Cair, levantar, cair, levantar…

Recordarei o passado quinze de Março, uma quinta-feira, como um dos dias mais boleiros da minha vida. Desses que ficam marcados na pele. Estava tuitando com amigos rubro negros quando vi que Llorente tinha marcado um gol contra o Manchester. Liguei na hora tv e vi o show do Athletic Bilbao do Loco Bielsa encima dos Reds. A Espanha inteira estava vibrando via twitter com aquele jogo.Vi um vibrante time vestido de vermelho, branco e negro, com uma torcida alucinada, com belo toque de bola, muita raça, despachando com propriedade um time inglês. Chegaram logo ao segundo gol e podiam ser uns três, quatro… Só que o terceiro gol dos bascos não veio e Wayne Rooney descontou com um golaço. Faltavam 10 minutos. Pensei: ih rapaz, o time inglês vai crescer agora.

 No primeiro jogo pelas oitavas de final da Europe League os rojiblancos tinham despachado o atual vice-campeão europeu com um histórico 2-3 em pleno Old Trafford. Se fizessem dois gols os ingleses podiam levar a disputa pra uma épica prorrogação. Só que os bascos não não deram chance alguma ao Manchester, e Bilbao se transbordou numa imensa “kale borroka” festiva e pacífica.De todos os cantos do mundo, sinais de admiração pelo jogo daquele Athletic ousado, lutador, trabalhador. Admiração pela filosofia do obcecado Marcelo Bielsa, nacido em Rosário, ex-jogador e técnico do “rojinegro” Newell’s Old Boys,  e possivelmente um dos professores de Pep Guardiola. Admiração pela raça dos seus soldados: Llorente, Muniain, Iraola, Ander Herrera…  Em um país onde reina o bipartidismo de Barça-Real Madrid ver um time formado só por bascos, navarros e riojanos chegar a tal feito era motivo de orgulho para qualquer amante do bom futebol. Por outro lado, sir Alex Ferguson teve que engolir a própria arrogância depois de ter reconhecido que não havia estudado o adversário.

Que bonito ver aquela festa na Catedral, casa do Athletic, um verdadeiro caixão que reverbera os piores pesadelos dos adversários, arquétipo dos quadrados estádios castelhanos, do Bernabéu à Bombonera. Já o Engenhoca é um escorredor de macarrão hi-tec, com seu jeitão de nave espacial espatifada sem engenhosidade, por onde se infiltram nossos sonhos e escoam nossos gritos. Isso quando nossos gritos conseguem a façanha de chegar ao estádio, claro. Esse enorme monumento ao mal feito só podia ter o nome de João Havelange e ser (mal) gestionado pelo Foguinho.

Ver a Catedral lotada me deu uma saudade eterna ao Maracanã que eu ajudei a lotar em 1992 e que, desde então, só foi encolhendo. Nosso Coliseu torturado, roubado, estuprado, assassinado, dissecado e empalhado, que a cada dia assombra e indigna os craques do passado. O dia que descobrirmos que estamos órfãos do nosso querido estádio e que ainda por cima, pagamos caríssimo a conta do assassinato, será a hora de dar licença a um Justin Bieber da vida ou às preliminares de luxo chamadas Olimpíadas. Parece que foi na Bélgica, quando fizeram uma grande reforma urbanística no come que inventaram esse negócio de pegar um prédio velho e reformar por dentro deixando só a fachada. Daí vem a expressão “de fachada”. Por isso na Bélgica chamar alguém de arquiteto é um insulto. E o Maracanã do futuro é de fachada. Já dizia minha vó: por fora bela viola, por dentro pão bolorento.

Mal terminou o jogo e fui correndo jogar uma pelada num torneio com um time de médicos disposto a dar o sangue pela vitória. É um time é tão bom que se chama Esfínter de Milanus. Acho que se enfrentássemos o pequeno Margatania seríamos goleados.

Perdíamos por 1-0 mas conseguimos segurar bem o primeiro tempo. No começo do segundo uma bola foi ao alto dentro da área. Eu corri para dominar com o peito e tentar nosso primeiro chute a gol. Entrei numa máquina de lavar. Quando saí estava deitado do chão, minha cabeça doía bastante e meu supercílio sangrava. Só pude imaginar o que tinha acontecido quando vi um companheiro meu também estendido no chão. KO.Perdemos, como sempre (6-1), e levei um ponto na cabeça para não esquecer a lição. Não adianta nada vontade (ou ansiedade) sem a mínima coordenação tática e motora. Daí fiquei acordado até as duas da manhã apesar de cansado, chateado, ferido.

O que eu vou fazer se vivo o futebol dos joelhos à cabeça?Mal começa o jogo e o locutor argentino da Fox Sports mandou essa: aposto que o Olímpia ou empata ou ganha o Flamengo. Que filho da mãe. Imagina o que ele recebeu de gentilezas pela internet. Depois ele soltou um dado que eu ignorava: o Flamengo nunca ganhou do Olímpia pela Libertadores. Sério? Como assim somos fregueses do Olímpia? Os caras tem mais Libertadoes que a gente e vamos pro jogo como se tratassem de um Resende paraguaio?

 Mas o que importa é o carioca pra livrar a barra né? Estranho, não foi esse mesmo técnico que riu do gordinho Cabañas? Pois em campo também vi aquele mesmo Flamengo que tomou de 4 no Engenhão do Universidade de Chile. Sufocado, estranho, mole, desatento, dominado. Isso só mudou com uma jogada indidual do Vágner Love e conclusão precisa do Botinelli. Não foi por acaso, pois são raros dois raros jogadores do nosso elenco que chamam a responsabilidade. Às vezes com mais músculo que cérebro, mas não podemos condená-los por omissos.Depois que o Luiz Antôno fez outra JOGADA INDIVIDUAL, Ronaldinho resolveu se juntar à festa. Bateu o pênalti e fez 2 a 0.

Com a vantagem R10 começou a fazer graça e numa dessas fez ótimo passe ao Luiz Antônio que concluiu como gente grande. E eu aqui em casa sem poder gritar de alegria. Chacoalhava no sofá à frente do computador vibrando de orgulho pelo meu Mengão. Orgulho desse moleque que outro dia tinha sido vaiado e estava destruindo no Engenhão.Aí chegou o momento em que ou o Flamengo goleava ou tirava o pé do freio tocando inteligentemente a bola, ou dando bicão mais ao estilo Joel. Escolhemos não fazer nem uma coisa nem outra. Coletivamente não éramos nenhuma maravilha e resolvemos brincar com a bola, fazendo malabarismos e dando toquezinhos de calcanhar. Ultrapassamos o fino limite entre o futebol bem jogado e o futebol rococó. Síndrome de Ronaldinho. É provável que essas frescuras tenham servido de combustível pro time do Olímpia que tem um ótimo técnico cujas mudanças afetaram o jogo do Flamengo.

Acharam uma falta meio marota meio besta, típica da nossa defesa. E acho até que nosso goleiro colocou mal a barreira. Mas era um gol só. O problema é que daí o Joel fez o favor de pôr a pior opção que tinha no banco. Negueba não é opção para segurar a bola, nunca foi. E se você coloca ele do lado do Galhardo com cartão amarelo está pedindo para ter problemas. Não acho que fosse necessário pôr um zagueiro, algo que não seria má idéia, mas até o Deivid teria melhor resultado, segura melhor a bola, ajudaria o Love que já tinha sentido a perna no quarto minuto de jogo. Mas não, por incompetência dos nossos jogadores e do treinador tomamos 3 gols em menos de quinze minutos. E o Olímpia foi para casa com um ponto lutado e eu fui pra cama com meu ponto na cabeça.

Recomendo rever o jogo. Melhor ainda se for com a narração gringa que dá de dez nas transmissões furrecas do Brasil. Flamengo 3 x 3 Olimpia 15 de março de 2012 – Engenhão.

Fui escrevendo esse texto enquanto deixava a raiva passar. Mas fiquei até com vergonha do meu pontinho. Vergonha infinita do Flamengo, mas por outro motivo. Ninho do Urubu? Um ninho devia proteger suas crias, não o contrário! Infelizmente nada melhorou e ainda gastamos energia com o carioca mais medíocre que já vi. Resultado: o jogo de quarta-feira não teve o enredo muito diferente. Sinceramente, se o Paulo Vitor não tivesse feito uma defesa milagrosa no primeiro tempo do primeiro jogo acho que íamos perder do mesmo jeito, achando algum gol pela inspiração do Love ou pelo “par de cojones” do Botinelli. O resto é a costela milionária do Ronaldinho, a prancheta esclerosada do Joel e o marido caga-idéias da Patrícia que por enquanto não tem como mudar.

O lance do segundo gol do Olimpia para mim é a imagem desses dois jogos. Zeballos luta no alto pela bola e cai, se levanta antes dos zagueiros e chuta desequilibrado, e cai. O Felipe faz boa defesa mas a bola fica ali dando bobeira na área. Outra vez ele levanta e manda a bola para as redes do Flamengo. Cair, levantar, cair, levantar. Quem melhor souber cair e levantar mais perto estará de uma vitória. Foi assim que o Olimpia se recuperou do 3 a 0 do primeiro jogo. O Flamengo devia pelo menos tentar lembrar daquele memorável 4-5 na Vila Belmiro.

Só que quem contratou o Natalino pensando na arrancada de 2007 entende menos de futebol do que a África do Sul. Ou então enganou todo mundo e já está prevendo um repeteco de 2005. O Joel só mudou numa coisa: virou um sem vergonha arrogante. Porque qualquer time que toma 6 gols de um adversário devia ter vergonha disso, principalmente se for treinado por um ex-zagueiro retranqueiro como ele. Já se foi a época do bonde-sem-freio e sua irritante invencibilidade. Os times do Joel Santana tem mais vocação para montanha-rusa. Aquele trem sem maquinista, teóricamente divertido, mas que só nos fazem sofrer, entre a ilusão da subida, a aceleração histérica da caída que precede o gozo de virgem imediato à subida, para no fim das contas voltar a descer desesperadamente ao mesmo lugar que estávamos. O melhor das montanhas-rusas é a hora em que acabam. Estou torcendo para que seja logo.

Pena que essa brincadeira pode nos custar a vida na Libertadores.Só nos resta fazer as malditas e inglórias contas para classificação. O que temos que admitir é que somos fregueses do Olímpia e fregueses do Pelusso. Humildade não faz mal a ninguém e não adianta pendurar no pescoço um out-door com a frase “Flamengo é Flamengo” que isso não ganha jogo. Tem uma coisa que o futebol brasileiro devia aprender. Só com trabalho, trabalho e mais trabalho (e tome tempo) seríamos capazes de fazer um time vencedor, uma geração espetacular com um futebol que tem aquele click que nos enche os olhos de orgulho. Infelizmente vejo que estamos indo no caminho oposto: pagando um milhão de reais a um cara que não joga, desmontando dia-a-dia o projeto anterior, adotando uns jogadores e prejudicando outros, voltando a treinar na Gávea, passando mais um mês sem patrocinado master, falando todo tipo de besteiras na imprensa, e tome besteiras, e cada dia mais…é bobagem que não tem fim…

Mas ainda bem que está chegando o Adriano. Com ele tudo vai mudar, nem vamos mais precisar de cartilha de boas maneiras. Com o Imperador vamos botar o pé na estrada. Com o Pé inchado de cachaça da Vila Cruzeiro o Flamengo vai finalmente trocar o disco.

PS: Atenção, esse vídeo contém uma música tão ruim quanto a atual fase do Flamengo.
PS2. Ontem voltei a jogar uma pelada com o Esfínter de Milanos. Nunca joguei tão mal. Numa jogada estava de costas para o gol, não dominei a bola e dei de presente o contra-ataque ao adversário que marcou o gol. Acho que perdemos outra vez por 6-1, talvez mais. A diferença entre eu e o R10 é que fico puto quando perco e não recebo um milhão por mês.
PS3: Devia ter ficado em casa vendo o jogaço Schalke 2 – 4 Athletic de Bilbao.

Tergiversar

Difícil mesmo é quando faltam palavras…
Quando o deboche vai virando piada entre torcedores. Quando começamos a separar grupos e definir clãs: eu sou mais flamengo. Ele é menos flamengo. Ele nem é flamengo!
Incrível como uma nação que sempre se comportou como unidade, como um movimento que faz a terra girar, que impulsiona, encontra-se num limbo.
Não se fala mais de jogadas, passes, super defesas, essas coisas que fazem parte da essência do futebol.
Hoje em todos os programas de debates, principalmente na web, encontramos uma equipe que declina muito mais sobre o momento que está vivendo o clube, do que do jogo em si.
Estamos em um momento onde um personagem de novela das oito nos faz vibrar mais que nosso grandioso time! É o poder que o nome do clube tem. Aumentamos a audiência da trama, não obstante nos colocamos cada vez mais abaixo na tabela. 
O que falta ao FLAMENGO? O que jogadores pretendem? Será que eles não percebem que o futebol apresentado deprecia seus próprios passes?
É a desvalorização ao torcedor que lota estádios, ao nome do clube, a história que este clube construiu e a sua própria imagem.
Temos evidente hoje o caso Alex Silva, que se vendeu ao Santos por um valor que ele acha que vale, e diante da recusa partiu ao cruzeiro com a humildade de promoter.
Maldita frase “O Flamengo é  o Flamengo”. Não! Chega! O Flamengo é um clube com história que cativou milhões de torcedores não pelo seu nome. Não pelo seu manto. Mas pelas pessoas que fizeram parte da história e conquistas.
Eu não quero mais tergiversar. Eu quero assunto pra debater. Que papo pra debochar. Quero gol pra me orgulhar!
Porque a essência do Flamengo não deve-se ao nome que o clube tem. Mas pelos heróis que por lá fizeram história.
Vamos retroceder, e encontrar em que momento o Flamengo se perdeu. Vamos resgatar valores esquecidos.
Bora baixar a bola,humildade é preciso.
Não precisamos de mágica. Muitas vezes o problema é sério, mas a solução pode ser muito simples. Há uma grande diferença entre foco no problema e foco na solução.
E me chame pra falar de Flamengo quando o debate for sobre um bom jogo realizado. E não sobre torcedores. Um beijo pra você que gosta do que falo  e dois pra você que não gosta.
Talvez seja a falta que o Maracanã nos faz, então vejam essa foto para refrescar a memória: somos os maiores do mundo porque amamos o Flamengo igualmente
Cella
#NadaImportaSemOFlamengo

Já fomos azarões contra o Volta Redonda

Tínhamos um time tenebroso no ano de 2005. Para se ter uma idéia, estreamos no Estadual perdendo para o Olaria por três a zero em pleno Maracanã. Pior ainda, foi terminar na lanterna do seu grupo no primeiro turno. Após essa pífia participação no início da competição, o time se classificou aos trancos e barrancos para a semifinal do segundo turno. Nosso adversário era o Volta Redonda, surpresa do campeonato. O time liderado pelo fanfarrão Túlio Maravilha já havia ganho a Taça Guanabara e tentava repetir o feito na Taça Rio. Chegava como favorito àquela semifinal contra Flamengo.
O Estádio estava lotado, logicamente de flamenguistas. Assisti a esse e muitos jogos naquele ano na geral do Maracanã. Torcida estava tensa, clima de decisão exalando, e a pressão estava todo sobre o time rubro-negro. Abandonar o campeonato naquele instante seria um vexame histórico.
Como era ruim aquele time comandado por Cuca! Pra se ter uma noção, o craque do time era o Renato Canelada. Tínhamos perebas em todos os setores do campo: Diego, Rodrigo Arroz, Júnior, Adrianinho, Fellype Gabriel, Caio, Alessandro, Dimba… Desculpe escrever esses palavrões todos, mas também me envergonho disso.

Partida transcorria nervosa, dramática, jogadores com os nervos a flor da pele. Torcedores ansiosos roíam as poucas unhas que restaram das mãos, tendo em vista que esse foi seu cardápio principal durante o certame. Tudo levava a crer que o jogo iria para os pênaltis. Foi quando aconteceu o lance que decidiu a partida. Jogada de Caio (xodó de Cuca e odiado pela torcida) na entrada da área e falta marcada, quer dizer pênalti. Foi, não foi, pênalti, falta… sei lá, só sei que agora tínhamos a chance da vitória nos pés do volante Júnior. Bola na cal e cobrança perfeita no alto. Delírio no estádio e escapamos de pagar aquele mico… Classificação no peito, na raça e na marra. 
Como foi boa aquela vitória, quer dizer, foi horrível… pois, dias depois na final da Taça Rio, fomos humilhados pelo Fluminense que não desperdiçou a chance de sapecar nossos pernas-de-pau com um 4×1 inapelável. Lógico que só pensei nisso após a tragédia, pois também fui um dos milhares de rubro-negros presentes naquele jogo. Achei que bastava o peso da camisa para vencermos o campeonato. Acreditei no milagre de João Paulo II, morto dias antes… mas ele, apesar de ter posado com a bandeira rubro-negra um dia, sempre foi tricolor. Ou simplesmente não conseguiu o milagre de fazer aquela cambada de pereba jogar bola.

Flamengo 1 x 0 Volta Redonda
28 de março de 2005 –Campeonato Carioca
Estádio doMaracanã – Rio de Janeiro
Público: 52.550
 pagantes
Árbitro: José Alexandre Barbosa Lima
Flamengo: Diego;Ricardo Lopes, Thiago e Rodrigo; Jônatas, Júnior, Adrianinho, Fellype Gabriel(Caio) e Renato; Emerson (Róbson) e Alessandro (Dimba). Técnico: Cuca
Volta Redonda: Lugão; Schneider (Fábio), Aílson, Alemão e Maciel;Jonílson, Mário César, Adriano (Wennedy), Gláuber; Humberto (Léo Guerra) eTúlio Técnico: Dário Lourenço
Gol: Júnior, aos35min do segundo tempo

O Pavoroso Joel e suas criaturas, os volantes híbridos

Quando o apego por volantes híbridos (cabeças-de-bagre compernas-de-pau) parece já ter esgotado todas as suas variações, Joel Santana,cujo nome escrevi pela última vez e doravante será chamado apenas de O Pavoroso,se superou. Willians, volante híbrido juramentado, foi escalado como meia deligação.
O mundo muda em velocidade alarmante, é fato. Todavia, meiade ligação ainda deve ser o sujeito capaz de acertar passes ofensivos, derevezar com os laterais e de se aproximar dos atacantes com algo a ofereceralém da baba viscosa do cansaço provocado pela correria estéril. Willians não éum meia de ligação. Willians machuca a bola. Willians tranca o jogo. Willians éum erro, um ponto-e-vírgula que separa sujeito e predicado.
Quando Willians é escalado como volante híbrido, roubaalgumas bolas. Só. Willians não sabe o que fazer com as bolas que rouba e entãotoca para seu superior, Renato Abreu Arantes do Nascimento ou, na falta dele,para o Júnior César. Aí o Júnior César perde a bola e Willians tem a chance dedar mais alguns carrinhos e iludir os desatentos que pensam: puxa, Willians nãodesiste.
Não parecia haver algo pior do que esse Willians que rouba,passa mal e rouba de novo, até O Pavoroso escalá-lo como meia de ligação, àfrente de Muralha e Luiz Antônio. Como não estava em posição de tentar bloquearo jogo do adversário, Willians passou a tarde bloqueando o jogo de Muralha eLuiz Antônio. Os garotos tentavam sair para o jogo, mas morriam nesse obstáculocamuflado chamado Willians Armador. Era como se houvesse um muro separando otime do Flamengo ao meio. Tudo morria em Willians.
Ao escalar dois ou três volantes híbridos, o mau treinadoresconde sua incompetência porque passa a falsa impressão de que a culpa não ésua – afinal, o que fazer com jogadores que não sabem passar a bola? Porém,quando os volantes sabem jogar, como é o caso de Luiz Antônio e Muralha, ficaescancarado que o time é mal treinado, que não tem opções táticas, que não temuma mísera jogada ensaiada.
O jogo de ontem escancarou a verdade sobre Willians. Quandoé escalado como volante, ele apenas não joga, não produz, não tem serventiaalém de alguns carrinhos cenográficos. Porém, quando escalado mais avançado,Willians atrapalha o próprio time e anula essa grata surpresa que é o jogo deMuralha e Luiz Antônio.
A partida contra o Friburguense era tão fácil de ser vencidaque o gol da vitória veio em passe de Paulo Sérgio e conclusão de Kléberson. Oproblema é que essa partida só foi jogada a partir da entrada de Kléberson. Atéentão, a partida era do Flamengo contra Willians e O Pavoroso, uma atrocidadeque ainda que se estendesse pela eternidade estaria condenada ao 0×0.
Friburguense 0×1 Flamengo
18 de março de 2012 – Taça Rio
Estádio Cláudio Moacyr – Macaé
Árbitro: Wagner do Nascimento Magalhães
Flamengo: Felipe, Galhardo, González, David Braz e JúniorCésar; Muralha, Luiz Antônio, Willians (Kléberson) e Bottinelli (Negueba);Thomás (Paulo Sérgio) e Diego Maurício. Técnico:Joel Santana
Friburguense: Marcos, Sérgio Gomes, Cadão, Diego Guerra eFlavinho; Zé Victor, Lucas, Marcelo (Diego Santos) e Jorge Luiz; Ziquinha(Marquinhos) e Rômulo. Técnico:GérsonAndreotti

Gol: Kléberson aos 35 do 2º tempo.

Que não volte a covardia

O começo do jogo foi preocupante. Gerardo Pelusso armou seuOlimpia como armava a La U de 2010, seis homens compactando o meio na contençãoe atacando com pelo menos quatro com a bola recuperada. Era o plano paraprender o Flamengo e esperar pelo gol que quase veio na cabeçada de Orteman quePaulo Victor saltou junto ao pé da trave direita.
Fosse o Flamengo aquele de muitos volantes que não sabempassar e os paraguaios teriam vencido no primeiro tempo. Mas Luiz Antônio eMuralha alternaram o jogo de um lado para outro e criaram espaço paraBottinelli se aproximar de Ronaldinho e Love. Só não funcionou melhor porquenão havia laterais para seguir pelo corredor – os constrangedores Galhardo eJúnior César ora perdiam a bola, ora voltavam o jogo para a defesa.
Sem laterais, para fazer um gol seria preciso achar abrecha, que surgiu por obra, graça e ginga de Love que deixou Bottinelli defrente para o crime. Bola por cima do goleiro e fomos para o intervalo com um1x0 farto e generoso para um time que só havia chutado a gol duas vezes, asduas de longe, sem perigo.
Veio o segundo tempo e o Olimpia obrigou-se a se expor. Comespaço, Muralha e Luiz Antônio jogaram por si e pelos laterais e assim veio opênalti convertido por Ronaldinho, depois de Luiz Antônio tocar para Lovedriblar o goleiro e levar o rapa. O time não deixou o Olimpia respirar eRonaldinho deu um passe genial para Luiz Antônio marcar com a tranquilidade deum veterano de muitas guerras e matar o jogo.
É, matamos o jogo, foi o que pensei. O Flamengo seguiuabsoluto até levar o gol de falta de Zeballos. Não considero falha de PauloVictor por ter levado o gol em seu próprio canto. Todos esperávamos que Marincobrasse por sobre a barreira e apareceu Zeballos acertando um míssil. Aí Joelmandou Negueba ao campo, substituição incompreensível para um time que precisade tranquilidade e não de um velocista descerebrado.
González falhou e permitiu a Caballero marcar o segundo. Oescore apertado deixou o Flamengo apavorado como se todos soubessem que o empateera questão de tempo, e acabou sendo questão de tempo e de mais uma falha deGonzález e de um posicionamento esdrúxulo de David Braz e Galhardo.
A cara de espanto dos jogadores do Flamengo me fez agradecerpor faltar pouco tempo para acabar o jogo. Com mais cinco minutos, estaríamosamargando uma derrota com gosto de tragédia ao invés de um empate com gosto dederrota.
Não há dúvida de que os garotos Muralha e Luiz Antônio deramqualidade ao time, de que Bottinelli melhorou com a sequência e de que LéoMoura fez muita falta. Porém, o bom futebol apresentado durante meia hora nosegundo tempo é o máximo que pode jogar um time que não tem senso táticosimplesmente porque o treinador é só um barrigudo distribuidor de camisas. Nãohá uma jogada ensaiada, não há noção de cobertura, não há um comando que faça otime acalmar o jogo, desacelerar o andamento e sonegar a bola ao adversário.
Terminou com gosto amargo a noite que se desenhou promissora,mas a vaga está ao alcance. Já conhecemos os adversários e nenhum deles é umsupertime. É possível vencer no Paraguai e no Equador, desde que Joel não seacovarde e volte a encher o time de volantes cegos. Joel, que se irritou com apergunta na coletiva que lembrou o desastre de 2008. Joel, que lança Negueba sóde birra porque é o Neguebinha do Papai Joel. Joel, que disse que o Flamengo esqueceude tirar o pé do freio. Por favor, Joel, não seja covarde. Porque de covardiajá basta a que Patricia Amorim e seu marido tricolor fizeram com o Flamengo aote contratar para que nos sentíssemos presos à maldita noite de 7 de maio de2008.
Flamengo 3×3 Olimpia
15 de março de 2012 – Taça Libertadores da América
Estádio do Engenhão – Rio de Janeiro
Árbitro: José Buitrago
Flamengo: Paulo Victor, Galhardo, González, David Braz eJúnior César; Muralha, Luiz Antônio, Bottinelli e Thomás (Negueba); RonaldinhoGaúcho e Vagner Love. Técnico: Joel Santana
Olimpia: Martín Silva, Nájera, Adrián Romero, Enrique Meza eAriosa; Aranda (Zeballos), Sergio Orteman (Hobecker), Fabio Caballero eVladimir Marín; Luis Caballero e Maxi Biancucchi. Técnico: GerardoPelusso
Gols: Bottinelli aos 38 do 1º tempo; Ronaldinho Gaúcho(pênalti) aos 13, Luiz Antonio aos 18, Zeballos (falta) aos 31, Luis Caballero aos38 e Marin aos 42 do 2º tempo.

Torcedor modinha memória curta, próximo assunto por favor!

É inconcebível discutir se Adriano tem condições de atuar pelo Flamengo.
Recuso-me também a responder questionamentos do tipo: mas você prefere Negueba e Renato?
A questão não é esta! Um não substitui o outro.
Eu trabalho com fatos e evidencias. É fato, notório e evidente que Adriano não tem condições de atuar em equipe alguma.
Despreparado, desmotivado e sem objetivos. É liquido e certo que Adriano hoje no flamengo é sinônimo de problemas.
Apenas uma ressalva: eu sou fã de Adriano. Gritei muito seu nome na arquiba do Maraca em 2009. Sem duvidas ele era “o cara” do Flamengo.
Então vamos ativar a memória de vocês?
Quem pediu para sair foi ele. Fora outros episódios que denegriram a imagem do clube.
Diante de um fato onde minha sensata opinião não surtirá nenhum efeito, imploro aos Senhores Feudais Rubro Negros que se amparem, e nos protejam, mediante um contrato com clausulas sérias, prevendo multa e/ou rescisão de contrato em caso postura inadequada do atleta para com o nome do clube.
Vamos preservar a marca que o Flamengo tem. Afinal quem sustenta este nome é sua imensa torcida.
Seria injusto dizer que Adriano não tem mais jeito. Acredito em uma recuperação e grandes atuações. Mas pra isso ele precisa querer. Assim como quis em 2009 quando veio de um período de 2 anos “encostado” e deprimido na Europa.
Ele veio e deu conta do recado. O que nos permitia fazer vista grossa pra suas noitadas, farras e mulheres. Ele não era apenas noticiário de fofoca, como também estampava as capas de todos os jornais de esportes com excelentes atuações, como no Fla-Flu em que levou a loucura a massa rubro-negra que lotava o Maraca.
Pode ser que eu me engane, mas não creio em um Adriano que já venha pronto do Curíntia, haja visto que ele não vinha sendo trabalhado por lá.
Sendo assim, que se pague um preço justo. E não mais um salário de estrela pra quem não vai me render nada, pelo menos por ora.
Adriano precisa ver a oportunidade de voltar ao flamengo, como uma chance de recuperação e reconquista.
Acho absolutamente factível de assistir uma torcida inteira clamando por seu nome. Mas que isso não seja feito em nome de um passado glorioso, mas sim por atuações futuras que nos rendam frutos de alegrias e comemorações.
Adriano no Flamengo, nunca foi duvida. Sempre soube que era questão de tempo. E o tempo , ao que tudo indica, chegou!
E se Adriano vier mesmo, que seja para retribuir aos torcedores que incondicionalmente já acreditam nele. E para convencer aqueles que como eu, torcem por ele, mas precisa de algo mais concreto pra se render aos gritos de: Volta Imperador!
Sem mais. Meu momento modinha acabou. Próximo!
#NadaImportaSemOFlamengo
Cella

Ronaldinho, Barcelona, Flamengo e Darwin

Ainda me lembro de Janeiro de 2003 quando cheguei a Barcelona, cheio de esperanças de construir uma nova vida. Numa tarde gelada de inverno resolvi visitar o Camp Nou. Perto do estádio, me admirou ver uns pássaros verdinhos voando e fazendo algazarra nas árvores desfolhadas da cinzenta Travessera de Les Corts.

Aquilo era uma visão surreal do paraíso, como uma colagem do Miró. Perguntei a uma garota: que pássaro é esse? Um loro, disse ela me olhando como se eu fosse um ET. Me senti o mais estúpido dos estrangeiros, incapaz de reconhecer um simples periquito sulamericano em terras européias. Mas o que diabos faziam aqueles bichos soltos naquele frio? Como sobreviviam ao inverno europeu aquelas criaturas tropicais?

 Mais tarde, no passeio pelo estádio do F.C. Barcelona, vi a galeria de de ex-jogadores estrangeiros do clube. Entre eles: Evaristo, Marinho Peres, Roberto Dinamite, Romário, Ronaldo… A guia turística vendo que eu era brasileiro fez questão de comentar da briga entre Louis Van Gaal e Rivaldo. O meia já estava no Milan e o treinador holandês apesar de ter ganho uma longa queda de braço já estava na corda bamba. Eram anos deprimentes pro Futbol Club Barcelona, saudoso do Dreamteam e sem um futuro definido.Menos de um ano depois, numa mesa de bar, eu escutava um catalão resmungar indignado com os rumores sobre a contratação de Ronaldinho. Imagine só, ele preferia que o Barça contratasse o alemão Carsten Jancker!

Lamentavelmente nunca mais vi esse rapaz (adoraria perguntar pra ele se valeu a pena a contratação de Ronaldinho), mas em compensação nunca mais ouvi falar de Jancker…Contrariando aquele culé visionário Ronaldinho foi contratado e chegou sorridente ao Camp Nou para ser a antítese do “galático” Beckham. Lá estava eu na estréia de Ronaldinho no amistoso Troféu Joan Gamper em que empataram com Boca Juniors: 1-1 com gols de Tevez e Gerard. Não me lembro muito do Ronaldinho naquele jogo. Fiquei muito mais admirado com a torcida do Boca Juniors, onde acabei sentando com meu manto sagrado. Aqueles 3 mil argentinos calaram 87 mil culés. Como ainda havia algum catalão naquele espaço reservado aos visitantes atrás do gol sul, se ouvia alguém gritar: Sientate! Quiero ver el partido! E os argentinos respondiam cantando e saltando: Esto es fútbol, no es cine! Esto es fútbol, no es cine! Esto es fútbol, no es cine!

Mas logo viria o segundo jogo oficial do Ronaldinho no Camp Nou, diante do Sevilla. O Barça perdia por 1×0 e o gaúcho recebeu uma bola das mãos do goleiro, antes do meio campo, deu uma arrancada, driblou dois e meteu, com um chute de fora, muito fora da área, um golaço espetacular. Uma jogada que só alguém convicto de ser o gol em pessoa. Alguém que é capaz de decidir como e quando as coisas acontecem em campo. Um craque com a urgência visceral de provar ao Camp Nou, a Barcelona e ao mundo a que veio. Era seu cartão de visitas. Hola, soy Ronaldinho.

E esse filme durou 3 anos. Uma catarse de 3 anos de dribles, gols, jogadas espetaculares, títulos, vídeos e muita festa. Assim como havia feito o rubro negro Evaristo décadas antes o orgulho culé que o sendo o jogador mais decisivo da história do clube até então. E o torcedor catalão, apesar de ser historicamente pessimista, parecia que tinha visto um passarinho verde. O que ninguém imaginava é que esse filme estava destinado a acabar com a premiação de Ronaldinho como o melhor jogador do mundo. Depois disso o que se viu dele foram remakes baratos de filmes clássicos. Ronaldinho era refém do jogador espetacular que tinha sido. Quando muito algum lampejo para nos deixar claro que a qualidade continua ali, o que evidencia que o que faltava era vontade.

 O brasileiros se perguntavam porque aquele craque nunca veio jogar na seleção. Os espanhóis se perguntavam porque ele nunca voltou da copa de 2006. Me lembro bem do dia seguinte à eliminação do Brasil pela França. Eu estava de ressaca e tinha ido com amigos à praia de Castelldefels com uma camisa do Tabajara Futebol Clube. Joguei uma pelada com amigos brasileiros contra um combinado europeu: italianos e suiços. Sem ser nenhum craque deixei claro que ali havia um brasileiro orgulhoso do seu futebol. Meu prêmio, uma pelada de bêbados na praia e um dedão machucado. Como se fosse uma partida vital para recuperar o orgulho daquela seleção sem sangue, passível ante a derrota. Depois descobriria que na mesma hora, ali em Castelldefels, na mansão do gaúcho, Ronaldinho e Adriano enchiam a cara numa festinha particular pós-Copa. Nunca mais vi minha camiseta do Tabajara…

Ainda assim passei anos defendendo o decadente Ronaldinho em conversas com os torcedores do Barcelona. A maioria mais preocupada com o momento ideal de vendê-lo para ainda tirar proveito do negócio. Nunca consegui entender a maneira de ver o futebol daqueles torcedores que vão ao estádio como quem vai ao cinema. Na época eu via Ronaldinho como um puro sangue, que por não estar preparado para aquela dura corrida, sucumbiu aos vícios de uma cidade tão vadia de noite quanto trabalhadora de dia. A mesma cidade que apresentou a cocaína ao Maradona. E o mesmo club onde Johan Cruyff negociava com Romário: se você meter três gols contra o Atlético Madrid eu perdôo teu enésimo atraso aos treinos.

Os principais herdeiros desses três gols do Baixinho provavelmente são Ronaldo, Adriano e Ronaldinho. Grandes discípulos da filosofia sexo, cachaça e futebol. Bons malandros e perpetuadores da nossa cultura futebolística que premia a indisciplina. Otário é o que não sai na night, não reclama dos salários atrasados, se esforça no treino e tem amor à camisa. Porque se esse cara erra um gol decisivo, ele nem terá a desculpa do fraco pela cachaça, nem terá disfrutado das suas marias-chuteiras. Craque-malandro é o que ganha um milhão por mês, não treina, tira o técnico do time, não aparece nos jogos decisivos, mete os mesmos gols que o otário, é chamado pra seleção, e quando é vaiado tem o apoio de todos os companheiros.

Felizmente pro futebol existem clubes que pensam diferente. Um deles: Futbol Club Barcelona. Em 2007 vi, no Troféu Joan Gamper, um Ronaldinho lamentável caminhando em campo. Apesar dele abrir o placar com um gol de pênalti e da surra do Barça à Inter de Milão (5-0) era triste vê-lo. (Ainda estava anos luz daquele R10 que vi no empate com o Figueirense ano passado no Engenhão.) No time da Inter um Adriano melancólico, parecia que tinha abandonado o futebol mas tinha esquecido de sair de campo. No fim daquela temporada o Barcelona demitiria o paizão Frank Rijkaard e promoveria do time B o inexperiente Pep Guardiola.A primeira coisa que Guardiola fez como técnico do Barça foi dispensar Deco e Ronaldinho. Depois de tantos gols, tantos sorrisos e títulos o clube não teve dúvidas: preferiu dar ouvidos a um técnico inexperiente e dispensar o ex-astro da companhia. Guardiola diria na época: eu visse que ele quisesse voltar a ser aquele jogador ele ficaria no grupo. Hoje, quem ousaria contestar os títulos que ele conquistou depois de dispensar o R10?

Como bom herdeiro do Romário, Ronaldinho veio ao Flamengo, brigou com o Luxemburgo e conseguiu tirá-lo do clube. Mas ao contrário do Baixinho, que jogava seu futevolei na Barra, R10 decidiu jogar futevolei quinta-feira passada no Engenhão diante do Emelec. Pegou mal e ele foi vaiado, dentro da área não é lugar pra presepada. Pelo menos não pra aquela galera que pegou 3 horas de engarrafamento pra ver o gaúcho andar em campo. Ronaldinho já está velho o bastante para saber que o som que vem das arquibancadas é consequência das escolhas que ele faz dentro e fora do campo.

Quer um exemplo desagradável? O Flamengo tinha tudo para celebrar com um título no seu centenário em 1995. Mas a poucos minutos do fim, Romário (nobre deputado) decidiu não lutar por uma bola depois de um chute do ex-flu e tetra Branco. A bola foi recuperada e chegou aos pés do ex-rubronegro Aílton que entortou o Charles duas vezes e chutou, encontrando, dentro da área, a barriga do ex-rubronegro Renato Gaúcho. Sim, orgulho e vergonha, aplausos e vaias são lados da mesma moeda. Se você ganha um milhão de moedas por mês então… corra pelos aplausos!

Não espere parado pelas vaias!E aquelas criaturinhas verdes continuam voando e gargalhando pela cidade condal. Eu descobria mais tarde que aqueles passarinhos verdes são catorras argentinas(Myiopsitta Monachus) que eram vendidos como animais de estimação e foram abandonados. Mas devido a sua notável capacidade de adaptação foram capazes de se reproduzir e viraram praga na cidade. Hoje eu ousaria dizer as cotorras são hoje um símbolo da cidade, como as Ramblas, o Bairro Gótico e as obras de Gaudi. Mas talvez o símbolo mais internacional hoje seja Messi, essa cotorra argentina que dia após dia está dizimando os récords deixados por Romário, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho…

 É lamentável ouvir vaias no estádio. Se dá tanto trabalho encher o Engenhão numa quinta à tarde é muito melhor voltar a ouvir o tradicional MEEEEEEENGOOOOOOO. Entendo que se o Flamengo fosse um organismo talvez a vaia seria uma tosse, um sinal de que algo vai mal. Mas se o médico decidiu fazer uma lobotomia pra curar a conjuntivite e ainda deixou o doente pegar sereno no carnaval, paciência!

Ao doutor Ronaldinho eu já receitei o manual para ele se adaptar ao Flamengo. Pelo jeito ele já conseguiu marcar num clássico. Parabéns, R10, você já se igualou ao Maxi Biancuchi! Pena que pouco depois baixou a Pomba Gira dos Pampas em você. Essa expulsão até que demorou, só não pensei que fosse tão ridícula e desnecessária. Acabou devendo o bicho ao Paulo Vítor, sem o qual hoje seria vilão. Ainda bem que foi numa pelada sem importância como esse Fla-Flu… Mas ô Ronaldinho! Sem ser decisivo (positivamente) em clássicos e jogos decisivos você se enfrentará algo muito pior que a vaia: a indiferença e o esquecimento.

Quanto à torcida, por mais que a vaia seja um sinal de que estamos vivos, e ainda que seja direcionada ao jogador, sabemos que afeta ao time inteiro. Principalmente aos mais jovens. Por isso sugiro que da próxima vez a torcida prefira uma canção à vaia. Vamos cantar ao mundo inteiro, nem que seja de raiva.

Um pequeno milagre e duas vitórias

Enquanto o Flamengo penava para fazer 1×0 no Emelec e atorcida vaiava Ronaldinho, a transformação mais importante do time passavaquase despercebida. Sem Airton, Willians e Renato Abreu, a bola foi mais bemtratada. Mesmo com Bottinelli claudicante como segundo volante a bola foi maisbem tratada, e a melhoria no tratamento a levou para os flancos, para osespaços certos, para a vitória magra, mas tranquila – depois de perder um golno início, o Emelec não ameaçou mais.
Welinton e seu talento para ser driblado

É primário: o time que arma melhor também se recompõe melhorquando perde a bola, eis que se bagunça menos quando sai para o jogo. OFlamengo de Luxemburgo era um desarranjo, uma disritmia, uma repartição públicade anedota, burocratizada pelo carimbo obrigatório de Renato Abreu. Não queJoel tenha feito algo para mudar, foi obrigado ao óbvio pelo infortúnio pessoaldos três cabeças-de-área-e-de-bagre que acabaram sendo a fortuna do time.

Com Bottinelli suspenso, o time foi mais escangalhado aindapara o Fla-Flu, a ponto de assistirmos a ressurreição de Kléberson. O horror seespalhou pelas redes sociais assim que foi confirmada a escalação do Penta.Ora, ninguém em sã consciência defende a titularidade de um jogador como Kléberson,já longe na curva descendente de sua carreira, mas era absolutamente certo queo jogo fluiria mais com ele do que com os botinudos que lhe antecederam.
Kléberson, mas pode chamar de Jason
O fato de Kléberson e Magal renderem mais do que seusconcorrentes não significa que são bons jogadores. Significa só que sãomelhores do que Renato Abreu e Júnior César. Nada demais, mas o time agradece.
Ronaldinho demonstrava um tanto mais de vontade até dar umacotovelada e uma solada no mesmo lance. Certo, o primeiro amarelo foiequivocado, mas ele poderia ser expulso só pelo segundo lance mesmo e estariatudo certo. Já falei de sua fraqueza mental, estado que compreende essasexpulsões esdrúxulas – foi assim contra Inglaterra em 2002, se você estiver compreguiça de ver outros exemplos neste link.
Só o que me importa, por enquanto, é o jogo de quinta-feira.Desprezo a Taça Rio e me preocupa a Libertadores. O grupo está embolado e umavitória contra o Olimpia permite ao Flamengo ir mais tranquilo para os doisjogos fora de casa. Para vencer o Olimpia será preciso jogar mais do que contrao Emelec, a julgar pelo que vimos na partida Olimpia 2×1 Lanús.
Talvez Joel opte pelo quadrado Luiz Antônio, Muralha, Bottinellie Ronaldinho, eis que a formação com três zagueiros se mostrou um risco contrao Emelec. González é bom e pode diminuir as deficiências de David Braz, masesperar que ele faça isso com Braz e ainda com o Welinton é atribuir-lhepoderes improváveis.
Meio na marra, o time vai ficando simples. Menospretensioso, mais funcional. Parece pouco, mas para quem começou o ano comAirton, Willians e Renato Abreu, é um pequeno milagre.
Flamengo 1×0 Emelec
8 de março de 2012 – Taça Libertadores da América
Estádio do Engenhão – Rio de Janeiro
Público: 27.826 pagantes (31.859 presentes)
Árbitro: Dario Ubriaco
Cartão vermelho: Marlon Jesús
Flamengo: Paulo Victor, Welinton (Deivid), González, DavidBraz; Léo Moura (Negueba), Muralha, Luiz Antônio, Bottinelli e Júnior César;Ronaldinho Gaúcho e Vágner Love. Técnico: Joel Santana
Emelec: Esteban Dreer, José Quiñónez (Carlos Quiñónez),Gabriel Achilier e Oscar Bagui; Pedro Quiñónez, Fernando Giménez, FernandoGaibor, Enner Valencia e Marcos Mondaini (Walter Iza); Luciano Figueroa (Vigneri)e Marlon Jesús .Técnico: Marcelo Fleitas
Gol: Vágner Love aos 3 do 2º tempo.
Flamengo 2×0 Fluminense
11 de março de 2012 – Taça Libertadores da América
Estádio do Engenhão – Rio de Janeiro
Público: 10.534 pagantes
Árbitro: Eduardo Cordeiro Guimarães
Cartão vermelho: Ronaldinho Gaúcho
Flamengo: Paulo Victor, Galhardo, González, David Braz eMagal; Luiz Antônio, Muralha (Rômulo), Kléberson e Thomás (Diego Maurício);Ronaldinho Gaúcho e Vágner Love (Deivid). Técnico: Joel Santana
Fluminense:
Diego Cavalieri,Jean (Lanzini), Leandro Euzébio, Anderson e Thiago Carleto; Edinho (Wallace),Diguinho, Souza e Wagner; Rafael Sobis (Samuel) e Rafael Moura. Técnico: AbelBraga
Gols: Ronaldinho Gaúcho (pênalti) aos 22 e Kléberson aos 24do 2º tempo.

Ronaldinho e a ordem das vaias

Quando uma multidão foi à Gávea recepcionar RonaldinhoGaúcho, tivemos a medida exata da nossa expectativa: sonhávamos com o jogadorque já foi o melhor do mundo. Havia, ali, também um orgulho por termos vencidouma batalha contra Palmeiras e Grêmio, sobretudo o Grêmio e seus dirigentesboquirrotos e suas caixas de som. “Agora eu sou Mengão”, disse ele, entredançarinas de funk, Vágner Love e uma orgulhosíssima Patrícia Amorim. Talveztenha sido a tarde de mais euforia na Gávea desde o tricampeonato de 1944.Vivíamos um sonho. O problema é que qualquer observador mais atento poderiaperceber que era um sonho de verão.
Quando Ronaldinho foi o melhor jogador do mundo, havia umsupertime jogando para ele. Um time que se deslocava para abrir espaços e criaropções de jogadas, ótimas opções, as melhores do mundo na época. Com espaço ebem escudado, Ronaldinho de fato fez por onde ser o melhor do mundo e escreveualgumas páginas douradas do futebol, como a estreia na Champions League em 2004contra o Milan, os gols em arrancada pela esquerda contra o Madrid em plenoBernabéu nos 3×0 de 2005, o golaço decisivo contra o Chelsea na Champions em2006 e muitos, muitos outros.
Mas ainda no Barcelona, Ronaldo foi criticado pelasnoitadas, pela forma física – chegou a erguer a camisa ao final de um jogo paramostrar que o Ronaldo gordo era o outro – e saiu da Catalunha sem grandecomoção, porque os blaugranas já aprenderam que sai um Romário e chega umFenômeno, que se vai para abrir espaço para Rivaldo que é sucedido porRonaldinho e ali já estava um certo Lionel, haja Camp Nou para tantos craques.Em Barcelona todos aprenderam a lição: Ronaldinho foi genial porque se criaramtodas as condições para isso, e o negócio foi espetacular para clube e jogador.
Favor vaiar primeiro a mulher de tricolor
Esse aparato que o Barça criou para Ronaldinho brilharneutralizou o maior defeito dele como jogador e personagem: a fraqueza mental.Explico-me. Ronaldinho, desde o Grêmio, sucumbe se esperam que ele seja líder.Não é e nunca foi líder de nada, nem do próprio destino como atleta. Ronaldinhotem talento para ser a estrela do espetáculo se tudo estiver montado para elebrilhar, mas não tem força mental para sacudir um time, para chamar todos ao jogoquando as coisas vão mal, para ser constante em alto nível. Em dias iluminadose contra times que deixam jogar, fará o que fez na Vila contra o Santos. Nomais das vezes, quando o pau cantar, vai se esconder na ponta esquerda.
E sabem do pior? Isso não é problema dele. Foi esse oRonaldinho que o Flamengo contratou. E poderia ser um bom negócio, desde quehouvesse um time capaz de oferecer as situações que ele precisa – tenho certezaque Ronaldinho brilharia no Santos, por exemplo, tabelando com Ganso e servindoa Neymar. No Flamengo, quando havia um jogador apto ao diálogo no meio, nãohavia um atacante decente. Agora que há um atacante decente, não há ninguém inteligentea seu lado na armação.
Quanto ao salário, não é problema dele. O negócio foianunciado como o mais vantajoso da história. Um parceiro bancaria quase tudo ea parte que caberia ao Flamengo seria facilmente suportada com ações demarketing. Ronaldinho não tem culpa de o Flamengo ser presidido pelo maridotricolor de uma vereadora e de o clube não ter um departamento de marketing.
Todos queríamos mais de Ronaldinho, mas o Flamengo não fezpor onde, assim como não fez a seleção brasileira em 2006. Esperar superação dojogador? Ele nunca foi disso. Em lugar nenhum. Jamais será. Ele joga demais noconforto do jogo solto, nunca no perrengue das bolas mal passadas por Willianse Renato Abreu e dos gols ridículos perdidos por Deivid.
Eu não vaiaria Ronaldinho no meio de um jogo da Libertadoresporque acho que não ajuda Vaiaria ao final, sim, mas desde que se respeitasse aordem de quem merece vaia. A primeira e mais estridente e com a tônica no umais acentuada é a para a presidente mulher de tricolor, a que traiu Zico, aque está afundando o Flamengo com sua gestão temerária. A segunda seria paraJoel dos Volantes Santana, que deveria ter sido declarado persona non grata em 2008. E só então vaiaria Ronaldinho, para queele não se esqueça de que Flamengo é Flamengo e sim, a gente leva a sério. Acomeçar pela ordem das vaias.

Saudade do meu time jogando como Flamengo

O saudosismo me consome diariamente. Quando chegam jogos importantes tento me agarrar a coincidências de duelos passados para tentar desvendar futuros vencedores, me baseando na máxima de que eventos tendem a se repetir de tempos em tempos. Tá, forcei a barra… Essa expressão é mais usada no mundo fashion, onde modismos sempre voltam de tempos em tempos. Mas estou sempre apegando a qualquer indício de que as coisas podem dar certo pra gente.

Sinceramente, a partida contra o Emelec não me remete a nenhum jogo o antigo. O máximo, o que me passou na cabeça foi o pavor de não passar da primeira fase, assim como em 2002, principalmente por pegarmos o Olímpia na mesma chave que aquele maldito ano e por temos ambiente tão conturbado quanto na época. Nesse momento não quero ser pessimista nem muito otimista. Não exigirei atuações semelhantes ao do time de 1981. Contento-me com confrontos que mesmo eliminado, jogadores se entregaram e honraram o manto. Lembrar de jogos de casa cheia em que a torcida fez a diferença. Onde o Flamengo venceu na marra, assim como o jogo que irei recordar.

Eu, com meus 17 anos, iria presenciar um clássico mundial no Maracanã. O ano era 1991 e a partida valia pelas quartas de final da Libertadores. Com a base do time campeão brasileiro de 1992, o Flamengo enfrentaria o Boca Juniors, comandado pelo fantástico Batistuta. E foi um duelo inesquecível. Após o primeiro tempo equilibrado e sem gols, a partida incendiou na segunda etapa e com apoio da torcida, abrimos dois a zero. Batistuta diminuiu o placar, o que seria determinante no jogo seguinte, onde fomos eliminados. Aquela partida foi dramática, cercada por uma aura eletrizante de rivalidade, digno de final de competição. Saí do estádio rouco, satisfeito e com a certeza de que aquele era o meu Flamengo.

Ver jogadores como Gaúcho e Charles, desprovidos de muita técnica, mas que encarnavam o espírito guerreiro, fez de mim um cara exigente. Talvez eu não tenha mais a juventude que nos faz ver a vida de maneira mais entusiástica, mas o mínimo de dedicação qualquer torcedor tem direito de reivindicar. Infelizmente, constato que o time atual não tem sangue. Deve correr gel de cabelo na corrente sanguínea dos jogadores, pois seus penteados saem intactos do gramado.

Seria pedir muito que alguém se doasse a ponto de fazer com que os jovens que irão ao Engenhão nessa quinta-feira tenham o mesmo orgulho que eu tive?

Não seria demais poder lembrar de uma partida onde, mesmo não tendo sido campeão, tivemos a certeza de ver o Flamengo em campo? Será que estou muito rabugento?

Flamengo 2×1 Boca Juniors
1º de maio de 1991 – Taça Libertadores da América
Estádio do Maracanã – Rio de Janeiro
Público: 49.206 pagantes
Árbitro: Enrique Marin
Flamengo: Gilmar, Charles Guerreiro, Adilson, Wilson Gotardo e Dida; Zé Ricardo, Júnior, Zinho e Marcelinho (Marquinhos); Alcindo e Gaúcho. Técnico: Vanderlei Luxemburgo
Boca: Navarro Montoya, Abranovich, Simon, Marchesini e Moya; Sonora, Giunti e Graciani (Tapia); Diego Latorre e Batistuta
Gols: Marquinhos aos 7, Gaúcho aos 20 e Batistuta (pênalti) aos 23 do 2º tempo.

Marcelo Espíndola
@FlaMuseu