Douglas Baggio babando pro Cristiano Ronaldo me dá nos nervos. Ainda mais se o filho do Baggio me solta um: Hala Madrid. O Real Madrid é antítese de todos os valores que eu acredito no futebol e fora dele. O Real Madrid foi adotado pelo ditador Francisco Franco como símbolo do seu governo facista. No seu regime um presidente do Barça foi morto por ser republicano. O Barça era proibido de usar o seu nome em catalão, seus torcedores proibidos de levar bandeiras ao estádio. Até a contratação do Di Stéfano teria sido roubada pelo Real Madrid do Barça com ajuda dos despachos da capital espanhola. (Para saber mais leia esse documento em PDF).

A atualidade não é muito diferente. O Madrid inventou o termo galático quando contratou a David Beckham. Até uma lei foi inventada pra que os jogadores estrangeiros pagassem menos impostos na Espanha: A lei Beckham. O Real Madrid do Florentino Pérez, mega-empresário do ramo da construção, que também se beneficiou de um “pelotazo económico” que converteu um centro de treinamento em dois arranha-ceus gerando 400 milhões de euros para o club, e tendo toda a infraestrutura financiada pela prefeitura de Madri. Algo que ele queria repetir, e que só foi interrompido pela transformação da Espanha em Espanhistão graças à especulação imobiliária.

Sua torcida organizada, mais conhecida, os Ultra Sur é um feudo neo-nazista. Alguns dos seus principais jogadores não tem vergonha de fazer saudações a esses torcedores. Até o Mourinho, que quando não está reclamando de árbitros, ou metendo o dedo no olho de um colega de profissão, aplaude os Ultra Sur. Isso sem contar no currículo de agressões do Pepe (algumas de tão ridículas são até engraçadas) ou os comentários narcisistas e faniquitos de mau perdedor do Cristiano Ronaldo. Sinceramente, prefiro o Barcelona que diz em seu hino “tanto faz de onde viemos, se do sul ou do norte”.

O Real Madrid para mim é a principal inspiração do “galático” Corinthians. Esse modelo arrogante e movido a muito dinheiro e financiado com dinheiro público. Um modelo incapaz de revelar novos jogadores (o contrário do Barça) e baseado na super especulação insustentável do futebol. Esse modelo importado pelo “chaquetero” Ronaldo que sujou as caisas de todo o futebol brasileiro pela super-exposição de marcas. Graças a esse novo paradigma as camisetas não estão valendo nada. Vale até propaganda de desodorante debaixo do braço, reclamo de camisinha, logotipo na bunda, rivais com o mesmo patrocinador, sem contar nas camisetas com cores alienígenas…

Por isso só posso achar lindo que apesar de o Real Madrid ter gasto quase um bilhão de euros nas últimas temporadas seja incapaz de chegar à final da Champions. Que entre os seus vilões estivessem os ex-merengues Arjen Robben e Jupp Heynckes. Que os jogadores mais caros da sua história tenham errado os pênaltis decisivos. Que a imprensa de Madri tenha rido um dia antes do Messi e publicado na própria capa que Cristiano Ronaldo não falhava. E que o mesmo cara que destruiu a Copa del Rey jogando ela debaixo do ônibus seja o que tenha lançado a Copa de Europa pro espaço.

Ontem durante o Barça – Chelsea o @RondiRamone fez uma piada com o nome do Camp Nou dizendo que o rebatizaria de Camp Neu. Eu respondi que estava mais pra nome de pista de esqui, já que “neu” é neve em catalão. (Aliás, sabia que Peu é pé em catalão?) Ele explicou que era por causa da banda “Neu!”. Respondi que adorava os falsos cognatos (parece mas não é). Daí hoje a noite lembrei dele quando a prorrogação de Real Madrid – Bayern acabou e foi aos pênaltis. Os narradores espanhóis falavam do “mejor portero del mundo” Casillas. Eu disse: calma, o Bayner tem o Neur. E foi Neuer que, catou os pênaltis do Cristiano Ronaldo e do Kaká e calou o Santiago Bernabéu. Neeeuu! Errrrr! Kakakakakakaka! Mas duas más cobranças igualaram a disputa em erros. A Tv espanhola já contava com o empate. Daí veio o Sérgio Ramos, e deu o seu chutão inspirado no mesmo cara que deu nome à nossa jovem promessa Douglas Baggio. Rala Madrid!

Antes de dormir lembrei de uma outra conversa no twitter com Rondi.

@rubrunegru: O que você vai fazer nesses #28DiasSemFlamengo? Eu comecei um diário.
@rondiramone: Não existe um dia sem Flamengo.
@rubrunegru: Sem Flamengo no futebol.
@rondiramone: Flamengo somos nós também :)

O Rondi tem toda razão. Tem coisas que não se substituem. Por mais que você goste ou tenha simpatia por outras coisas. Foi por isso que ontem andei Palma de Mallorca inteira atrás de um lugar que vendesse farofa de milho pronta Yoki pra acompanhar meu arroz e feijão. Por isso eu ontem escutei o podcast do rubro negro @MuquecaDeSiri enquanto escrevia meu post. É por isso que não vejo a hora que chegue meu pai à ilha trazendo um livro sobre a Charanga Rubro Negra, outro sobre aquele bendito 1912 e outro sobre nosso mundial em 1981. E é por isso que mesmo nas derrotas somos Flamengo. É o meu Flamengo. Continuo a ser Flamengo, pois Flamengo é que dá pé.

Fica aqui uma lista de canções rubronegras da época que o Flamengo perdia pro Botafogo… Não se asustem com o título da primeira canção (parece mas não é). Essa canção é uma homenagem à Vossa Excelência Patética Amadora que além de nadar muito bem adora o remo.

Guten Nacht e até amanhã! Saudações rubronegras!

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28 Dias Sem Flamengo – Carnaval na obra – Dia 02

Desgraçado diário, ontem comecei a contar o dia-a-dia desse 28 dias sem Flamengo.

Acordei com o barulho de obra do vizinho. Batem bem na minha cabeça. Me acordaram de um pesadelo que não acabava. Tinha uma cobra na minha casa e eu não sabia como tirá-la de lá. Sabe quando um barulho entra no teu sonho? Pois antes de acordar a minha casa era uma obra/ruína onde faziam buracos procurando a tal cobra sem sucesso. Ninguém trabalhava direito com medo de uma picada. E eu ficava tentando ver se a cobra era peçonhenta ou não. De onde será que tiro essas coisas? Só sei que o barulho de obras me fez acordar com a pergunta: a quantas andam as obras do Centro de Treinamento Ninho do Urubu?

Não se engane: enguia não é cobra, é peixe!Levantei, mal tomei café da manhã e fui pro computador escrever o dia de ontem. Enquanto isso tomava um copo de ortxata. Parece leite, mas não é. Odeio leite. Ando obcecado com coisas que parecem mas não são. Como a enguia que parece cobra, mas é peixe. Resolvi não usar o nome da Vossa Excelência, a vereadora Enguia. Vou chamá-la de Patética Amadora, vereadora, Vossa Excelência, a enguia…

Escrevendo sobre o dia de ontem lembrei de uma música da Alaska chamada “A quien le importa” . É uma espécie de hino da “Movida Madrileña”. Agora escutando acho que a Patética Amadora que escreveu a letra.

A quién le importa by Alaska Y Dinarama on Grooveshark

“…Yo se que me critican / me consta que me odian / la envidia les corroe / mi vida les agobia. / Porque sera? / yo no tengo la culpa / mi circunstancia les insulta. / Mi destino es el que yo decido / el que yo elijo para mi/ a quien le importa lo que yo haga? / a quien le importa lo que yo diga? / yo soy asi, y asi seguire, nunca cambiare… “

Enquanto escuto isso o vizinho faz o seu carnaval descompassado. Que inferno são as obras intermináveis. Cadê o CT, cacete? Lembro do “Carnaval na obra” do Mundo Livre S/A. Vai chover! Vai parar!

Carnaval na Obra by Mundo Livre S/A on Grooveshark

Quando eu termino de escrever, desenhar (como se fazia isso mesmo??), escanear, retocar no photoshop, publicar no blog, postar no twitter já são duas e tanto. Eita, esqueci de ir comprar outra vez. Nem fiz o almoço! A Anna vai ficar brava… Só quando a fome apertou às 3 e tanto que lembrei que ela avisou que não vinha comer em casa hoje. Total disaster 2: the mission.

Mais tarde vi a foto da Dona Enguia com o time do remo. Pois é. O lance da Dona Enguia é a água mesmo. Flamengo campeão estadual do remo (Parabéns aos nossos remadores!), flamengo no troféu Maria Lenk, um projeto de clube com a consistência da água, os objetivos do futebol já foram por água abaixo e o barco à deriva com água que não pára de entrar. Como não odiar os esportes olímpicos do Flamengo com essas atitudes? Daí acho que temos que aprender com Bruce Lee, tá difícil de aguentar tudo isso? Be water, my friend.

A Dona Enguia em alguma entrevista ou cartinha infeliz (são tantas que nem sei mais) disse que o CT só teve 5% financiado com a ajuda dos torcedores. Pois me parece uma falta de respeito dizer que só 5% foi financiado com dinheiro dos torcedores. Primeiro porque não revelou o valor total da obra e esses 5% podem sim ser muita grana. Segundo porque o torcedor não tem a menor obrigação de contribuir em construção de CT, já vamos aos jogos, compramos camisas, etc. Terceiro porque até hoje nada se sabe do tal muro com o nome dos que deram dinheiro pra construção do CT. Campanha que aliás usou a imagem do Zico. E por último porque os 250 reais que custava cada tijolinho com certeza fazem falta a muita gente! Bom, vou mudar de assunto porque o baticum do vizinho tá me dando nos nervos.

Depois vi a notícia sobre a dívida do Flamengo com o Romário. Se até hoje não pagamos a dívida do Romário e do Petkovic quando pagaremos as dívidas com Ronaldinho e Deivid? Aliás, como alguém tem a cara de pau de dizer que o salário dele está pago se tribunais do país consideram o direito de imagem como parte do salário do jogador? Sem contar que o clube usa a imagem dele cada vez que ele dá entrevistas como essa. “Tudo que começa errado, termina errado”. Para mim Deivid é um baita exemplo, um cara que mesmo lutando pra receber do clube não se esconde, não inventa lesão pra não jogar contra os pequenos, não se esconde das câmaras quando erra gol num jogo decisivo, praticipa do jogo, ajuda no meio e atrás e quando perde não desaparece. E vejam só, ter um jogador assim é culpa do Zico. Por outro lado, quem é o capitão do time?

Voltando ás dívidas. A dívida do Flamengo com o Romário (também de direitos de imagem, que coincidência!) parece que vai aumentar por irresponsabilidade de vários dirigentes. Como deixaram de pagar as parcelas o clube será duramente penalizado. Não queria lembrar mas a vereadora disse que estava tudo lindo na parte financeira do clube. O que eu vejo é um círculo vicioso, dívida que mal gestionadas geram outras dívidas ainda maiores, como se diz em espanhol “um pez que se muerde la cola”. Então convenhamos se o banco que gestiona essas dívidas é o BMG (a custo altíssimo) não temos um patrocinador na camisa. Ou meu agiota é também meu patrocinador?

"Vermelho com amarelo perto, fique esperto. Vermelho com preto ligado, pode ficar sossegado”

Aí entra até uma questão estética. Estamos pagando com juros de agiota para nossa caisa ter aquele laranja escroto? E a Patétia Amadora dando entrevista de que gosta do manto limpo. Vou vomitar. O Flamengo sempre teve as cores da cobra coral e ponto. Quer saber a diferença pra cobra coral do mal e a do bem? Tem um ditado interessante. O primeiro jogo depois desses 28 será contra a cobra-coral do mal. “Vermelho com amarelo perto, fique esperto. Vermelho com preto ligado, pode ficar sossegado”.

À noite vimos o Barça – Chelsea. A Anna é fanática pelo Barça. Graças à ela aprendi a gostar do “Més que un club”. Minha admiração também tem a ver com Evaristo, Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho. O que não tem comparação é a torcida do Mengão e a do Barcelona. A Anna mesmo sempre canta nossas músicas porque ela gosta mais. Hehehe. Não esperava um jogo fácil por conta da atual falta de pontaria do clube catalão. Mas o pior é que os dois gols saíram quando tinham que sair. O problema é que se pagam caríssimos os erros contra máquinas de contra-atacar como o Chelsea.

O golaço do Ramires foi algo inesperado, quase uma resposta ao Iniestazo em Stamford Bridge. Mas o Barça teve muito azar, com quatro bolas na trave nos dois jogos. Mas eles podiam ter feito algo melhor: tomar três gols nos acréscimos é falta de atenção ou de força física. O grande pecado de Guardiola foi não ter aumentado o palntel esse ano e depois das múltiples lesões e perda de peças importantes como Villa e Afellay não ter usado o mercado de inverno.

Mas as derrotas fazem parte do futebol. Até mesmo para os grande clubes. Talvez agora se dê maior valor às conquistas do Barça. Até porque ele chegou a essa altura da temporada podendo ganhar os três títulos mais importante que disputava. O que não consigo entender é como moleques da base do Flamengo, meias e atacantes ontem torciam contra o Barça. Não entendo essa moda, mas se um guri gosta de futebol e de fazer gols porque torce por um time que põe a bunda de 10 de seus jogadores dentro da área no minuto 10 de jogo?

Eu e minha catalã fomos pra cama chateados. Nos eliminaram de quase tudo em uma semana: Libertadores, Carioca, Liga Española e Champions. O Barça ainda tem a final da Copa del Rey pra jogar. Ano que vem muda a disputa da Copa do Brasil, mas isso é assunto pra outro post. Agora vou escutar a entrevista do Guardiola pelo rádio na cama ao lado da culé mais fanática que eu conheço. Talvez seja o fim da Era Guardiola no Barça, isso sim seria triste.

Bona nit i fins demà!

Nota: Você está lendo meu diário de abistinência de Flamengo no futebol. Para ler os dias anteriores siga o marcador 28 Dias Sem Flamengo ou visite o índice em ordem cronológica.

28 Dias Sem Flamengo – Salve, Jorge! – Dia 01

Meu querido diário…
Querido é o escambau!

Desgraçado diário, ontem o Flamengo foi eliminado pelo Vasco na Taça Rio. De virada igual tínhamos sido eliminados na Taça Guanabara. Acontece que desta vez não foi o Deivid que errou um gol feito. Dizem que o Ronaldinho errou um. Na verdade mal vi o jogo. Estava brigando com a conexão do Rojadirecta.me olhando mais a tela do twitter que a do jogo.

O gol do Vagner Love vi ao vivo, dei um grito e asustei a Anna que estava no sofá vendo o reality show Mario y Alaska na MTV espanhola. Hoje ela se incomodou bastante com meus gritos, mas eu acho que gritei pouco. Já esperava o que estava por vir. O segundo gol do Vasco “vi” antes no twitter, de tão lento o streaming que peguei no Rojadirecta. Fui mudar de canal e perdi o golaço do Kleberson.

O Kleberson queimou a língua de todo mundo, incluida a minha. Mas o Joel ao invés de usar essa arma que caiu do céu pra ele, colocou o recém operado Renato no campo. Pobre Canelada, não fez nada certo. O Joel também insistiu no Negueba, fazia tempo que ele não entrava. Normalmente quando veja a cara do moleque já penso em derrota certa. Mas ontem tive um sentimento de esperança quando ele tentava se meter entre 4 zagueiros vascaínos. Esperança inútil.

Depois do jogo não fui capaz de ouvir a entrevista do Joel na CBN. Obrigado, Firefox! Antes de domir escutei “Apesar de você” do Chico Buarque em homenagem à Vossa Excelência, Patrícia Amorim.

Apesar de Você by Chico Buarque on Grooveshark Touradas Em Madrid by Carmen Miranda on Grooveshark

Daí acordei hoje com um mal humor do cão. Tinha que ter ido ao mercado, comprado um livro pra minha namorada, uma rosa… Pois é, o dia de Sant Jordi se celebra assim na Catalunha. E minha espanhola natural da cataluuuuuuunhaaaa não queria que eu tocasse castanhola e pegasse o touro a unha. Ela só queria um livro e uma rosa, como manda a tradição catalã.

Até quando esperaremos nosso príncipe encantado?

Acontece que meu ritual é outro. Costumo ouvir o rubro negro Jorge Ben (Salve, Jorge!) e pensar nos meu inimigos sem príncipe nem cavalo branco.

Jorge da Capadócia by Jorge Ben on Grooveshark

Por isso passei a manhã lendo notícias do Flamengo, revendo algum lance, tuiteando e trabalhando no nosso blog. Pois é, ontem inauguramos endereço e cara nova. Inauguramos também o @ADTRubroNegro. Aliás minutos antes do jogo eu e o Marcelo falávamos no Skype sobre os botões de compartilhar do blog. Pois eu fiquei muito feliz ao ver que esses botões foram bastante usados hoje.

Triste eu fico em ler mais notícias da Gávea. Quer dizer que agora querem contratar um zagueiro, um meia e um atacante? Que novidade hein? O num-sei-quem-lá Coutinho (o que importa é o sobrenome, não é verdade?), quer mesmo contratar aquele zagueiro que pôs fogo na própria casa? Fala sério, Cascão! Precisamos de mais um com ficha na polícia? Também li que para renovar o elenco iam emprestar Thomás, Camacho, Galhardo… Como assim renovar emprestando os mais jovens? Pra botar vários jogadores de mais de 30 no lugar deles? Porque não colocam logo o roupeiro Babão no lugar do Cascão? O cara já disse que tem labirintite e que odeia altura! Com ele não subimos nem no meio fio, imagina se conquistaremos o topo da América.

E Vossa Excelência Patrícia Amorim? Quer dizer que ela pode perder o salário do PSDB por traição? Quer dizer que ela na vida política é igualmente oportunista e inconsequente? Que se na hora de decidir alguma coisa ela sempre decide pelo lado mais forte? Que é igualmente improdutiva na câmara porque fez pouquíssimos e inúteis projetos de lei? Chama o dragão, nossa princesa é do mal!

Me desliguei o máximo que pude do noticiário. Só parei pra morrer de rir da fala do Joel se comparando ao Guardiola. Ainda bem que ele “erra muito pouco” senão o Flamengo estaria na segundona do Carioca.

Ih, rapaz. Quando vi era a hora de comer e eu não tinha nem almoço pronto, nem rosa nem livro. “quando o Flamengo perde não quero comer e não quero almoçar!” E hoje já não adianta “rezar ao São Jorge pro Mengo ser campeão”. Minha adorável catalã chegou em casa com o meu livro. “Un largo silencio” do Miguel Gallardo, uma novela gráfica contando a história do seu pai na Guerra Civil Espanhola. Achei que minha casa ia ter guerra civil também.

Mas acho que ela já se acostumou com o desastre total que eu sou. Assim como nós rubronegros que nos acostumamos com o desastre total que são os dirigentes da Gávea, e nunca fazemos uma “guerra civil”. Saímos pra comer (estava tão zonzo que fiz um pedido meio surreal), voltamos pra casa, fizemos a siesta, e voltei pro computador. Só saí de casa pra comprar o livro quando faltava meia hora pras lojas e barracas de rua fecharem.

Uau! Que suspresa a minha ver movimento nessa cidade. Todo mundo atrás de um livro! Existe vida fora das telas! Que coisa linda. Que bela maneira de sobreviver a esses dias sem o Flamengo. Vá ler um livro! Não conseguia decidir e estava vendo a hora que a minha indecisão ia me deixar sem livro. Deixei de palhaçadinha e comprei também uma HQ: Habibi do Craig Thompson. Um baita livrão com uma protagonista feminina que não acredito que se faça de vítima. Saí correndo pela cidade atrás da rosa. Todo mundo tinha uma na mão mas era tarde demais pra comprar ou ganhar de presente nas lojas. Será que vou ter que robar de uma velhinha? Ufa! Consegui achar uma floricultura aberta. Me senti como se fizesse o gol que o Negueba não fez aos 45 do segundo tempo.

Jantamos crema de abobrinha em homenagem a Vossa Excelência. Assistimos ao Crackóvia, programa humorístico sobre futebol da TV3 catalã. Rimos bastante do Real Madrid apesar da desgraça do Barça. A sátira que fazem do Stars Wars é genial. Mas ri mais das piadas com o Rei Juan Carlos e sua escopeta o seu genro corrupto Iñaki Urdangarín (ex-jogador de Handbol do Barça).

Antes de dormir voltei ao computador. Tuitei mais que Marcellinha ontem! Como é possível isso? Caramba, o texto do Maurício bombou na internet! Que alegria! Mais de mil acessos. Obrigado ao Alex Triplex e Arthur Muhlemberg pela moral. Obrigado a todos que divulgaram o site. Vou feliz para cama.

Insônia. Estou há duas horas na cama e não posso dormir. Acendo o celular e olhos emails, estatísticas do blog. Já quero arrumar um celular que navegue melhor pra poder postar no blog direto. Medo. Estou com uma pergunta do @PrimeiroPenta na cabeça. Como um blog sobre Flamengo sobrevive sem jogos e sem falar de política? Resolvi começar esse diário. Para contar como sobrevivi aos 28 dias sem Flamengo no ano do centenário do futebol.

Boa noite e até amanhã.

Nota: Você está lendo meu diário de abistinência de Flamengo no futebol. Para ler os dias anteriores siga o marcador 28 Dias Sem Flamengo ou visite o índice em ordem cronológica.

Gigante adormecido

Um dia após a nossa lamentável eliminação para o Vasco, como é feriado de São Jorge aqui no Rio de Janeiro, tirei o dia para dar aquela faxina na casa. Não queria saber de noticiário esportivo, nem mesmo me envolver em discussões fervorosas sobre o futuro rubronegro. Resolvi iniciar a arrumação da bagunça por onde guardo revistas, recortes e jornais sobre o Flamengo. Meu projeto de arrumação acabou ali mesmo. Comecei a folhear os jornais e fiquei relembrando notícias e vitórias memoráveis. A raiva (sempre passageira) que tenho do Clube que amo nos momentos de derrota, esfarelava-se a cada notícia lida. Cara, como é bom ser Flamengo!

Mas ao me deparar com o jornal O Globo do dia 07 de dezembro de 1981, fiquei radiante. Era o dia seguinte da decisão do Estadual daquele ano. O famoso jogo do Ladrilheiro, onde sapecamos o Vasco.Trinta anos depois, vejam como as segundas-feiras são tristemente opostas. No jornal, a alegria do título e de ter derrotado o seu maior rival. Na realidade de hoje, a tristeza de ter no time um bando de pernas de pau, comandados por um técnico bisonho e uma Presidenta patética. Nesse momento fiquei triste de novo.

Mas aí veio a página seguinte que fez meus olhos lacrimejarem. Uma notícia sobre a preparação do Liverpool para a final do Mundial Interclubes, seis dias depois. Embarquei na notícia e comecei a viver a semana daquela decisão. Estava a poucos dias do jogo mais importante da história do Flamengo. Coração deu uma acelerada e me dei conta que estava em 2012. E pensei em como seria bom que algo parecido acontecesse com a gente de novo.

Esse breve texto não tem nada a ver com nada, e talvez nem deva ser oportuno… Deu vontade de escrever, só para tirar um pouco da angústia do meu peito. Para aqueles que não entendem meu lado corneta e mal humorado com o time atual, esses recortes talvez dêem a dimensão do que espero sempre do nosso clube. Desculpe a chatice, mas já fomos grandes. E quando falo grande, digo gigaaaaaante. E um gigante não mata sua fome com migalhas e nem pode encolher ano após ano. Temos que fazer algo, por favor! Está na hora de despertá-lo.

O nome (e o sobrenome) do inimigo

A (falta de) gestão de Patricia Amorim como presidente do Flamengo é um elogio ao absurdo. Patricia foi nadadora de feitos medianos e é vereadora. Como bem diz um amigo, o vereador é o contínuo da política. Eis Patricia Amorim: nadadora de uma Olimpíada sem classificar-se às finais e garota de recados na vida pública. Elegeu-se presidente de uma Nação.

Não podia mesmo dar certo.


No primeiro ano, Patricia viu o Flamengo ganhar as páginas policiais, fez o time chegar atrasado a um jogo decisivo de Libertadores porque queria um lugar no ônibus e mostrou-se perdida diante do Flamengo do futebol, um tanto maior do que aquele das piscinas. Perdida: semeou a discórdia entre Braz e Andrade no primeiro semestre, trouxe Zico no segundo. Trouxe para traí-lo, expondo o ídolo maior ao escárnio em praça pública. O Flamengo flertou com a segunda divisão.

No segundo ano, Patricia usou de um dinheiro que o Flamengo não tinha para contratar um ícone em decadência e entregou o futebol, de porteiras fechadas, a Luxemburgo. Venceu campeonatos pequenos, a Copa São Paulo e o campeonato estadual. Aproveitou o brilhareco e saiu em todas as fotos. Mas deixou o clube à deriva, sem patrocínio, sem lenço, sem documento.

No terceiro ano, Patricia demitiu Luxemburgo horas depois de garantir ao vivo na Rádio Tupi que o técnico seria mantido, só mais um ato da crise iniciada antes mesmo de o ano futebolístico começar, feito notável até mesmo para uma ignorante em futebol como ela. Tentou apagar a fogueira da crise com gasolina: contratou o abominável Joel Santana que abandonara covardemente o Flamengo em 2008. O time foi eliminado de modo constrangedor na primeira fase da Libertadores e não disputou sequer uma final de turno no estadual.

Ignoremos os detalhes de histórias como fazer do lamentável e omisso Luiz Augusto Veloso diretor de futebol, de escrever cartas abertas dizendo-se boa presidente porque os parquinhos estão cheirando à tinta e de deixar claro que o presidente de fato é o seu marido, torcedor do Fluminense. Ignoremos, porque não precisamos dos detalhes para entender que Patricia Amorim vem esbulhando o Flamengo nos últimos três anos.

Essa derrota para o Vasco ocorrida há pouco não é nada perto de todas as demais derrotas impostas ao Flamengo por Patricia Amorim e sua trupe. Aliás, vencer o estadual seria fazer uma cirurgia plástica em paciente com metástase.

A derrota no estadual será assim combatida por Patricia Amorim: demitirá Joel Santana (não é mérito, posto que jamais deveria ter sido contratado) e desviará os tiros a ela endereçados a quem até merece ser atingido, mas merece menos.

Não esqueça, amigo rubro-negro, o nome do maior inimigo do Flamengo hoje.

É Patricia.

E o sobrenome é falta de vergonha na cara.